National Gallery of Art de Washington
Samuel H. Kress Collection
1952.5.88

São João Batista é o único santo de quem se celebra o nascimento temporal, e o único que tem no Calendário Litúrgico duas festas litúrgicas, a do nascimento e a do martírio.

“Profeta do Altíssimo”, São João Batista é pré-figurado por Isaías e Jeremias. Como eles, e melhor do que eles, foi santificado desde o ventre de Santa Isabel em virtude da missão que o esperava. O evangelho da Missa de hoje recorda os prodígios que assinalaram seu nascimento.

O evangelista São Lucas anuncia com detalhes a concepção e o nascimento do Precursor: “Nos dias de Herodes, rei da Judeia, houve um sacerdote de nome Zacarias, da turma de Abdias. Sua mulher, da descendência de Aarão, se chamava Isabel. Ambos eram justos na presença de Deus e irrepreensíveis caminhavam em todos os preceitos e observâncias do Senhor. Não tinham filhos, pois Isabel era estéril, e os dois já eram avançados em idade. Sucedeu pois que, exercendo ele as funções sacerdotais diante de Deus segundo a ordem de sua turma conforme o uso do serviço divino, coube-lhe por sorte entrar no santuário do Senhor para oferecer o incenso, e toda a multidão do povo estava orando fora durante a hora da oblação do incenso. E apareceu a ele um anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, perturbou-se Zacarias, e apoderou-se dele o temor. Disse-lhe o anjo: ‘Não temas, Zacarias, porque tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe imporás o nome de João; e será para ti motivo de gozo e de alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento; porque ele será grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem outra bebida inebriante; e será cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe; e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus; e irá adiante dele com o espírito e a virtude de Elias, a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos, e os incrédulos à prudência dos justos, para preparar ao Senhor um povo perfeito” (Lc 1, 5-17). Poucos dias depois Isabel concebia o futuro João Batista.

São Lucas fala de seu nascimento mais laconicamente: “Chegou para Isabel o tempo de dar à luz, e ela deu à luz um filho” (Lc 2, 57). Desse filho disse seu São Zacarias no seu belo cântico do Nunc dimmitis: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois irás adiante do Senhor preparar seus caminhos, e dar a ciência da salvação a seu povo, em remissão dos seus pecados” (Lc 2, 76-77).

O Profeta Isaías, profetizando o nascimento do Precursor, diz: “Ouvi ilhas, e atendei povos de longe: o Senhor chamou-me desde o ventre de minha mãe; quando ainda estava no seio materno, lembrou-se do meu nome; tornou a minha palavra como uma espada aguda; protegeu-me à sombra da sua mão, e fez de mim como uma seta escolhida, e me escondeu na sua aljava. E disse-me: Israel, tu és meu servo: eu serei glorificado em ti …E agora o Senhor, que me formou desde o ventre materno para ser seu servo, diz-me: Eis que eu te estabeleci para luz das gentes, a fim de seres a salvação que eu envio até a última extremidade da terra. Os reis te verão, e os príncipes se levantarão e se prostrarão diante de ti, por causa do Senhor: ele é o Deus de Israel que te escolheu” ((49, 1-3 e 5-6-7).

Comemorando o nascimento do Batista, a Igreja festeja a aurora da Redenção, pois ocorreu seis meses antes do Natal, como que anunciando o mistério da Encarnação, e participando de sua grandeza.

Na Idade Média a festa de São João Batista era considerada uma espécie de “Natal do verão”, com três Missas como no dia do nascimento do Salvador. A liturgia do dia ressaltava a afinidade entre as duas festas.

O culto a São João Batista era geral na Igreja, e revestia-se de uma importância extraordinária já no século IV. Sua festa mais antiga é a do dia de hoje, isto é, de seu nascimento.

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