Gustavo A. Solimeo

O socialismo, de novo na ordem do dia, promove a igualdade radical, viola a liberdade pessoal e a natureza humana.

O socialismo está de novo na ordem do dia. Por isso parece-nos que será de utilidade para nossos leitores o texto sintético elaborado pela TFP Student Action (Ação Estudantil TFP), dos Estados Unidos, cuja tradução damos abaixo.  Esse texto está sendo divulgado pela caravana estudantil da TFP americana em cidades do Sul daquele país.

“10 razões para rejeitar o socialismo:

1. Socialismo e comunismo são a mesma ideologia

O comunismo não é senão uma forma extrema de socialismo. Do ponto de vista ideológico, não há diferença substancial entre os dois. Na verdade, a União Soviética, um país comunista, chamou-se “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” (1922-1991) e igualmente a China comunista, Cuba e Vietnã se definem como nações socialistas.

2. O socialismo viola a liberdade pessoal

O socialismo visa eliminar a “injustiça” pela transferência de direitos e responsabilidades dos indivíduos e das famílias ao Estado. No processo, o socialismo realmente cria injustiças. Ele destrói a verdadeira liberdade: a liberdade de decidir todas as questões que estão dentro da nossa própria competência e de seguir o curso mostrado pela nossa razão, nos limites das leis morais, incluindo os ditames da justiça e da caridade.

3. O socialismo viola a natureza humana

O socialismo é anti-natural. Ele destrói a iniciativa pessoal − fruto do nosso intelecto e livre arbítrio − e o substitui pelo controle do Estado. Ele tende ao totalitarismo, com a repressão do governo e da polícia, onde é aplicado.

4. O socialismo viola a propriedade privada

O socialismo apela à “redistribuição da riqueza”, tirando dos “ricos” para dar aos pobres. Impõe impostos que punem aqueles que foram capazes de tirar o maior partido dos seus talentos produtivos, capacidade de trabalho ou hábitos de poupança. Ele utiliza a tributação para promover o igualitarismo econômico e social, um objetivo que será plenamente alcançado, de acordo com o Manifesto Comunista, com a “abolição da propriedade privada”.

5. O socialismo se opõe ao casamento tradicional

O socialismo não vê nenhuma razão moral para se restringirem as relações sexuais ao casamento, isto é, uma união indissolúvel entre um homem e uma mulher. Além disso, como ficou dito, o socialismo mina a propriedade privada, o que Friedrich Engels − fundador do socialismo e do comunismo modernos, juntamente com Karl Marx − considerava como o fundamento do casamento tradicional.

6. O socialismo se opõe ao direito dos pais na educação

O socialismo quer que o Estado, e não os pais, controle a educação dos filhos. Quase desde o nascimento, as crianças devem ser entregues a instituições públicas, onde lhes será ensinado o que o Estado quer, independentemente dos pontos de vista dos pais. A teoria da evolução deve ser ensinada [em oposição à doutrina da origem dos seres por criação]. A oração deve ser proibida nas escolas.

7. O socialismo promove a igualdade radical

A suposta igualdade absoluta entre os homens é o pressuposto fundamental do socialismo. Por isso, ele vê qualquer desigualdade como injusta em si mesma. Assim, os empregadores privados são retratados como “exploradores”, cujos lucros realmente pertencem a seus empregados. Como conseqüência, rejeitam o sistema assalariado.

8. O socialismo promove o ateísmo

A crença em Deus, que ao contrário de nós é infinito, onipotente e onisciente, choca-se de frente com o princípio da igualdade absoluta. O socialismo, por conseguinte, rejeita o mundo espiritual, alegando que só existe a matéria. Deus, a alma, e a vida futura são apenas ilusões, de acordo com o socialismo.

9. O socialismo promove o relativismo

Para o socialismo, não existem verdades absolutas nem moral revelada, que estabelecem normas de conduta que se aplicam a todos, em todos os lugares e sempre. Tudo evolui, incluindo o certo e o errado, o bem e o mal. Não há lugar para os Dez Mandamentos, nem na esfera privada, nem na praça pública.

10. O socialismo zomba da religião

De acordo com Karl Marx, a religião é o “ópio do povo”. Lênin, o fundador da União Soviética, vai mais longe: “A religião é o ópio do povo. A religião é uma espécie de má aguardente espiritual na qual os escravos do capital afogam a sua imagem humana, a sua procura por uma vida mais ou menos digna do homem.”

