BE-Bruxelas, detalhe-da fachada do Grand-Place-Hotel-de-Ville sobre o Portão S. Jorge.

As circunstâncias da morte deste Santo devem ter sido espetaculares, para que os Orientais o tivessem sempre chamado de “o grande Mártir”, e para que sua pessoa se tenha tornado tão depressa legendária. Ele figura entre os 14 Santos Auxiliares, cuja festa comemora-se a 8 de agosto.

As Atas de seu martírio, e mais precisamente a sua Paixão, considerada apócrifa pelo decreto do Papa Gelásio no século VI, não são por si sós provas de sua existência.

Entretanto, não se pode passar por cima de um culto tão antigo e tão espalhado, estando ele presente em todos os calendários cristãos. Já no século IV o imperador Constantino lhe erigia uma igreja; o mesmo ocorreu na Síria. No século seguinte contavam-se ao menos 40 em sua honra no Egito. Mais tarde surgiram igrejas também em Ravena, Roma, Alemanha e Gália. Em toda a França puseram-se sob seu patrocínio cidades e aldeias, e o mesmo se pode dizer da Espanha e Portugal.

Além disso, em 1222, o concílio nacional de Oxford, na Inglaterra, estabeleceu uma festa de preceito em sua honra. E, nos primeiros anos do século XV, o arcebispo de Cantuária ordenou que tal festa fosse celebrada com tanta solenidade quanto a do Natal.

Já antes disso, em 1330, o rei Santo Eduardo III tinha fundado a ordem dos Cavaleiros de São Jorge, conhecidos também pelo nome de Cavaleiros da Jarreteira, que se tornou célebre.

A lenda mais conhecida de São Jorge é com o dragão. Esse animal temível vivia num lago perto de Silena, na Líbia. Exércitos inteiros foram enviados contra ele, mas não conseguiram exterminá-lo. De vez em quando deixava o lago e, vomitando fogo, aniquilava tudo o que encontrava no caminho. Para o apaziguarem, os habitantes da cidade acabaram por lhe levar todos os dias duas ovelhas para as suas refeições. Quando faltavam as ovelhas, era preciso oferecer-lhe raparigas, que eram tiradas à sorte.

Ora, essa desventura caiu um dia sobre a própria filha do rei. Quando isso aconteceu, ocorreu chegar a essa região o valoroso tribuno militar Jorge. Movido de compaixão pela infeliz princesa, fez o Sinal da Cruz, e partiu à cavalo em direção ao dragão. Quando este avançou de boca aberta, atravessou-o com um golpe de lança.

Tornado assim herói, o valente tribuno, que era cristão, fez a seguir a essa gente idólatra um belo sermão, depois do qual o rei e todos os súditos se converteram e pediram o batismo.

Diz ainda a legenda que Jorge, condenado por renegar aos deuses do Império, foi afligido com os maiores tormentos, aos quais resistiu com uma fortaleza inabalável. Diante desse testemunho de fé, a esposa do Imperador e muitos cristãos, amedrontados diante dos possíveis tormentos que os esperavam, encontraram nova força para enfrentar o martírio. O santo, como oficial romano, foi então morto à espada.

O Martiriológio Romano limita-se a dizer desse grande mártir: “O natalício de São Jorge, mártir, cuja gloriosa vitória a Igreja de Deus celebra entre grande número de Mártires”.

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