Leo Daniele

Na infeliz Venezuela a mídia não pode divulgar notícias desagradáveis ao governo chavista

No mundo das nuvens, nada mais “inocente” do que a expressão “conselho popular”. É pelo menos o que insinua o texto do PNDH-3 (Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos), onde esta palavra pode ser encontrada em grande profusão.

E emerge de nosso subconsciente, talvez, a imagem tão brasileira de uma vovó, sentada com sua netinha no colo, e sussurrando-lhe bondosas palavras de conselho.

Dificilmente nos virá à mente que o poder comunista na Rússia começou exatamente com conselhos populares, chamados sovietes, os quais, antes de tomar o poder, formaram uma instância alternativa, uma espécie de governo paralelo, até que os tempos ficaram maduros para esse poder paralelo derrubar o “outro”, tornando-se o único, e ditatorial, governo da nação russa.

Essa introdução vem a propósito da lei fiscalizadora da imprensa já elaborada no Ceará, e em pauta nos Estados governados pelo PT, Alagoas, Piauí e Bahia, nos quais se pretende constituir conselhos populares para atuar no controle dos órgãos de comunicação.

Evidentemente, com os recentes êxitos eleitorais do PT, essa tendência vai se ampliar, sendo com certeza alegada a “necessidade de democratização da mídia”.

O passo seguinte vai ser a necessidade de coordenação nacional, surgindo então um Conselho Brasileiro de Comunicação (que chamarão talvez de Cobraco), diverso do Conselho de Comunicação, previsto na Constituição e já existente. Sob o tacão desse órgão por enquanto imaginário, a mídia estará sob controle do governo, como o está na infeliz Venezuela de Chávez.

Veremos então a contradição de ser cerceado o direito humano à informação, em nome de hipotéticos “direitos humanos” tais como os expõe o Programa Nacional de Direitos Humanos, que poderia ser chamado Programa Nacional de Cerceamento dos Direitos Humanos. O poder público disporá então de um dispositivo que bem poderia ser chamado de “direito” à mentira, por parte da esquerda encastoada no Governo.

Mas o conselho para controle da mídia não será o único potencial soviete. Segundo o PNDH-3, haverá um serviço especializado na criação e administração de inúmeros conselhos populares das mais variadas formas e conteúdos, inclusive – pasme-se! – um “para a diversidade religiosa e espaços de debate e convivência ecumênica para fomentar o diálogo entre estudiosos e praticantes de diferentes religiões” (PNDH-3). É o Estado intrometendo-se claramente no campo religioso. Seria ridículo se não fosse um desatino tremendo e potencialmente persecutório.

Admitindo-se a semelhança de tais conselhos com os “sovietes” comunistas, teremos chegado, de fato, se não oficialmente, à condição de República soviética do Brasil. Pois a palavra “soviética” vem de “soviete”, e os sovietes − quem não vê isso − são o modelo dos conselhos como o PNDH-3 indica.

Quem viver, verá.

 

5 COMENTÁRIOS

  1. não dá pra deixar isso acontecer aqui não! esse decreto da PQP 7037/2009 tem que ser banido, cuspido, queimado, exorcisado. e qto aos conselhos já aprovados em certos estados, oposição neles, Constituição federal neles- como é que fica a liberdade de expressão ou de imprensa, salvo o anonimato ??????????????????????????????????????????????????????????????????

     
  2. AS AMOSTRAS DESSES SOVIETES PETRALIAS JÁ SE FAZEM SENTIR EM SUAS ATITUDES COMO: AGRESSÃO AO SERRA NO RIO, INVASÕES DE TERRAS PELOS ANARQUISTAS E TERRORISTAS DO MST – QUE NA VERDADE SÃO AS FORÇAS PARALELAS DESSE DESGOVERNO PETRALISTA.

     
  3. Quando o Lula respondeu ao Papa que o Brasil é democrático e laico e seria livre de votar em quem quisesse, confesso que fiquei preocupado. DEMOCRÁTICO, LAICO E LIVRE cheira ANARQUIA socialista. Gostaria que outras pessoas pudessem tecer suas teses sobre esta resposta.

    DEMOCRÁTICO com nova conotação politica, acrescido do LAICO – analfabeto, ignorante, incluindo aqui os analfabetos funcionais colocados nos cabides de empregos; e LIVRE, tão soltos que se tornam uma ameaça publica, desrespeitosos como já demonstraram em todos os niveis hierarquicos, do maior ao menor, do presidente ao operário que estremesse ao vê-lo em seu mesmo plano superficial.

     
  4. Veja bem, é preciso diferenciar as coisas:

    A censura, tomada em si mesma, é instrumento indispensável nos países civilizados (ou, ao menos, deveria ser).

    Serve unicamente à conservação dos costumes e da moral da sociedade, sem o quê não há continuidade de tradições e a democracia se torna inviável.

    O problema dessa gente é outro: sabemos que o esquema globalista não quer conservar tradição nenhuma, muito pelo contrário. O que eles querem, isto sim, é censurar aquilo que jamais poderia ser censurado: informação.

    Como trabalhar no processo de consolidação da democracia, no qual o poder cabe à opinião pública, se é vedado o acesso à informação? Como ter opinião confiável se falta informação confiável?

    Com efeito, o velho e surrado conceito de soberania popular, em verdade um sofisma dos liberais franceses, já há muito foi suplantado pela idéia autêntica de soberania nacional, onde o povo, jamais visto como infalível, exerce parte da soberania através do voto. Carlos Lacerda dizia que “só o povo tem o direito de errar”, frase que encerra grande verdade. Mas o erro é da essência da democracia, que é um regime, não uma ideologia.

    Agora, elemento insubstituível para um bom exercício da cidadania é, sem dúvida, a informação. Ora, qualquer um sabe disso. E, a meu ver, em conformidade com a doutrina social da Igreja, que elaborou a verdadeira doutrina democrática, o perfeito equilíbrio entre Autoridade e Liberdade.

    Se você falar a um liberal e a um católico que, para haver verdadeira democracia, a proibição expressa da prostituição e da circulação de qualquer material pornográfico é medida imprescindível, qual dos dois ficará escandalizado e o chamará de “autoritário” e “inimigo dos direitos humanos”?

    Liberais e comunistas, os dois inimigos capitais da Civilização Cristã e do Brasil!

    Que o diga o sr. Roberto Civita e sua revista de sacanagem Playboy, que ninguém quer censurar e jogar na lata do lixo.

     
  5. Um exemplo de atuação e existência de soviets no Brasil, foi aqui em São Paulo, quando elementos do PT foram à gráfica onde estavam sendo impressos folhetos contra os candidatos abortistas encomendados pelo bispo de Guarulhos sequestrando, sem nenhum mandatodo, os folhetos.

     

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