Que Deus proteja os Estado Unidos do socialismo.”

Texto original:
10 Reasons to Reject Socialism
By TFP Student Action
Disponível em
http://www.tfpstudentaction.org/politically-incorrect/socialism/reasons-reject-socialism.html

15 COMENTÁRIOS

  1. Esse tal de Plinio Corrêa de Oliveira deve estar se remoendo no seu eterno aposento, depois de usarem seu nome para divulgarem essas asneiras. Nunca presenciei uma ideia tão equivocada a despeito dos princípios esquerdistas. Eu mesmo, me simpatizo com o comunismo, mas não sou socialista. Mas vai explicar pros moderadores desse instituto como isso funciona? Eles vão ficar perdidos. É lamentável o fato desses analfabetos funcionais se enxergarem como formadores de opiniões. A educação e a instrução brasileira, está, como sempre, decadente. Eis mais uma prova. Mas, enfim, viva a liberdade de expressão.

  2. @Thiago Arthur
    Se liga xará, tá correndo em pista errada o socialismo e comunismo DO PONDE DE VISTA IDEOLÓGICO é o mesmo. Um é gripe forte ou outro e pneumonia. No comunismo não existe propriedade privada muito menos coletiva tudo é do Estado, de um pequeno grupo de amigos dos ditadores. Você vive em que mundo vá para a Coría do Norte e vai ver só. O Brasil é socialista e veja como estão as coisas públicas. Certamente você deve ser um daquels socialista caviar, já esteve em hospital público? A mulher é igual ao homem nos países comunistas? Cite-me uma única dirigente máxima de países comunistas, só uma. Igualdade não existe eu sou diferente de você e tenho necessidades diferentes e por isso é injusto me tratar como igual. Nem os dedos de sua mão são iguais. Jesus não pregou a igualdade muito pelo contrário, dai a César o que é de Cesar e dai a Deus o que é de Deus. Não deve haver liberdade para o mal só para o bem.

  3. 1. Socialismo e comunismo são a mesma ideologia

    Errado. O Socialismo e o comunismo são bem diferentes,no socialismo,o Estado detém os meios de produção,no comunismo,não há Estado ou ele é pequeno. Os meios de produção são coletivizados para o bem de todos. Portante,a primeira tese está erradíssima.

    2. O socialismo viola a liberdade pessoal

    Não. Muito ao contrário. foi na URSS na época de Lenin que mulheres ganharam importância na vida profissional e na sociedade. Lenin fez vários texto sobre isso tais como “A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo”, “O Trabalho da mulher na fábrica”,”O Trabalho da Mulher na Agricultura no Regime Capitalista”. Sem contar que foram criminalizados os preconceitos contra gays e negros.

    3. O socialismo viola a natureza humana

    O socialismo só se concilia com a vontade geral. Em Cuba,existem cidadãos que propõem leis e reformulação da Constituição e isso acontece só com a vontade do povo. Assim,o Estado é controlado como uma iniciativa geral,e não apenas privada. Tudo é feito pelo bem estar geral,não só privado.

    4. O socialismo viola a propriedade privada

    A propriedade privada sempre foi,como avaliado por Karl Marx,uma exploração ao proletário. Não há motivo algum para que ela continue. as únicas propriedades que devem ser aceitas são a propriedade cooperativa,a estatal(socializada) e autônoma,onde não há exploração de ninguém.

    5. O socialismo se opõe ao casamento tradicional

    Na Época de Karl Marx tanto como de Friedrich Engels as mulheres eram praticamente vendidas ou escolhidas pelos país dos jovens com quem se relacionar. Karl Marx queria acabar com o casamento burguês para que o homem e a mulher pudessem se relacionar de forma verdadeira e não forçada.

    6. O socialismo se opõe ao direito dos pais na educação

    Argumento falacioso,já que em todas as experiências de países que aconteceu os país puderem criar seus filhos.

    7. O socialismo promove a igualdade radical

    Jesus pregava também a igualdade entre os humanos e por cima de tudo o amor entre eles. Se você é contra a igualdade,é contra Deus e Jesus cristo.

    8. O socialismo promove o ateísmo

    Apesar de historicamente o socialismo pregar o ateísmo,hoje em dia socialistas podem ser cristãos,ateus,agnósticos e entre outras religiões. O Socialismo deixou de ser relacionado com o ateísmo.

