“o Senhor é o Deus!”. “Elias disse-lhes: Apanhai os profetas de Baal, não escape nenhum um só”. E sob suas ordens, foram degolados os quatrocentos e cinquenta profetas pagãos (Id. 29-40).

Santo Elias é uma das maiores e mais enérgicas personalidades do Antigo Testamento. Com seu discípulo Santo Eliseu, ele é o grande profeta do século IX a.C. no norte da Palestina, numa época em que a religião era violentamente perseguida pela idolatria.

Segundo o livro do Eclesiástico, ele surgiu “como um fogo, e as suas palavras ardiam como uma tocha. Fez vir sobre eles [os pagãos] a fome, e os que o irritavam pela sua inveja, foram reduzidos a um pequeno número, porque não podiam suportar os preceitos do Senhor” (48, 1-2).

O I Livro dos Reis narra que “No ano trinta e oito de Asa, rei de Judá. … Acab, filho de Amri, fez o mal diante do Senhor, mais que todos os que tinha havido antes dele. … tomou por mulher Jesabel, filha do rei dos sidônios. Serviu a Baal e adorou-o. Erigiu um altar a Baal no templo de Baal, que tinha edificado em Samaria … irritando o Senhor Deus de Israel mais do que todos os reis de Israel que o tinham precedido” (I Reis, 16, 29-33).

Com efeito Acab, por influência de sua mulher fenícia  pagã Jesabel,  além de erigir o altar a Baal e a ele oferecer sacrifícios, tinha introduzido no reino uma multidão de sacerdotes pagãos e perseguido os profetas de Yavé.

Foi nesse contexto que surgiu Elias, nascido em Tisbe. Esse profeta  vestia-se com pele de animal, preso por uma cintura de couro, e morava junto às torrentes ou em cavernas nas montanhas.

Comparecendo diante do ímpio rei, o profeta o alertou, para puni-lo: “Viva o Senhor Deus de Israel, em cuja presença estou, que nestes anos não cairá nem orvalho nem chuva, senão conforme as palavras de minha boca”. (id 17, 1).

Diante do cumprimento dessa profecia, Elias precisou fugir da fúria de Acab, escondendo-se. Dirigiu-se então a Sarepta, onde foi recebido por uma pobre viúva que ia começar a preparar sua última e parca refeição, por estarem no fim seus suprimentos de óleo e farinha. O profeta pediu-lhe de comer, e ela utilizou para o servir o que lhe restava de farinha. Em recompensa de sua generosidade, Deus multiplicou sua farinha e azeite “até ao dia em que o Senhor faça cair chuva sobre a terra” (id. 14). Além disso, tendo o filho da viúva falecido, o profeta obteve de Deus sua ressurreição.

“Muito tempo depois” o Senhor ordena a Elias que compareça novamente ante Acab, para Ele fazer chover. Sob as ordens de Elias, o rei manda ao povo que se junte no monte Carmelo, com os quatrocentos e cinquenta sacerdotes de Baal e os quatrocentos profetas dos bosques que comiam da mesa da ímpia Jezabel.

O profeta manda aos sacerdotes de Baal que preparem  uma fogueira, e ele prepara outra. Diz-lhes então para que invocar seus deuses, enquanto ele invocaria o seu, para ver sobre qual das duas fogueiras cairia o fogo do céu. “O Deus que ouvir, mandando fogo, seja considerado o verdadeiro Deus”. Evidentemente, apesar do grande tumulto com que os pagãos invocam seus deuses, sua fogueira permanece apagada.

Então Elias invoca o verdadeiro Deus, e o fogo desce do céu consumindo, não só a água que havia sido derramada sobre sua fogueira, mas até o pó que estava em redor do altar.

O povo reconhece então que “o Senhor é o Deus!”. “Elias disse-lhes: Apanhai os profetas de Baal, não escape nenhum um só”. E sob suas ordens, foram degolados os quatrocentos e cinquenta profetas pagãos (Id. 29-40).

Entretanto, depois desse êxito, o profeta tem que fugir novamente  do ódio de Jezabel, indo para o santuário do Monte Horeb. Lá o Senhor lhe dá uma tríplice missão: ungir Hazael como rei da Síria; Jehu como rei de Israel, e Eliseu, para ser seu sucessor.

Em seu caminho para Damasco, o profeta encontra Eliseu no arado, e jogando o manto sobre ele, o faz seu fiel discípulo e companheiro inseparável, confiando-lhe a conclusão de sua tarefa na terra.

Elias reaparece em Israel para anunciar a Acab seu trágico destino iminente. Como o rei fez penitência, a ameaça da ruína de sua casa foi adiada.

A outra vez que ouvimos falar de Elias na Escritura Santa, é em conexão com Ocozias, filho e sucessor de Acab que, tendo sofrido ferimentos graves em uma queda, enviara mensageiros ao santuário de Belzebu, deus de Acará, para indagar se deveria se recuperar. No caminho os mensageiros são interceptados pelo profeta, que os envia de volta ao seu mestre, dizendo-lhe que seus ferimentos eram fatais. O rei manda vários grupos de soldados para capturar Elias, mas eles são aniquilados por fogo caído do céu. Então o profeta aparece pessoalmente a Ocozias para confirmar sua ameaçadora mensagem.

Outro episódio em que aparece o Profeta é registrado no II Livro de Crônicas, que relata como Jorão, rei de Judá, que se entregou também ao culto de Baal, recebe de Elias uma carta avisando-o que toda sua casa seria ferida por uma praga, e que ele próprio estava condenado a uma morte prematura (21, 12).

Finalmente, Elias conversava com seu filho espiritual Eliseu nas colinas de Moabe, quando “uma carruagem de fogo e cavalos de fogo os separaram, e Elias subiu por um redemoinho ao céu” (2 Reis 2:11), e todos os esforços para encontrá-lo feito pelos filhos dos profetas, que não acreditaram no relato de Eliseu, de nada aproveitou.

O profeta Malaquias (4, 5-6), falando da vinda de Elias no fim do mundo, diz: “Eis que vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia grande e horrível do Senhor. Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais; para não suceder que eu venha e fira a terra com anátema”. De acordo com muitos comentaristas, isso se refere à conversão dos judeus no fim dos tempos.

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