Desastrosa limitação da natalidade

Os filhos são uma bênção para os pais

Deus criou o mundo de acordo com leis sapienciais admiráveis. Ordenar todas as coisas segundo essas leis acarreta não apenas um equilíbrio perfeito em toda criação como atrai o beneplácito divino e sua misericórdia. Pelo contrário, transgredir sistematicamente essas leis leva à irracionalidade e ao desastre.

É o que está ocorrendo com o controle da natalidade. Pelo desejo de bem-estar e gozo da vida — ou outros eventuais — afronta-se a finalidade primária do matrimônio que é a procriação e a educação da prole. Para satisfazer esse desejo intemperante e desordenado multiplicam-se os meios de limitação dos nascimentos: pílulas, drogas, mecanismos e mais não se sabe o quê, condenados na Encíclica Humanae Vitae de Paulo VI. As consequências já se vão fazendo sentir e se anunciam trágicas.

Os filhos sempre foram considerados uma bênção para os pais. Hoje em dia, com o neopaganismo vigente, passaram a ser um estorvo.

Vejamos o caso do Brasil, em que a diminuição da natalidade tem sido enorme. Ela se opera em vista de se poder viver com maior riqueza e bonança. Pois bem, é isso mesmo que está ameaçado. A transgressão do mandamento divino “multiplicai-vos e enchei toda a Terra” (Gen. 1,28) traz em seu bojo o próprio castigo.

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“Pela primeira vez na história, estima-se que as mulheres no Brasil terão, em média, um número de filhos menor que o considerado necessário para repor a população […] A rápida mudança populacional expõe o risco de o Brasil ‘envelhecer antes de enriquecer’ […]. Com o aumento da população aposentada ou idosa, elevam-se os custos privados e públicos da assistência e reduz-se um fator de produção, o trabalho” (“Folha de S. Paulo”, 20-11-11, editorial).

Note-se que o comentário acima só leva em conta o aspecto material. Pois bem, é por aí que vem a catástrofe. No mesmo sentido:

O Brasil virará um país asilo de velhos?

“Dados do Censo 2010 divulgados na última semana revelam que a fecundidade no Brasil caiu para 1,86 filho por mulher. Chama a atenção, em primeiro lugar, a grande velocidade com que o índice despencou. Meio século atrás, em 1960, ele era de 6,2 […].

“Ocorre também o que os especialistas chamam de janela demográfica, na qual a proporção de trabalhadores na ativa é mais alta, produzindo o enriquecimento da sociedade […]. O problema é que essa janela não dura para sempre. Ela se fecha à medida que a coorte de idosos que já não trabalham vai ganhando preponderância. Os desafios aí são tentar manter a viabilidade dos sistemas de previdência e de saúde, bem como a riqueza material da sociedade.

“Decisões antipáticas, como alterar (e para pior) o regime da aposentadoria, precisam ser tomadas. No limite, é preciso pensar em abrir o país à imigração, outra medida impopular. Os obstáculos são tantos que a tendência é empurrar a encrenca para nossos filhos e netos” (Hélio Schwartsman, “Folha de S. Paulo”, 20-11-11).

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Outra consequência, nada desprezível: os que vão envelhecendo já não têm mais lugar na família. Aquelas estirpes de outrora, com numerosos filhos, cuidavam amorosamente de seus pais e avós. Hoje, estes vivem no amargo isolamento de um apartamento, quando não são relegados a depósitos de velhos, chamados Casas de Repouso, onde muitos vegetam até morrer (ou até serem “eutanasiados”), na amargura e na decepção de uma vida em que, pelo fato de colocarem o gozo e o prazer acima da lei de Deus, perderam não só a Deus, mas também a felicidade.

Aliás, sobre tais asilos de velhos, o antigo Rei do Marrocos, Hassan I — um muçulmano, portanto — disse, mais ou menos com estas palavras, a seguinte verdade, esquecida hoje pelos católicos: “No dia em que eu souber que em algum lugar do Marrocos foi colocada a primeira pedra para a construção de um asilo de velhos, posso dizer que a nossa nação acabou”.

