A Europa em perigo

Nos últimos meses a crise financeira dos países europeus vem ocupando o noticiário num alarmismo crescente. Nas últimas semanas, ele tem sido dramático.

Em 25 de novembro último, Jacques Attali lançou à queima-roupa no diário on line “20 minutes”: Há uma chance sobre duas de que neste Natal não exista mais o euro”. E apresenta como solução um plano em três níveis: dotar o Banco Central Europeu do poder de recomprar as obrigações de Estado, submeter os países membros da União ao controle orçamentário por parte de outro país e por fim reformar os tratados de maneira a dotar a Europa do poder de ter receitas fiscais (portanto, de cobrar impostos) e de fazer empréstimos em ações europeias (eurobonds). Segundo Attali tais medidas têm de ser lançadas simultaneamente, até 9 de Dezembro próximo.

Ora, o fracasso do euro representaria o desfazimento da Europa. E os líderes nacionais empenharam-se tanto nesse sentido que é difícil imaginar que reconheçam o próprio fracasso. Por isso tudo parece caminhar no sentido de cada país-membro renunciar à própria soberania em favor da União Europeia. O anúncio de um novo plano de salvação da dupla teuto-francesa Merkel-Sarkozy deveria ir nessa linha. Em 2-12, efetivamente, Angela Merkel foi ao Bundestag – o parlamento alemão – para insistir na necessidade de uma união orçamentária por cima da união monetária.

De qualquer modo, os fatos decorrem na lógica das recentes intervenções europeias na Grécia e na Itália: o primeiro-ministro Papandreu foi substituído por Papademos, ex-vice-presidente do Banco Central Europeu e ex-diretor do Banco Central da Grécia, enquanto Berlusconi deu lugar a Mario Monti por imposição do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional. O Vaticano aprovou. O povo, porém, não foi consultado.

Um comentarista francês, Guy Milière, chamou esse projeto de “absolutista”. Estaríamos às voltas com uma espécie de totalitarismo light. O poder sairia dos Estados nacionais para as mãos de uma nomenklatura tecnocrática sediada em Bruxelas. O resultado econômico-financeiro seria igualmente desastroso, pois esse projeto não leva em conta a baixíssima taxa de natalidade na maioria dos países europeus e o consequente envelhecimento acelerado da população – fator de inevitável repercussão negativa na economia.

Os Estados europeus devem preparar-se, portanto, para uma “soberania compartilhada”. Comentaristas pressionam com a denúncia de que realmente os países europeus são tão diferentes uns dos outros, que é impossível fazer a União funcionar atendendo às peculiaridades de cada um.

O bom senso diria que neste caso seria melhor não ter feito a União Europeia. Mas os europeístas defendem o contrário: é preciso reforçar ainda mais o poder central, à despensa dos poderes locais.

 

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