A capital da República Tcheca é uma jóia arquitetônica, em que florescem admiráveis estilos característicos da civilização cristã

Existe uma arquitetura religiosa e uma arquitetura profana. Ao fazer tal afirmação, não estou querendo imitar o Conselheiro Acácio, mas apenas colocar o fundamento de algumas considerações que importa aqui desenvolver, a propósito das belezas feéricas da cidade de Praga, capital da atual República Tcheca.

A arquitetura religiosa foi esplendidamente desenvolvida na Europa da Idade Média, a partir do românico, desabrochando depois nessa maravilha inigualável da civilização cristã que são as catedrais góticas. Posteriormente o barroco, também ele digno, produziu monumentos religiosos de grande beleza artística, próprios a servir de moldura para a elevação do culto e a piedade dos fiéis nas igrejas e nas capelas, nos mosteiros e nos conventos.

Está fora do nosso panorama a chamada “arte moderna”, na verdade uma degenerescência da arte.

* * *

E a arquitetura profana? Por definição, é aquela não especificamente religiosa. É a arquitetura dos castelos e dos palácios dos nobres, das mansões dos burgueses, das casas modestas mas dignas do povo em geral.

Aqui tocamos no ponto capital destas considerações. A arquitetura profana, embora não sendo especificamente religiosa, não deve ser a-religiosa, e menos ainda anti-religiosa.

Vamos por partes.

Túmulo de São Venceslau

É claro que uma casa de família não deve assemelhar-se a uma igreja nem a um convento. Mas, como o homem é chamado a dar glória a Deus onde quer que esteja e em qualquer circunstância de sua vida, a casa que ele constrói para viver com os seus não deve visar apenas abrigá-lo das intempéries e proporcionar-lhe um justo bem estar, mas deve também ajudá-lo a elevar a alma até Deus. Como se obtém isso? Pela proporção e beleza do prédio, pelo bom gosto das cores, pela elevação das linhas arquitetônicas, pelos mil imponderáveis enfim que um edifício comunica a quem o contempla.

Nesse sentido, um castelo, um palácio, uma mansão, mesmo a simples residência de um camponês ou de um operário, cada qual no seu nível próprio, deve ajudar o espírito humano a elevar-se por meio da admiração e da contemplação. Dado que o homem é um ser composto de espírito e matéria, a casa não deve ter em vista apenas o corpo, mas deve satisfazer também os nobres anseios da alma.

* * *

“…as vitrines com encantadores cristais brancos e coloridos da Boêmia…”

Estas eram algumas das considerações que fazíamos, um amigo e eu, numa tarde em que voltávamos de Praga, enquanto lamentávamos não poder permanecer por mais tempo na cidade.

A arquitetura de Praga, felizmente restaurada após os anos de pesadelo comunista, é um convite permanente à admiração e à contemplação. Não estou falando, evidentemente, dos prédios modernos nem da influência protestante a que a cidade foi submetida, muito menos de certas tendências ao ocultismo que encontraram ponderável guarida naquelas regiões.

Pontes centenárias sobre o rio Vltava

O que nasceu da civilização católica, isto sim, é uma maravilha! Edifícios de grande beleza, de estilos muito diferentes (românicos, góticos, renascentistas, barrocos), todos misturados, sem ordem definida, formam um conjunto arquitetural verdadeiramente feérico, distribuído por ruelas e pequenas praças que mantêm toda a organicidade de um traçado medieval.

A portentosa catedral gótica, onde se encontra o túmulo do imperador Carlos IV do Sacro Império, que em Praga estabeleceu sua capital; o enorme castelo, visível de toda a cidade; as “cem cúpulas” das igrejas; numa área diversa da arquitetura, as vitrines com encantadores cristais brancos e coloridos da Boêmia; as numerosas e antigas pontes sobre o sinuoso rio Vltava, especialmente a artística ponte Carlos, do século XIV; tudo isso atrai, encanta, eleva.

Menino Jesus de Praga

E pairando sobre a cidade, as bênçãos do Menino Jesus de Praga, que se venera na igreja dos carmelitas descalços, junto a um altar onde reina Nossa Senhora Aparecida.

 
COMPARTILHAR
Artigo anteriorManipulando a morte
Próximo artigoPlinio Corrêa de Oliveira e a França
Gregorio Vivanco Lopes
Advogado, formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Autor dos livros "Pastoral da Terra e MST incendeiam o Brasil" e, em colaboração, "A Pretexto do Combate Á Globalização Renasce a Luta de Classes".

2 COMENTÁRIOS

  1. Yo tambien estuve en Praga y puedo confirmar las bellezas de que habla este articulo. Me gustó mucho que el articulista relacione aquellas bellezas con la civilización cristiana. Cosa que pocos hacen.

     

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor deixe seu comentário!
Por favor insira seu nome