Detentor de merecidos títulos de grandeza terrena como Príncipe da Polônia e Rei natural da Hungria, São Casimiro foi, entretanto, maior ainda por sua inteira submissão à vontade de Deus. Seguindo as pegadas de Nosso Senhor Jesus Cristo, procurou moldar sua alma segundo a fisionomia moral do Divino Redentor, tornando-se o primeiro santo jovem leigo da era dita moderna.

Casimiro nasceu em 14 de outubro de 1458, e era neto de Wladislao II Jagiello, rei da Polônia, que introduziu o cristianismo na Lituânia, e segundo filho de Casimiro IV e de Isabel, princesa austríaca, que por sua vez era filha de Alberto II, Imperador da Alemanha e rei da Boêmia e da Hungria. Seu tio Wladislao III, rei da Polônia e da Hungria, morreu em Varna em 1444, defendendo a Cristandade contra os turcos.

O irmão mais velho de Casimiro, Wladislao, tornou-se rei da Boêmia em 1471, e da Hungria em 1490. De seus quatro irmãos menores, João I, Alberto, Alexandre e Sigismundo, todos ocuparam por turno o trono polonês, enquanto que Frederico, o caçula, tornou-se Arcebispo de Gnesen, bispo de Cracóvia, e finalmente Cardeal em 1493. O Santo, portanto, pertencia a família da mais alta nobreza.

A primeira educação dos jovens príncipes foi confiada ao Pe. Dlugosz, o historiador polonês e cônego em Cracóvia, depois arcebispo de Lwów (Lemberg), e a Filipe Buonaccorsi, chamado Calimaco, professor renascentista que ensinou aos pupilos latim e retórica. Casimiro, que tinha então 9 anos de idade quando foi colocado sob sua direção, já era notado por sua inteligência e ardente piedade.

Quando Casimiro tinha 13 anos, uma facção húngara que estava descontente com seu rei Matias Corvino, ofereceu-lhe o trono do país. Desejoso de defender a Cruz contra os turcos, que ameaçavam continuamente o Ocidente, o jovem príncipe pôs-se à frente dos rebeldes para ir conquistar a prometida coroa. Mas não teve sucesso, e voltou à Polônia como fugitivo, retornando aos estudos com o Pe. Dlugosz, com quem permaneceu até 1475.

Casimiro era um jovem de grande charme de pessoa e de caráter, e era notado particularmente por sua justiça e castidade. Ele encontrava o maior prazer na oração, e se sentia muito bem na igreja, que era seu lugar predileto. Ele dizia: “Em parte alguma me sinto tão bem como nos degraus do altar. Tendo que escolher entre a casa, o jogo, a dança e outros divertimentos, dispenso-os todos, se puder ficar na Igreja”.

O virtuoso príncipe assistia à Santa Missa com um recolhimento admirável. Tendo mais idade, levantava-se durante a noite para fazer uma visita à Igreja; se a achava fechada, ficava de joelhos na porta, em profunda adoração ao Santíssimo Sacramento. Sua devoção à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo era terníssima. Os olhos enchiam-se-lhe de lágrimas todas as vezes que olhava para o crucificado. A Maria Santíssima não chamava senão de “minha querida Mãe”.

Mais tarde ele foi associado ao pai, que o inicio tão bem nos negócios públicos que, quando Wladislao subiu ao trono da Boêmia, Casimiro tornou-se o herdeiro presuntivo do trono da Polônia. E quando seu pai foi para a Lituânia passar cinco anos cuidando dos negócios daquele reino, ele ficou encarregado da Polônia e, de 1481 a 1483 administrou o Estado com grande prudência e justiça.

Por esse tempo seu pai procurou arrumar-lhe um casamento com a filha de Frederico III, Imperador da Alemanha, mas Casimiro preferiu permanecer celibatário.

Pouco depois ele caiu seriamente doente, vítima de severo ataque de pulmões que, como ele estava muito fraco por causa dos contínuos jejuns e mortificações, não pôde recuperar-se. Quando viajava para a Lituânia, faleceu na corte de Grodno, no dia 4 de março de 1484. Seus restos mortais foram sepultados na capela da Santíssima Virgem, na catedral de Vilna, na Lituânia.

Quando seu túmulo foi aberto em 1604, seu corpo virginal estava perfeitamente conservado, e encontraram uma cópia de seu hino preferido, Omnes Diaes dedicado a Nossa Senhora, debaixo de sua cabeça.

São Casimiro foi canonizado por Adriano VI, em 1522.

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