O Martirológio Romano traz neste dia: “Em Filipos, na Macedônia, Santa Lídia, purpureira. Conforme narra o bem-aventurado Lucas nos Atos dos Apóstolos, foi ela a primeira que creu no Evangelho quando ali pregou o Apóstolo São Paulo”. O Martirológio não especifica se ela era casada, virgem, ou viúva, e se morreu mártir.

Nos Atos dos Apóstolos, São Lucas narra: “Zarpando de Troade, navegamos diretos para a Samotrácia; no dia seguinte chegamos a Neápolis, dali a Filipos, que é a primeira cidade desta parte da Macedônia, colônia romana, onde passamos alguns dias. No sábado saímos fora da porta, junto ao rio, onde pensávamos estivesse o lugar da oração. E, sentados, falávamos com algumas mulheres que se achavam reunidas. Certa mulher chamada Lídia, temente a Deus, purpureira, da cidade de Tiatira, escutava atenta. O Senhor abrira-lhe o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Uma vez que se batizou com toda sua casa, rogou-nos dizendo: ‘Já que me julgastes fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai nela’. E obrigou-nos a isso” (16, 11-15).

Tiatira ficava na região da Ásia Menor chamada também Lídia – possivelmente de onde vem o nome da Santa – onde ficava as áreas mais férteis e cultivadas da península, que era também privilegiada por suas riquezas naturais. Na região ficavam também outras cidades bíblicas como Sardes e Filadélfia. Tiatira  era conhecida na Antiguidade pelas suas muitas corporações comerciais, pois seu comércio, principalmente de produções têxteis, a tornavam famosa em toda a Ásia. Entretanto, ela é mais famosa por ter sido citada no Livro do Apocalipse como uma das sete Igrejas da Ásia. Nessa cidade Lídia já comerciava com a púrpura, antes de  mudar-se para Filipos.

A púrpura era um dos mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, preparada com tintas de vários moluscos. Sua cor, entre o azul e o vermelho, era usada pelos magistrados romanos, tornou-se a cor imperial usada pelos governantes do Império Bizantino e do Sacro Império Romano e, mais tarde, pelos bispos católicos romanos. Por isso, a profissão de purpureira deveria ser bastante rendosa e importante.

Por sua vez, a cidade de Filipos tinha sido fundada por colonos gregos em 359a.C., com o nome de Crênides. Alguns anos depois, Filipe II da Macedônia apoderou-se das minas de ouro que ficavam nas suas proximidades, fortificou a cidade, drenou os pântanos vizinhos, construiu um teatro, aumentou o tamanho da cidade, e renomeou-a com seu nome. No século II a.C. ela foi capturada pelos romanos, tornando-se assim um posto avançado do Império. Foi nessa condição que o Apóstolo a encontrou.

O que nos diz São Lucas sobre Santa Lídia é o que sabemos com toda certeza a respeito dessa primeira cristã da Macedônia.

Segundo se supõe, Lídia era pagã e prosélita do judaísmo, temente a Deus, natural de Tiatira, cidade da Ásia, e instalou-se para o seu comércio em Filipos, porto do Mar Egeu.

Ao ouvir a pregação de São Paulo, reconheceu prontamente a verdade do que dizia, e a abraçou, fazendo-se cristã pelo ano de 55.

Essa santa teve então a honra de ser a primícia do cristianismo na Europa. Supõe-se que Lídia fosse abastada – sua casa era o suficientemente grande para hospedar São Paulo e seus discípulos, Lucas, Timóteo e Silas – e que tinha muita autoridade nela pois, convertendo-se, fez com que fossem batizados todos os de sua casa. Sua habitação tornou-se assim a primeira igreja na Europa. Supostamente tinha bastante autoridade também sobre os seus concidadãos, principalmente sobre as mulheres.

É de se notar que em Filipos não havia ou havia muito poucos judeus, pois não devia haver na cidade uma sinagoga. Isso porque São Paulo e os seus, que sempre pregavam antes nas sinagogas, julgaram que seria o melhor lugar de começar seu apostolado às margens do pequeno rio Gangas, que passava além da porta da cidade.

Como narra São Lucas, o Apóstolo das Gentes e seus discípulos sofreram muitas perseguições em Filipos, onde foram encarcerados. Entretanto foram soltos milagrosamente por um terremoto, convertendo seu carcereiro.

As conversões de São Paulo na cidade foram tão abundantes, que originaram a comunidade cristã de Filipos, para a qual, mais tarde, ele escreveu uma de suas epístolas.

Embora o culto a Santa Lídia fosse muito antigo, foi Barônio, que morreu em 1607 que, em 1586, com a sua própria autoridade, a introduziu no Martirológio Romano, cuja revisão lhe estava entregue. Santa Lídia, por causa de sua profissão, tornou-se a padroeira dos tintureiros e dos comerciantes.

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