    9. O socialismo promove o relativismo

    Ninguém deve ser obrigado a seguir os 10 mandamentos,é liberdade e livre arbítrio de cada um poder ou não acreditar em Deus. Não estamos na Idade Média para obrigar as pessoas a acreditarem em Deus.

    10. O socialismo zomba da religião

    Não. O Socialismo não zomba da religião,grandes pensadores socialistas que fizeram críticas a religião. A critica é algo comum,todos temos que lidar com isso.

  4. A PAZ DE CRISTO !!! NA VERDADE PROF. LACERDA EXISTE UM GRANDE EMBUSTE DO MALIGNO PARA CONFUNDIR OS DOUTOS NO ASSUNTO, COMUNISMO E SOCIALIALISMO BRANCO, MORENO, AMARELO OU VERMELHO NO FUNDO TEM A MESMA BASE IDEOLÓGICA MARXISTA ATEÍSTA! OS PAÍSES QUE O SR. CITOU REALMENTE SÃO BASTANTE EVOLUÍDOS NO QUESITO CONDIÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA E ONDE OS CIDADÃOS SÃO CONTEMPLADOS COM A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO, CASAMENTO HOMOSSEXUAL, EUTANÁSIA, LIBERALIZAÇÃO DO USO DE DROGAS E O MAIS GRAVE A FALTA DE ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS !!! PORTANTO CARO PROFESSOR O MALIGNO SE INFILTRA NA SOCIEDADE ATRAVÉS DE UMA FALSA LIBERDADE E DE UM PSEUDO-PROGRESSO SOCIAL PARA TORNAR OS HOMENS ESCRAVOS DO PECADO !!! @prof.lacerda,phd

  5. No socialismo não há igualdade social, muito menos a famosa “liberdade”. No socialismo o Estado determina quais são os seus direitos.
    Mas parece que o povo insiste em não exergar o óbvio.
    Fica em mim o medo de que nosso país se torne uma Cuba com mais glamour.

  6. As palavras do sr. Lauro Coelho acerca das relações entre socialismo e comunismo são pura dinamite. Subscrevo-as integralmente.

    Só gostaria de ressaltar que há vários tipos de socialismo: o anarquismo (ou socialismo utópico), o socialismo “científico” (ou marxismo, cujo suposto “cientificismo” é um embuste), o nacional-socialismo (vulgo nazismo), o fascismo (não confundir Mussolini, socialista e estatista convicto, com Antonio Sardinho, Franco ou Salazar, embora estes dois últimos tenham sido influenciados pelo “duce”), a social-democracia (em verdade, uma fusão ridícula de liberalismo e comunismo), certos setores da democracia cristã, etc…

    O socialismo exaltado pelo prof. Lacerda é o que costumam qualificar de moderado, ou mitigado, ou mesmo democrático.

    Mas o sr. Lauro Coelho cortou o mal pela raiz, dissipando qualquer sombra de dúvida:

    1 – O socialismo dito moderado, a longo prazo, trabalha pela implantação do comunismo, mesmo que por vezes suponha respeitar o jogo democrático de rotatividade do poder (embora devamos reconhecer homens de valor entre eles, como, por exemplo, o nosso João Mangabeira…);

    2 – Desenvolvimento econômico e material não significa desenvolvimento moral e espiritual; muitas vezes, um passa ao largo do outro.

    É isso aí.

    Nós, católicos, não podemos colaborar nem mesmo com o socialismo (dito moderado)…

  7. Gostaria de lembrar que há sim identidade ideolígica entre comunismo e socialismo< mesmo qualificando-o como "real", o que vale som as metas e também os meios. O socialismo real é apenas uma etapa para o socialismo ideal. E será aplicado na medida em que a corrosão moral o permita. Outro aspecto que quero levantar é que nem sempre o progresso material é indicativo de progresso autêntico, pois é preciso que haja também progresso moral, coisa que nos países socialistas não é o forte.@prof.lacerda,phd

  8. Destartes todas os doutos mini ou mesmo extensos artigos de opinião expressas e publicados no mundo inteiro sobre matéria politica do passado e suas ideologias,onde confunde-se “Comunismo” com “Socialismo”, por conveniencias ideologicas e etc..

