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Interior da igreja onde repousam as relíquias de São Frei Galvão, Convento da Luz, na capital paulista

Roma — Na manhã de domingo, 25 de outubro de 1998, peregrinos brasileiros, bem como turistas do mundo inteiro, que estiveram diante da monumental Basílica de São Pedro, em Roma, puderam observar grandes quadros cobertos, colocados em sua imponente fachada. Continham eles as pinturas dos quatro novos bem-aventurados: o “nosso” Frei Galvão, o pároco italiano Zefirino Agostini, o presbítero espanhol Faustino Miguez e a religiosa francesa Theodore Guérin.

Após a leitura de alguns traços biográficos deles, S.S. João Paulo II pronunciou a fórmula de beatificação e anunciou as datas para celebração de suas respectivas festas: 25 de outubro será para o fundador do Mosteiro da Luz, em São Paulo. Momento de grande emoção: concluída a proclamação da fórmula de beatificação, descerraram-se os quadros dos novos Beatos e os aplausos estrugiram. Ao mesmo tempo, um mar de bandeiras verde-amarelas eram agitadas como manifestação de agradecimento e regozijo dos peregrinos brasileiros pelo fato de ter sido, pela primeira vez, um conacional elevado às honras dos altares. Fizeram-no “com o afeto e com o calor que lhes [nos] são próprios”, segundo registrou um articulista do “L’Osservatore Romano” (edição italiana de 26/27-10-98).

Entre os fiéis provenientes do Brasil, figurava a vivaz e alegre Daniela Cristina da Silva (12 anos), miraculada há oito anos por intercessão de Frei Galvão, curada de uma hepatite fulminante e que lhe teria sido letal, quando tinha apenas quatro anos de existência (cfr. Catolicismo – Setembro de 1998, entrevista com irmã Célia Cadorin, que colaborou no processo de beatificação de Frei Galvão).

Após a cerimônia de beatificação e a recitação do Angelus, S.S. João Paulo II saudou os fiéis presentes na Praça de São Pedro, tendo depois se retirado, concluiu, assim, este intenso programa matutino de festividades. Permaneceram, porém, expostos os quadros dos novos Beatos.

“Ter sempre em mãos a própria alma”

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Pintura a óleo de Frei Galvão (1946) – Anádia Quissak Figueiredo, Museu Frei Galvão, Guaratinguetá

Quantos brasileiros não se regozijaram ao ver que o quadro do recém beatificado – daquele a quem tantas vezes recorreram, ajoelhando-se junto à sua campa, na Igreja do Convento da Luz, na capital paulista – então se achava presente em meio à glória e ao júbilo, no Centro da Cristandade, na Praça de São Pedro!

Essas recordações nos trazem à memória um comentário feito pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira na “Folha de S. Paulo” (21-7-74), sobre a “atmosfera de um aroma espiritual subtil e envolvente” daquele referido Convento da Luz, bem como da igreja onde se encontram os veneráveis despojos desse infatigável Bandeirante de Cristo:

“No chão, uma lápide de mármore assinala dormir ali seu repouso final Frei Antonio de Sant’Ana Galvão. …. Como elogio póstumo, só estas palavras simples e supremas:Aninam suam in manibus suis semper tenens’ …. Ter sempre em mãos a própria alma para a governar continuamente! …. Que elogio! Quanto isto vale mais do que dirigir um avião superpotente, um país inteiro, ou até um banco (uso aqui a escala de valores característica de certa mentalidade supermoderna). A memória de Frei Galvão resiste à poeira destes 150 anos. Continuamente por ali passam pessoas de todas as idades e classes sociais, pedindo graças de toda ordem. E são atendidas. Daqui a 150 anos, quem freqüentará as sepulturas dos homens superpotentes, para quem sobem hoje tantos aplausos e tantas petições… nem sempre atendidas?”

 

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