Reproduzimos abaixo extratos de comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, sobre a Quinta feira Santa, feitos para um grupo de sócios e cooperadores da TFP, coincidentemente num 18 de abril, (1973)1.

     São Pedro Julião Eymard, comentou que os pagãos fizeram para si mesmos deuses a seu bel prazer, tantos quanto puderam imaginar. Entretanto, nenhum desses deuses ousou aproximar-se da idéia da Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia, um Deus tão próximo de nós e que estabelece,  pela Sagrada Comunhão, tão íntima união com os homens.

    Comenta o Prof. Plinio: “A Igreja considera os últimos atos da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo como constituindo um só todo desde o primeiro ato que é a instituição da (Eucaristia na) Santa Ceia até a morte e ressurreição dEle. Constituem um só todo porque representam o auge, o cúmulo de perfeição da vida dEle. Quando Ele termina a sua obra terrena instituindo o Santo Sacrifício da Missa e a Sagrada Eucaristia e dando a Primeira Comunhão a Nossa Senhora, aos Apóstolos e às santas mulheres, em geral aos fiéis que estavam ali.

        “Depois, então, Ele sai. O ato da instituição da Eucaristia é um ato festivo pela sua natureza. É festivo porque é uma enorme graça que Ele concede à toda a humanidade; é festivo porque foi realizado numa cerimônia do ato judaico antigo, é a última e a mais alta de todas as cerimônias da velha sinagoga expirante é a cerimônia da Missa, a instituição da Sagrada Eucaristia; é um ato ainda da religião judaica e que Ele celebra a páscoa, quer dizer, a passagem dos judeus pelo Mar Vermelho, que era considerado o milagre máximo da religião hebraica e que os judeus comemoravam muito solenemente, comemoravam festivamente, porque era uma libertação.

        “Essa libertação dos judeus através do Mar Vermelho era um símbolo precursor da Redenção que Nosso Senhor Jesus Cristo haveria de operar, de todo o gênero humano.

       “Quer dizer, um símbolo do sacrifício da Cruz. O Mar Vermelho se abriu e os judeus passaram, e os egípcios ficaram. Pela morte de Nosso Senhor Jesus Cristo abriu-se para nós, chamados, o caminho do Céu. E para os que dissessem não, esses ficam, ficam no paganismo, ficam na Revolução, ficam na incredulidade e vão para o Inferno.

        “Então, a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo abriu o nosso caminho para o Céu como a abertura do Mar Vermelho abriu o caminho do povo eleito, prefigura dos católicos, para a terra prometida, para Israel, que era prefigura do Céu. Este é o pensamento.

       “Nessa cerimônia Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o Santo Sacrifício da Missa que era uma celebração antecipada do Sacrifício da Cruz. Entre a Cruz e a Missa existe uma correlação íntima. Então, Ele celebrou isto festivamente, distribuiu a Comunhão para todos os Apóstolos, mas era uma festividade cheia de tristeza para Ele (…)  — , porque estava sentado à mesa dEle o traidor; porque Ele estava recebendo ato de adoração de Apóstolos que Ele via que O iam (abandonar)…

        “A única alegria perfeita que Ele teve nesse dia foi quando Ele deu a Comunhão a Nossa Senhora. Nesse momento sim, porque Nossa Senhora recebeu, como os senhores podem imaginar, a Eucaristia perfeitamente bem, e desde esse momento, segundo tudo leva a crer, a sagrada hóstia nunca mais deixou de estar dentro dEla. Entre uma Comunhão e outra as sagradas espécies se conservavam nEla, como num sacrário vivo, como no tempo da Encarnação em que Ela estava gerando o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

        “Tirando isto, Ele não teve alegria, e na vida Ele não teve mais alegria a não ser olhar para Nossa Senhora e, assim mesmo, Nossa Senhora transformada na Rainha das Dores, por causa da Paixão que Ele sofria e da compaixão que Ela sentia pela Paixão dEle.

        “Depois, então, de instituída a Santíssima Eucaristia dá-se essa coisa trágica: Nosso Senhor sai de um Cenáculo iluminado, de um Cenáculo festivo, e entra pela noite adentro. Mas daquelas noites mal iluminadas, daquelas cidades antigas. Ele atravessa um trecho da cidade, sai com os Apóstolos de dentro da cidade, todos recitando hinos religiosos próprios à cerimônia da Páscoa, e vai para o Horto das Oliveiras.

       ” E no Horto das Oliveiras, começa então a Paixão dEle. Começa antes a Paixão da Alma e depois a Paixão do Corpo. Na Paixão da Alma Ele prevê absolutamente tudo quanto lhe sucederia e vai aceitando ponto por ponto e vai sofrendo na Alma todos os tormentos espirituais de sua Paixão.

        “Pela Paixão do Corpo, depois, Ele entrega aos seus carrascos e começa a ser torturado até que Ele morre no alto da Cruz.

Até os automóveis não buzinavam 

       “No tempo em que eu era menino, os automóveis na Quinta, Sexta e sábado até o meio-dia – porque ao meio-dia tocava o Aleluia, era a Ressurreição – na Quinta, na Sexta e no sábado até meio-dia, os automóveis não tocavam buzina; isso era possível naquele tempo, porque havia pouco trânsito, automóvel não tocar a buzina; aos trens não apitavam; os sinos não tocavam, não havia rádio naquele tempo mas nas casas particulares quase todo mundo tinha um instrumento, ou era um piano, ou violino, ou alguma coisa assim: não se tocava música, ninguém cantava, não havia festas, nem reuniões sociais.

        “E quando as pessoas iam para a Igreja, depois da Missa na Missa de Quinta-feira Santa iam com trajes ainda festivos, depois da Missa, todo mundo punha trajes pretos e usava trajes pretos na Quinta à tarde, na Sexta o dia inteiro e sábado de manhã, até a Ressurreição.

        ‘Quer dizer, todo mundo se revestia de um luto enorme pela morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os pais proibiam as crianças que rissem alto, proibiam as crianças que fizessem grandes brincadeiras.

        “Começava o jejum, todo mundo jejuava, do jejum antigo que era um jejum rigoroso. Todo mundo ia às igrejas para rezar e para pedir perdão pelos seus pecados. Quer dizer, uma atmosfera de contrição, uma atmosfera de tristeza começava a encher o mundo nesta ocasião.

Como reparar e consolar a Nosso Senhor?

       “O que nós faríamos para consolar Nosso Senhor no momento em que Ele instituiu a Eucaristia? Nós podemos fazer agora preparando-nos para uma boa Comunhão amanhã.

        “O que é que é uma boa Comunhão amanhã? É uma Comunhão em que nós procuremos nos lembrar da bondade dEle instituindo a Eucaristia. Quer dizer, Ele disse: Meu Corpo é verdadeiramente comida, meu Sangue é verdadeiramente bebida, estava instituída a Sagrada Eucaristia. É um ato de suma intimidade com um homem, da maior intimidade que se possa imaginar. Se Ele não tivesse instituído isso não nos passava pela cabeça a possibilidade de uma coisa dessa, de tal maneira é a intimidade que Ele instituiu conosco”.

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1 https://www.pliniocorreadeoliveira.info/DIS_SD_730418_5afeira_Santa.htm#.XLe2QOhKguU

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