    No mundo contemporaneo, observa-se sem obices e a bem da verdade, a notável realidade social dos paises escandinavos e seu alto nível de vida economico e evolução social, que são fatos incontestaveis, onde se aplica o real Socialismo em sua acepção máxima na politica e aceita por seus cidadões livremente, e com eleições livres sem titeres do falido Comunismo do passado .

    No Brasil,nação dita emergente do chamado “terceiro mundo”,segundo nomenclatura do establishement intelectual de louvaveis “cientistas politicos” de universidades do dito “primeiro mundo” e seus seguidores nacionais.

    Observa-se realisticamente pretensa forma de “Democracia”ou tentativa de aplicação e adoção do chamado pseudo “Socialismo moreno”por partido politico detentor do poder temporal e seus proselitos, ditos “movimentos sociais” financiados pelo poder central,além aliados politicos,que são artifices de escandalos de toda ordem, de alto custo economico e financeiro ao povo brasileiro, que paga a mais alta carga tributaria mundial,sempre em destaque na midia, sem mais comentários…

    Vide caso do “mensalão” em julgamento pelo STF em Brasilia na atualidade em fim de governo atual, etc..com seus personagens ja bem conhecidos do cenário politico nacional!

    Com a palavra os doutos articulistas na matéria politica!!!! (sic???)

    Rogando-lhes que humildemente em nome de Deus!

    Que sem arrogancias e acima das paixões politicas e teocracismos da moda e ou do passado, ou pseudo “neo-comunismo” da atualidade com tal PNDH 3 e etc

    Reconsiderem tais análises tendenciosas, em forma e conteúdo antes das mesmas serem publicadas,sob a égide máxima de “liberdade de expressão” (sic) para que não confundam-se os leigos leitores na matéria…

    Por razões óbvias as pessoas medianamente inteligentes, nada mais.

  9. O Socialismo ou Comunismo são a mais perversa, hedionda e cruel forma de perverter as naturais relações sociais e econômicas entre os homens e a mente das pessoas; são criação de homens com graves deformações de personalidade ou de visão do mundo. São mantidos, desde a sua criação, por homens avessos ao trabalho regular, à rotina laboral, à hierarquia natural entre os seres humanos, estabelecida pela própria Natureza; são pessoas, seus criadores e seguidores, capazes de matar toda uma geração, a título de um pretenso bem-estar para as gerações futuras; são homens que nunca criaram valores morais ou empregos , ou produziram bens ou serviços para seus semelhantes; são pessoas frias, que consideram as demais simples “massas” a serem moldadas de acordo com o que pensam e decidiram ser melhor para a humanidade; são deformidades humanas que devem ser combatidas sem tréguas, permanentemente, como devem ser combatidos os vermes, as bactérias, os vírus e todos os vetores de doenças infecto-contagiosas e malignas.

  10. O filósofo americano Russel Kirk foi um grande conservador do século passado, talvez da mesma forma que Edmund Burke o foi para o século XVIII.

    Vejamos o que diz o pai do moderno conservadorismo anglo-americano

    (que, bom conservador e cristão que era, não buscava, com sua filosofia política, fundar uma nova metafísica, mas tão-somente um corpo doutrinal que servisse de esteio às instituições políticas):
    ____________________________________

    Dez Princípios Conservadores (por Russell Kirk)

    Não sendo nem uma religião nem uma ideologia, o conjunto de opiniões designado por conservadorismo, não possui nenhuma “escritura sagrada” e nenhum “O Capital” para fornecer um dogma. Por mais que se possa estabelecer em que os conservadores acreditam, os princípios primordiais do convencimento conservador foram derivados a partir do que escritores renomados e homens públicos conservadores professaram durante os dois séculos passados. Após algumas observações introdutórias neste tema geral, eu listarei dez destes princípios conservadores.

    Talvez seja mais apropriado, na maior parte das vezes, usarmos a palavra “conservador” como um adjetivo. Isto porque não existe nenhum “Modelo Conservador”, e o conservadorismo é a negação da ideologia: é um estado da mente, um tipo de caráter, uma maneira de olhar a ordem social civil.

    A atitude que nós chamamos de “conservadorismo” é mantida por um conjunto de sentimentos ao invés de um sistema de dogmas ideológico. É quase completamente verdadeiro que um conservador pode ser definido como uma pessoa que se pensa como tal. O movimento ou o conjunto de opiniões conservadoras pode acomodar uma diversidade considerável de pontos de vista em muitos temas, não havendo nenhum “Test Act” ou “Thirty-Nine Articles” do credo conservador.

