Este santo viveu numa época muito conturbada da Igreja. Nos 8 anos de seu pontificado (1145-1153), ele teve várias vezes que deixar sua sede por causa das turbulências e rebeliões entre o povo.

Nascido em Pisa, esse futuro Papa recebeu no batismo o nome de Pedro Bernardo. Ainda jovem consagrou-se ao serviço da Igreja, sendo cônego na catedral de sua cidade natal.

Naquela época brilhava na Igreja como luzeiro de ciência e santidade São Bernardo, abade de Claraval. Estando ele em Pisa, Pedro Bernardo uniu-se a ele, e depois o acompanhou para a França na qualidade de noviço.

Pedro Bernardo fez sua profissão religiosa em Claraval, tomando o nome do seu mestre, tornando-se Frei Bernardo de Pisa.

Aos poucos São Bernardo, reconhecendo as qualidades do discípulo, começou a empregá-lo em negócios importantes para sua Ordem. Assim o enviou com uma colônia de monges para repovoar a antiga abadia de Farfa. Depois o papa Inocente II transferiu Pedro Bernardo para o mosteiro dos Santos Vicente e Anastácio, em Tre Fontane, em Roma, de onde sua fama de sabedoria e santidade se espraiaram pela Cidade Eterna.

Quando faleceu o papa Lúcio II, o Sacro Colégio, prevendo que a ruidosa população romana se esforçaria para forçar o novo Pontífice a abdicar de seu poder temporal e a jurar fidelidade ao Senatus Populusque Romanus, rapidamente sepultou o Papa falecido, e retirou-se para o remoto claustro de São Cesário, na Via Ápia. Por razões desconhecidas, os cardeais, procurando um candidato fora de seu corpo, escolheram por unanimidade como novo Papa Bernardo de Pisa, abade de Tre Fontane, que foi entronizado às pressas na basílica de São João de Latrão com o nome de Eugênio III.

Não podendo receber a sagração episcopal em Roma devido à agitação popular, o Papa e seus cardeais fugiram para o mosteiro de Farfa, nos arredores de Roma. Foi aí que o novo Pontífice recebeu a consagração episcopal, indo depois para Viterbo, refúgio hospitaleiro de muitos papas medievais. Nessa cidade o novo Papa recebeu a visita de embaixadas de todas as potências europeias, comprovando assim que ele possuía a simpatia e afetuosa homenagem de todo o mundo cristão.

Eugênio, com habilidade e paciência, conseguiu contornar pacificamente a situação de revolta reinante em Roma, podendo assim regressar à Cidade Eterna, onde foi acolhido triunfalmente pelo povo.

São Bernardo escreveu ao seu antigo discípulo um admirável manual sobre o papado, intitulado “De Consideratione”.

O Papa Eugênio teve que enfrentar a rebelião político-religiosa liderada por um monge agostiniano revolucionário, Arnaldo de Brescia, precursor do protestantismo. O demagogo inflamou a populaça romana para que se transformasse Roma, a cidade dos Papas, em uma república, à semelhança das comunas na Itália no Norte.

Seus incendiários discursos contra os bispos, cardeais e até mesmo contra o ascético pontífice, que o tratara com extrema indulgência, influenciaram seus ouvintes com tanta fúria, que Roma parecia uma cidade capturada por bárbaros. Os palácios dos cardeais foram arrasados; igrejas e mosteiros foram saqueados; a igreja de São Pedro transformada em um arsenal, e os peregrinos piedosos saqueados e maltratados.

Uma forte reação, chefiada pelas famílias patrícias de Roma, conseguiu restaurar a paz na Cidade Eterna.

Em seu múnus pontifício, Eugênio foi inexorável em punir os eclesiásticos indignos. Depôs os metropolitas de York e Mainz e, por uma causa que São Bernardo não considerou suficientemente grave, retirou o pálio do arcebispo de Reims. Mas se o santo pontífice poderia às vezes ser severo, esta não era sua disposição natural.

“Nunca”, escreveu o Venerável Pedro de Cluny a São Bernardo, “encontrei um amigo mais verdadeiro, um irmão mais sincero, um pai mais puro. … Eu nunca fiz a ele um pedido que não tenha concedido ou recusado, ou do qual eu pudesse razoavelmente reclamar”. Por ocasião de uma visita que ele fez a Clairvaux, seus antigos companheiros descobriram, para sua alegria, que “aquele que brilhava externamente nas vestes pontifícias, permanecia em seu coração um monge observante”.

Eugênio III morreu em Tivoli, para onde fora para evitar o calor do verão, e foi enterrado em frente ao altar-mor em São Pedro, Roma. São Bernardo o seguiu no túmulo (20 de agosto).

Santo Antonino declarou que Eugênio III foi “um dos maiores e mais aflitos dos papas”. Pio IX, por decreto de 28 de dezembro de 1872, aprovou o culto que desde tempos imemoriais os Pisanos rendiam ao seu compatriota, e ordenou que ele fosse homenageado com a Missa e o Office ritu duplici no aniversário de sua morte.</p>

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