No conclave reunido em 1566 para escolher o sucessor de Pio IV, entre os cinqüenta e dois cardeais presentes, estava São Carlos Borromeu, cardeal arcebispo de Milão, e o que mais poderia influir na magna assembléia. Conforme o cardeal Pacheco escreve ao rei da Espanha, Felipe II, ele pediu a São Carlos que trabalhasse quanto pudesse “para fazer um Papa muito para serviço de Deus e útil à Igreja, porque nisto me parece que mereceria mais do que em jejuar e em açoitar-se toda a vida”.

São Carlos trabalhou efetivamente para que fosse escolhido o Papa que então requeriam as necessidades da Igreja. E foi eleito o cardeal Miguel Ghislieri, que tomou o nome de Pio V. Filho de um humilde lavrador de Boscomarengo, aldeola do território de Milão, guardou ovelhas na infância e, sendo ainda muito novo, entrou para a Ordem de São Domingos.

Foi professor em Bolonha, Inquisidor, bispo de Nepi e, em 1556, bispo de Sutri. E, no ano seguinte, cardeal bispo de Mondovi, e finalmente Papa. Muito austero, parco em palavras, mais amava a túnica dominicana que a púrpura de cardeal. Vivia modestamente, sendo que um frade de sua Ordem lhe fazia companhia, e ele mesmo varria sua habitação, utilizando uma vassoura que construía com ramos de palmeira.

Como Papa manteve a simplicidade de vida. Reduziu ao mais indispensável os gastos de sua pessoa. Deixou os parentes no estado em que se encontravam quando foi eleito, e desde o início dedicou-se de corpo e alma em velar pela pureza da fé e promoção da reforma cristã. Sua primeira solicitude foi para a aplicação dos decretos do Concílio de Trento. Pelo que, já em 1566, surgiu o Catecismo Romano, e sob seu impulso continuou-se a trabalhar na edição do Breviário Romano, que publicou em 1570.

Como grande zelador pela pureza da fé, favoreceu constantemente a Inquisição, esse tão difamado e deturpado tribunal; em 1570 excomungou Isabel I da Inglaterra, e apoiou o apostolado de São Pedro Canísio na Alemanha.

Mas a grande obra de São Pio V foi contra o Islã, que chegara às portas do Ocidente, rendendo-se a ele Chipre, última praça forte dos cristãos. O Papa promoveu contra esse ímpio e perigoso inimigo uma cruzada e, ao cabo de esforços dolorosos, conseguiu que a Espanha e Veneza se somassem aos Estados Pontifícios, sob o comando de D. João d’Áustria, para enfrentar os maometanos. Isso deu-se em Lepanto, obtendo as forças católicas, a 7 de outubro de 1571, retumbante vitória devida em grande parte às orações do santo Pontífice e à invocação, por ele ordenada, de Nossa Senhora do Rosário.

É admirável como São Pio V, de origem tão modesta, de pouca ou nenhuma preparação política, pôde desempenhar um pontificado tão glorioso. Por isso poucos Pontífices foram tão chorados em Roma como esse Papa santo.

A 21 de abril de 1572, dez dias antes de sua morte, o Papa santo quis visitar as Sete Basílicas de Roma, o que fez com muito esforço. Quando chegou a São João de Latrão, estava tão exausto, que lhe propuseram passar para uma liteira para fazer o resto do que faltava. Ele respondeu que, quem tinha feito tudo, terminaria o que faltava. Chegou ao Vaticano indo para o leito, e pediu que lhe lessem os Salmos Penitenciais e a Paixão de Nosso Senhor. No dia 28 não pôde celebrar. Recebeu os últimos Sacramentos e morreu no dia 29.

Sisto V colocou-lhe o corpo numa magnífica urna na capela do Santíssimo Sacramento, na Basílica de Santa Maria Maior.

Dele diz o Martirológio Romano a 1º de maio: “Em Roma, o natalício (para o céu) de São Pio V, da Ordem dos Pregadores, Papa e confessor, que se aplicou, com zelo e habilidade, a restaurar a disciplina eclesiástica, extirpar as heresias, e esmagar os inimigos do nome cristão. Governou a Igreja pela santidade, não só de sua vida, mas também das leis que promulgava”.

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