    Em essência, o conservador é simplesmente alguém que considera as coisas permanentes mais agradáveis do que o “Chaos” e a “Old Night”. (Contudo os conservadores sabem, com Burke, que saudáveis “mudanças são os meios de nossa preservação.”) Uma experiência de continuidade histórica das pessoas, diz o conservador, oferece uma guia para a política muito melhor do que os projetos abstratos de filósofos de botequim. Mas naturalmente há mais a motivar o conservador do que esta atitude geral.

    Não é possível redigir um catálogo completo das convicções conservadoras; não obstante, eu ofereço-lhe, resumidamente, dez princípios gerais. Parece seguro dizer que a maioria dos conservadores subscreveria a maior parte destas máximas. Em várias edições de meu livro The Conservative Mind, eu listei determinados cânones do pensamento conservador — a lista difere um tanto de edição em edição; na minha antologia The Portable Conservative Reader eu ofereço variações sobre este tema. Agora eu lhes apresento um sumário das suposições conservadoras que diferem um tanto de meus cânones destes dois livros. Específicamente, a diversidade de maneiras em que as visões conservadoras podem encontrar expressão é por si só uma prova de que o conservadorismo não é nenhuma ideologia fixa. Que princípios particulares os conservadores enfatizam em uma época específica, variarão com as circunstâncias e as necessidades dessa era. Os seguintes dez artigos de crença refletem as ênfases dos conservadores na América de hoje em dia.

    Primeiramente, o conservador acredita que existe uma ordem moral duradoura. Que a ordem está feita para o homem, e o homem é feito para ela: a natureza humana é uma constante, e as verdades morais são permanentes.

    A palavra ordem significa harmonia. Há dois aspectos ou tipos de ordem: a ordem interna da alma, e a ordem exterior da comunidade. Há vinte e cinco séculos, Platão ensinou esta doutrina, mas mesmo os letrados de hoje em dia encontram dificuldades em compreender. O problema da ordem tem sido uma preocupação central dos conservadores desde que o termo conservador passou a fazer parte da política.

    Nosso mundo do século vinte experimentou as conseqüências hediondas do colapso da crença em uma ordem moral. Como as atrocidades e os desastres da Grécia no quinto século antes de Cristo, a ruína de grandes nações em nosso século mostra-nos o poço em que caem as sociedades que se enredam em ardilosos interesses próprios, ou engenhosos controles sociais, como alternativas mais palatáveis a uma antiquada ordem moral.

    Foi dito pelos intelectuais de esquerda (“liberals”) que o conservador acredita, com o coração, que todas as questões sociais são questões da moralidade privada. Compreendida corretamente, esta indicação é bastante verdadeira. Uma sociedade em que os homens e as mulheres são governados pela opinião em uma ordem moral perene, por um sentido forte de certo e errado, por convicções pessoais sobre a justiça e a honra, será uma boa sociedade — não importa a maquinaria política que utilize; quando uma sociedade em que os homens e as mulheres estão moralmente a deriva, ignorantes das normas, e movidos primariamente pela satisfação dos apetites, será uma má sociedade — não importando quantas pessoas votem ou quão liberal seja sua constituição.

    Segundo, o conservador adere ao costume, à convenção, e à continuidade. São os princípios antigos que permitem que as pessoas vivam juntas pacificamente. Os demolidores dos costumes destroem mais do que sabem ou desejam. É através da convenção, palavra tão abusada nos nossos tempos, que conseguimos evitar disputas perpétuas sobre direitos e deveres: as leis, em sua essência, são um conjunto de convenções. Continuidade é o agregado dos meios de se ligar uma geração à outra, e ela importa tanto para a sociedade quanto para o indivíduo. Sem ela, a vida é sem sentido. Quando revolucionários bem sucedidos apagaram velhos costumes, ridicularizaram antigas convenções e quebraram a continuidade das instituições sociais, neste mesmo instante descobriram a necessidade de repô-los por novos, mas este processo é lento e penoso, e a nova ordem social que eventualmente emerge nestas circunstâncias pode ser muito inferior à velha ordem que os radicais superaram em sua ardorosa busca pelo “Paraíso Terreno”.

