Teria Vladimir Putin ordenado a explosão do voo Metrojet 9268 em 31 de outubro último, matando a totalidade dos 224 dos passageiros e tripulantes que voltavam para casa em São Petersburgo, após férias no Mar Vermelho?

A interrogação parece de filme de ficção de terror. Mas segundo o major Boris Karpichkov, ex-espião da KGB (hoje rebatizada de FSB), não é tão fictícia, e bem pode ser a explicação do até agora insuficientemente explicado atentado.

O major foi treinado na mesma amoralidade de métodos que Vladimir Putin e disse ter todo um dossiê provando a acusação. O caso foi ventilado amplamente pelo jornal britânico “The Daily Mail”.

Karpichkov vive hoje exilado em local secreto da Inglaterra junto a sua mulher. Ele usa uma identidade fictícia, pois tem sobradas razões para temer pela sua vida, alvo de seus ex-chefes do serviço secreto hoje no governo russo.

Os fanáticos do Exército Islâmico reivindicaram o crime e até publicaram uma foto do artefato explosivo que teria sido utilizado. Porém, a análise da foto da primitiva bomba e dos efeitos constatados nos restos do avião levantaram muitas interrogações.

O criminoso método que teria sido aplicado com o voo Metrojet 9268, já foi usado por Putin para justificar a guerra contra a Chechênia.

Karpichkov mantém firme sua denúncia: o Kremlin e não o Estado Islâmico fez explodir deliberadamente o avião.

Ele afirma que Putin autorizou cinicamente o crime para obter simpatias no mundo ocidental num momento em que a Rússia estava isolada por causa da invasão da Criméia e da agressão à Ucrânia.

O major Karpichkov defende que suas informações provêm de um general da GRU, órgão da inteligência militar russa.

Esse general teria ouvido a preocupação de Putin com as ‘perdas de influência política’ no Oriente Médio e o temor de que os grupos rebeldes apoiados pelo Ocidente depusessem o presidente al-Assad, tradicional aliado russo.

A GRU teria proposto um maquiavélico plano, não tão estranho aos métodos da velha KGB, que um dos autores teria definido como “matar dois coelhos com uma só cajadada”.

O primeiro dos “coelhos” visava obter “uma aprovação internacional pelo menos silenciosa” para a entrada maciça das forças armadas russas em apoio a Assad sob a aparência de campanha contra o Estado Islâmico (EI). Este seria acusado de derrubar um avião civil russo cheio de passageiros.

O segundo “coelho” consistiria em dopar a venda de armas russas no Oriente Médio.

Os documentos do plano estão reunidos num dossiê e o ex-espião da KGB teria um fac-símile. Segundo ele, “para atingir todos esses objetivos e conseguir a aquiescência do Ocidente, o Kremlin precisava desesperadamente de uma justificativa que atraísse a atenção mundial, a simpatia internacional e a aprovação para sua intervenção militar”.

O major Karpichkov graduou-se na academia da KGB em Minsk, tendo-lhe sido ensinado como matar sem conspurcar as mãos e como realizar “tarefas sujas” sem deixar indícios ou provas.

O ex-major da KGB Boris Karpichkov diz ter um dossiê com provas enviado desde a Rússia.

Serviu durante várias décadas na KGB, onde conheceu segredos de alto nível do Kremlin. Quando caiu o império soviético, ele ingressou na contra-inteligência da Lituânia, sem deixar de manter o contato com seus chefes russos.

Por fim, foi preso por um caso de dinheiro, tendo então sido denunciado pela KGB por fraudes massivas, parte do modus operandi normal do Kremlin para desacreditar possíveis inimigos.

Foi assim que ele fugiu para a Grã-Bretanha, mantendo suas amizades nos círculos da inteligência russa.

Seus informantes russos lhe contaram o que os ‘gênios’ do GRU montaram um plano para Putin: explodir um avião de linha russo, pôr a culpa nos extremistas islâmicos para “desencadear um enorme ódio internacional contra o EI e gerar uma onda de simpatia mundial que permitiria intervir militarmente, sem limites”.

Segundo o ex-espião, a operação foi aprovada e um especialista em “serviços sujos” foi enviado a Sharm el-Sheikh, local frequentado por milhares de turistas russos.

O agente convidou uma jovem “namorada” para um romance de férias pago por ele. Quando ela voltou para São Petersburgo, o agente lhe entregou um ‘presente’ para seus pais, pouco antes de ela embarcar no voo condenado.

O presente, segundo o major Karpichkov, era uma bomba com detonador EHV-7 produzido exclusivamente para os membros das forças especiais. O explosivo teria sido ciclonite, um substituto do TNT enormemente poderoso.

Segundo os técnicos que analisaram os restos do avião, a bomba explodiu na altura da poltrona 30A ou 31A.

Na folha de passageiros consta que na 30A viajava Nadezhda Bashakova, 77, de Volkhov, região de São Petersburgo, tendo a seu lado sua filha Margarita Simanova, 43, na 30B.

Na poltrona 31A viajava Maria Ivleva, 15, também da região de São Petersburgo, sentada ao lado de sua mãe Marina Ivleva, 44, na 31B. Para o major da KGB, a portadora enganada da bomba devia ter mais idade.

Os serviços de inteligência militares teriam concebido o maquiavélico plano que Putin adotou.

Putin já foi acusado de utilizar métodos assassinos contra seu próprio povo visando obter apoio popular para suas iniciativas bélicas.

Em 1999, ele foi acusado de ordenar uma série de atentados a bomba contra blocos de apartamentos em Moscou, Buynaksk e Volgodonsk, que mataram 307 civis e feriram mais de 1.700, incluindo mulheres e crianças.

O crime coletivo serviu de pretexto para Putin lançar uma devastadora ofensiva punitiva sobre a Chechênia, que segundo ele teria praticado o atentado.

Enquanto Putin procedia ao massacre da Chechênia, a polícia russa prendeu três agentes do Kremlin que teriam jogado as bombas. Os acusados foram liberados após apresentarem documentos de identificação como oficiais da FSB.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito foi estudar o caso no ano 2000, mas o governo de Putin se negou a cooperar. Depois, dois membros dessa CPI apareceram assassinados e um dos advogados foi encarcerado.

No relatório final, a CPI atribuiu o crime coletivo a separatistas chechenos, como queria o chefe do Kremlin.

Porém, Alexander Litvinenko, outro ex-agente da KGB, posteriormente assassinado na Inglaterra por agentes russos, denunciou que as explosões nos apartamentos obedeceram a instruções do Kremlin, que queria angariar o apoio da opinião pública para a guerra na Chechênia.

Litvinenko foi envenenado no Millennium Hotel de Londres com Polônio 210, que é mortalmente radioativo.

No caso atual, Moscou reagiu com veementes ataques pessoais contra o major Karpichkov no melhor estilo da KGB.

Para o Mail online o caso é intrigante, mas há numerosos indícios que pedem uma investigação aprofundada da denúncia.

 

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