Filho de nobres cristão, nasceu na Irlanda nos últimos anos do século VIII. Há boas razões para se acreditar que ele foi educado na escola monástica de Inishcaltra, pequena ilha no Loug Derg, agora chamada Ilha Santa. Se assim foi, isso indicaria que ele era um nativo dessa parte do país. Depois do estudo feito com grande indústria e sucesso, ele desejou-se aperfeiçoar-se mais na fé. Para isso, abandonou a família e a pátria, seguindo em peregrinação por várias regiões, até chegar sa Roma, onde se tornou sacerdote em 816.

Na Cidade Eterna ele visitou o túmulo dos Apóstolos com seu amigo André Scot e, depois de uma larga estadia, com a bênção do Papa, em sua viagem de volta para a Irlanda, pararam em Fiesole, e foram para a hospedagem de um mosteiro para descansar, antes de recomeçar a viagem.

Quando eles visitavam a catedral da cidade, ocorreu que justamente naquele momento o clero e a população procuravam eleger um novo bispo, como era costume na época. Movidos por divina inspiração, decidiram escolher aquele desconhecido peregrino. Pois narra a tradição que, quando Donato entrou na igreja, os sinos tocaram e os círios do altar se acenderam sem que alguém tivesse contribuído para isso. No início, relutou em aceitar, mas depois se dobrou ao desejo de todos. Era o ano 824. Donato nomeou André seu arqui-diácono.

Santo André Scot era irmão de Santa Brígida a Jovem, e nascera também na Irlanda no início do século IX. Tanto ele quanto sua irmã estudaram sob a direção de São Donato. Por causa de sua peregrinação à Itália com São Donato, ele passou a ser chamado em seu país de André da Toscana, e André de Fiesole.

Narra-se um milagre atribuído a Santo André em Fiesole, da cura da filha de um nobre. Muitos outros milagres são atribuídos a ele em Fiesole. André era notado pela austeridade de vida e caridade sem limites para com os pobres. Morreu pouco depois de São Donato. Consta que sua irmã foi conduzida da Irlanda até Fiesole, para assisti-lo em seu leito de morte.

Existem muitos registros sobre o governo pastoral de São Donato em Fiesole, que durou cerca de quarenta anos. Ele operou um verdadeiro reafervoramento na piedade e no saber em sua igreja. Ele não somente combatia o pecado, mas era inclusive um líder militar, tendo organizado exércitos em duas expedições contra os sarracenos. Ele fundou também a abadia de São Martinho di Mensola por sugestão de Santo André.

São Donato combateu com sucesso os usurpadores dos bens da Igreja. Conselheiro do Imperador Lotário II, em 866 ele viajou para encontrar-se com o ele, e conseguiu confirmar as doações dos bens concedidos pelo seu predecessor, Alexandre, e outros vários direitos. Donato teve assim boa relação com os soberanos daquela época, aos quais acompanhava nas empreitadas e nas viagens. Ele participou também de um sínodo convocado pelo papa Nicolau I em 18 de novembro de 861.

Escritos antigos atestam que Donato foi professor, trabalhou para os reis franceses, participou de expedições com os imperadores italianos, e chefiou uma campanha contra os invasores árabes muçulmanos na Itália meridional.

Pensando nos peregrinos que passavam por Fiésole, principalmente nos seus patrícios irlandeses no caminho de Roma, com recursos próprios ele construiu em sua diocese a igreja de Santa Brígida, um hospital e um albergue, todos ricamente decorados e bem aparelhados. Em 850 doou tudo para a abadia fundada por são Columbano, em Bobbio.

Nesse mesmo ano o santo esteve em Roma, participando da coroação do imperador Ludovico, feita pelo papa Leão IV. Naquela ocasião foi convidado a participar, junto com o Pontífice e o Imperador, do julgamento de uma velha questão pendente entre os bispos de Arezzo e de Siena, resolvida a favor do último.

Donato era um sacerdote muito instruído, sábio e prudente, por isso se preocupou com a instrução do clero e da juventude. Escreveu diversas obras, das quais restaram apenas um epitáfio ditado para o seu jazigo, que tem interesse pelas suas informações autobiográficas; um credo poético, que recitou antes de morrer, e a “Lauda de Santa Brígida”, padroeira da Irlanda. Segundo ele afirmou, essa santa o visitou em seu leito de agonizante, confortando-o e dando-lhe forças. Um manuscrito na Laurentian Library, de Florença, narra o milagre.

O santo ensinava “a arte da composição métrica”, e essa Lauda de Santa Brígida é entremeada com curtos poemas de sua própria lavra. Num deles ele descreve a beleza e a fertilidade de sua terra nativa, e as proezas e piedade de seus habitantes. O santo também escreveu seu próprio epitáfio no qual alude ao seu nascimento na Irlanda, seus anos no serviço dos príncipes da Itália, Lotário e Luís, seu episcopado em Fiesole, e sua atividade como professor de gramática e poeta.

São Donato morreu em 877, na sua cidade episcopal. As suas relíquias foram sepultadas na antiga catedral, dedicada a São Rômulo, onde ficaram até o final de 1017, quando foram transferidas para a nova catedral, em uma capela a ele dedicada.

O Martirológio Romano Monástico diz dele no dia de hoje que: “Durante cerca de quarenta e sete anos São Donato reergueu a Toscana destruída pelos normandos e pelo Imperador”.

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