    Conservadores são campeões dos costumes, convenção e continuidade, porque eles preferem o diabo que conhecem do que áquele que não. Ordem, justiça e liberdade, eles acreditam, são produtos artificiais de uma longa experiência social, o resultado de séculos de tentativas, reflexão e sacrifício. Desta forma, o corpo social é um tipo de corporação espiritual, comparável à Igreja, podendo mesmo ser chamada de comunidade de almas. A sociedade humana não é nenhuma máquina para ser tratada mecanicamente. A continuidade, o sangue da vida de uma sociedade, não pode ser interrompida. O lembrete de Burke sobre a necessidade de mudanças prudentes está nas mentes dos conservadores. Mas a mudança necessária, argumentam os conservadores, deve ser gradual e discriminatória, nunca removendo antigos interesses de uma vez.

    Terceiro, os conservadores acreditam no que pode ser chamado o princípio da prescrição. Conservadores percebem que as pessoas modernas são anãs sobre os ombros de gigantes, capazes de ver mais longe que seus ancestrais apenas por conta da grande estatura daqueles que os precederam no tempo. Portanto, os conservadores freqüentemente enfatizam a importância da prescrição, isto é, das coisas estabelecidas pelo uso desde tempos imemoriais, de modo que a mente humana não busca os seus contrários. Existem direitos cuja principal sanção é sua antigüidade, estando os direitos de propriedade, freqüentemente, aí incluídos. Da mesma forma, nossa moralidade é em grande parte prescritiva. Os conservadores argumentam ser bastante improvável que nós, os modernos, façamos alguma brava descoberta nos campos da moralidade, política ou gosto. É perigoso ter de ponderar cada problema com base no julgamento e na racionalidade pessoal. O indivíduo é tolo, mas a espécie é sábia, nos ensina Burke. Em política fazemos bem em seguir por precedência, preceito e mesmo pré-julgamento, pois a humanidade adquiriu uma sabedoria muito maior do que qualquer racionalidadezinha de um único homem.

    Quarto, os conservadores são guiados por seu princípio da prudência. Burke concorda com Platão que para o estadista, a prudência é a maior dentre as virtudes. Qualquer medida pública deve ser avaliada por suas prováveis conseqüências de longo prazo, e não meramente por alguma vantagem ou popularidade temporárias. Os liberais e os radicais, diz o conservador, são imprudentes: perseguem seus objetivos sem dar muita atenção ao risco de que novos abusos sejam piores do que os males que esperam eliminar. Como John Randolph de Roanoke bem colocou, a providência move-se lentamente, mas o diabo sempre se apressa. Sendo complexa a sociedade humana, os remédios não podem ser simples se devem ser eficazes. O conservador afirma que age somente após suficiente reflexão, pesando as conseqüências. Reformas, assim como as cirurgias, são perigosas quando repentinas e profundas.

    Quinto, os conservadores prestam atenção ao princípio da diversidade. Eles sentem afeição pela intrincada proliferação de instituições sociais e de modos de vida estabelecidos de longa data, a distingüi-las da uniformidade reducionista e do igualitarismo dos sistemas radicais. Para a preservação de uma saudável diversidade em qualquer civilização, nela devem sobrevir ordens e classes, diferenças em condições materiais e diversos modos de desigualdade. As únicas formas verdadeiras de igualdade são aquelas do Julgamento Final e aquelas perante um justo tribunal da lei; todas as demais tentativas de nivelamento irão conduzir, na melhor das hipóteses, à estagnação social. A sociedade requer liderança honesta e capaz; e se as diferenças naturais e institutionais forem destruídas, nesta mesma hora algum tirano ou um desprezível representante de oligarcas criará novas formas de desigualdade.

    Sexto, os conservadores se purificam por seu princípio da imperfeição (“imperfectability”). A natureza humana sofre irremediavelmente de determinadas falhas graves, o sabem os conservadores. Em sendo o homem imperfeito, nenhuma ordem social perfeita pode ser criada. Por conta de seu desassossego, a humanidade se rebelaria sob qualquer dominação utópica, e iria, mais uma vez, eclodir em violento descontentamento — ou então iria exaurir-se em tédio. Perseguir uma utopia é terminar em desastre, diz o conservador: nós não fomos feitos para coisas perfeitas. Tudo que podemos razoavelmente esperar é uma sociedade toleravelmente ordenada, justa, e livre, na qual alguns males, desajustamentos e sofrimentos estarão sempre presentes. Por intermédio de reformas prudentes podemos preservar e melhorar esta ordem tolerável. Mas se as antigas salvaguardas institutionais e morais de uma nação forem negligenciadas, então o impulso anárquico da humanidade será liberado de suas amarras: “a cerimônia da inocência estará perdida.” As ideologias que prometem a perfeição do homem e da sociedade converteram uma grande parte do mundo do século vinte em um inferno terrestre.

    Sétimo, conservadores estão convencidos de que a liberdade e a propriedade são intimamente relacionadas. Separe a propriedade da possessão privada e o Leviatã se transformará no mestre de todos. Por sobre as fundações da propriedade privada são erigidas grandes civilizações. Quanto mais difundida for a posse da propriedade privada, mais estável e produtiva será uma comunidade. Nivelamento econômico, crêem os conservadores, não é sinônimo de progresso econômico. Acumular e gastar não são os principais objetivos da existência humana; mas uma base econômica sadia para o indivíduo, a família e a comunidade deve ser almejada.

    Henry Maine, em sua “Village Communities”, expõe eloqüentemente a causa da propriedade privada em distinção à propriedade comunal: “Ninguém tem a liberdade de atacar as diversas formas de propriedade privada e, ao mesmo tempo, dizer que valoriza a civilização. A história de ambas não pode ser desentrelaçada.” A instituição da propriedade privada tem sido um instrumento poderoso para ensinar responsabilidade a homens e mulheres, para prover motivos para a integridade, para suportar a cultura geral, para levantar a humanidade acima do nível do mero penoso laborar, por permitir o ócio para o pensar e a liberdade para agir. Para poder reter os frutos do trabalho do indivíduo e torná-los permanentes; para poder legar a propriedade de alguém à sua posteridade; para poder erguer-se da condição natural de opressiva pobreza à segurança da realização duradoura; para ter algo que realmente pertença a si mesmo — estas são vantagens difíceis de negar. O conservador reconhece que a posse da propriedade impõe certos deveres ao proprietário e aceita estas obrigações morais e legais alegremente.

    Oitavo, conservadores suportam ações comunitárias voluntárias, tanto quanto se opõem ao coletivismo involuntário. Embora os americanos têm sido fortemente atrelados à privacidade e aos direitos privados, também são um povo notável pelo espírito bem sucedido de comunidade. Em uma comunidade genuína, as decisões que afetam mais diretamente à vida dos cidadãos são feitas localmente e voluntáriamente. Algumas destas funções são realizadas por instituições políticas locais, outras por associações privadas: desde que permaneçam locais e sejam acordadas por aqueles afetados, elas constituirão uma comunidade saudável. Mas quando estas funções passam, “naturalmente” ou por usurpação, à autoridade central, a comunidade estará em sério perigo. O que quer que seja benéfico e prudente na democracia moderna é feito a partir da vontade cooperativa. Se, então, em nome de uma Democracia abstrata, as funções da comunidade são transferidas a uma direção política distante — por que o governo real exercido pelo consentimento dos governados dá vez a um processo uniformizante que é hostil à liberdade e à dignidade humana.

    Pois nenhuma nação é mais forte do que as pequenas e numerosas comunidades de que é composta. Uma administração central, ou um conjunto de seletos administradores e servidores civis, embora bem intencionados, não podem conceder justiça, prosperidade e tranquilidade a uma massa de homens e mulheres desprovidos de suas antigas responsabilidades. Essa experiência foi feita antes; e foi desastrosa. É o exercício de nossos deveres na comunidade que nos ensina a prudência, a eficiência e a caridade.

    Nono, o conservador percebe a necessidade de prudentes restrições ao poder e às paixões humanas. Politicamente falando, o poder é a habilidade de realizar a vontade de um não obstante a vontade dos demais. Um estado onde um indivíduo ou pequeno grupo seja capaz de dominar a vontade de seus concidadãos sem qualquer supervisão, será despótico, seja denominado monárquico, aristocrático ou democrático. Quando cada pessoa reivindica ser um poder para si mesmo, então a sociedade cai em anarquia. A anarquia nunca dura por muito tempo, sendo intolerável para todos, e contrário ao inelutável fato de que algumas pessoas são mais fortes e mais inteligentes do que seus vizinhos. À anarquia sucede a tirania ou a oligarquia, em que o poder é monopolizado por uns poucos.

    O conservador esforça-se para de tal forma limitar e balancear o poder político que a anarquia ou a tirania não possam surgir. Em cada era, não obstante, homens e mulheres são tentados a superar as limitações sobre o poder, por conta de alguma vantagem provisória almejada. É característico do radical pensar o poder como uma força para o bem — tão logo o poder caia em suas mãos. Em nome da liberdade, os revolucionários franceses e russos aboliram as antigas restriçõess ao poder; mas o poder não pode ser abolido; encontra sempre seu caminho para as mãos de alguém. Esse poder que os revolucionários tinham pensado ser opressivo nas mãos do antigo regime transformou-se, muitas vezes, tão tirânico quanto o anterior nas mãos dos novos mestres radicais do estado.

    Sabendo ser a natureza humana uma mistura de bem e de mal, o conservador não deposita sua confiança na mera benevolência. Limitações constitutionais, verificações e contrapesos políticos, o cumprimento adequado das leis, a antiga e intricada teia das restrições por sobre a vontade e os apetites — isto é o que o conservador aprova como instrumentos da liberdade e da ordem. Um governo justo mantém uma tensão saudável entre as reivindicações da autoridade e as reivindicações da liberdade.

    Décimo, o pensador conservador compreende que essas permanências e mudanças devam ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade vigorosa. O conservador não é oposto à melhoria social, embora duvide que haja algo como uma força geradora de algum Progresso místico, com “P” maiúsculo, operando no mundo. Quando uma sociedade está progredindo em alguns aspectos, geralmente está declinando em outros. O conservador sabe que toda sociedade saudável é influenciada por duas forças, que Samuel Taylor Coleridge chamou de sua Permanência e sua Progressão. A Permanência de uma sociedade é formada por aqueles interesses e convicções perenes que nos dão a estabilidade e a continuidade; sem essa Permanência, as origens profundas da sociedade são desfeitas, que cai em anarquia. A Progressão em uma sociedade é esse espírito e esse conjunto de talentos que nos incitam à reforma e à melhoria prudentes; sem essa Progressão, um povo irá estagnar.

    Conseqüentemente o conservador inteligente esforça-se para reconciliar as demandas da Permanência e as da Progressão. Pensa que o liberal e o radical, cégos às justas reivindicações da Permanência, poriam em perigo a herança nos legada, em um esforço para apressar-nos em algum duvidoso Paraíso Terrestre. O conservador, resumidamente, favorece o progresso racionalizado e moderado; é oposto ao culto do progresso, cujos adeptos acreditam que tudo que é novo é necessariamente superior a tudo que é velho.

    A mudança é essencial ao corpo social, raciocina o conservador, apenas porque é essencial ao corpo humano. Um corpo que cessasse de se renovar começaria a morrer. Mas se esse corpo deve ser vigoroso, a mudança deve ocorrer de forma regular, harmonizando-se com a forma e a natureza desse corpo; se não a mudança produz um crescimento monstruoso, um câncer, que devora seu anfitrião. O conservador crê que nada em uma sociedade deva ser sempre completamente antigo, e que nada deva ser sempre completamente novo. Estes são os meios de conservação de uma nação, pois que são os meios da conservação de um organismo vivo. Apenas o quanto de mudança uma sociedade requer, e que sorte de mudança, depende das circunstâncias de uma era e de cada nação.

    Tais são então os dez princípios que têm aparecido freqüentemente ao longo destes dois séculos do pensamento conservador moderno. Outros princípios de igual importância poderiam ter sido discutidos aqui: a compreensão conservadora da justiça, ou a visão conservadora da educação. Mas tais assuntos, com o tempo a se esgotar, eu devo deixar a sua própria investigação.

    O grande divisor de águas na política moderna, Eric Voegelin costumava apontar, não é a divisão entre liberais de um lado e totalitários do outro. Não, em um lado dessa linha estão todos aqueles homens e mulheres que acreditam que a ordem temporal é a única ordem, e que as necessidades materiais são suas únicas necessidades, e que podem fazer o que quiserem com o patrimônio humano. No outro lado dessa linha estão todos aqueles povos que reconhecem uma ordem moral perene no universo, em uma natureza humana constante, e em elevados deveres para a ordem espiritual e a ordem temporal.

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