Queira Deus que os que incorreram numa limitação da natalidade contrária à sabedoria e aos mandamentos divinos pelo menos reconheçam seu pecado e se reconciliem com o Criador. Mas como fenômeno social o desastre está feito e só nos resta pedir a Nossa Senhora que desencadeie os acontecimentos regeneradores previstos por Ela em Fátima.

 

6 COMENTÁRIOS

  1. Eu e meu marido,sem saber a verdade,só tivemos duas crianças.Familiares e amigos sempre nos instigando a parar por aí,paramos, e hoje já me arrependi.Filhos são a alegria de qualquer lar, duas pessoas não formam uma família, formam um casal (entendam:homem e mulher) Meus filhos não me pertencem, pertencem a DEUS, quem os me deu.A cultura e a mídia hoje fazem nossas cabeças para pensar em nem sequer ter filhos,ser uma árvore sem frutos.Se soubesse tudo que sei hoje, sobre meu DEUS e sobre a doutrina católica, se me lembrasse que DEUS está conosco para todo sempre, nunca teria feito esterilização.

     
  2. Muito difícil ouvirmos falar com essa clareza sobre esse assunto, o qual a igreja é tão perseguida por conta de pregar sobre o controle de natalidade e uso de métodos contraceptivos.
    Sou casada, vai fazer 21 anos, tenho 7 filhos e sou a experiência viva que é possível, ter mais que dois filhos e ser feliz e educá-los com dignidade, o mundo criou essa cultura de ter no máximo dois filhos e quem está contra essa cultura é ultrapassado e etc., perdemos a liberdade de escolha e cegamente todos seguem esta cultura.
    Não podemos esquecer que os filhos são de Deus primeiramente, e quando eles vem através de um casamento abençoado por Ele, não tem do que nos preocuparmos, Ele é o Pai, quando nos colocamos em suas mãos Ele simplesmente cumpre.
    Que a paz do Senhor esteja com todos, vamos mudar esta cultura de morte, e celebrar a vida, que cada filho de Deus que nasce é uma festa em nossas casas e com certeza no céu.

     
  3. @Anna
    Prezada Anna
    A Igreja ensina que havendo necessidade (e não por diletantismo) o casal pode evitar o nascimento de novos filhos abstendo-se do ato conjugal nas épocas de fertilidade e coabitando apenas nas épocas de não-fertilidade. É o que se chama método natural. Os métodos artificiais são ilícitos, ensinam Pio XII e Paulo VI (na Humanae Vita)

     
  4. Mas viver uma vida conjugal sem nunca utilizar nenhuma espécie de método contraceptivo é um tanto irreal…
    Mesmo naquelas famílias de antigamente, com mais de 10 filhos, chegava uma hora em que os pais ou a mãe começava a evitar uma nova gestação, senão ela não faria mais nada na vida.
    Sem falar que chega uma hora que o corpo começa a sucumbir, e não falo no sentido estético.
    É isso mesmo que prega a igreja católica? Parir a vida inteira indefinidamente?

     
  5. Esse controle de natalidade os cristãos engoliram direitinho, pois a maioria deles não ler nem
    a bíblia nem o catecismo da ICAR, na minha família todos as mulheres aderiram a estes metódos e ficam me criticando pois apesar de todos os ricos que corri na gravidez tive três
    filhos, realmente filhos dão trabalho e isto hoje os casais não querem ter, o meu esposo por ele não teríamos filhos, no máximo só 1, as pessoas hoje casam para terem relações sexuais e para juntarem a renda para ficarem ricos e os filhos são um estorvo, ai eles adotam um
    cachorro, só que diante de Deus no altar quando casamos juramos ter os filhos que Deus mandar, vamos pagar caro por este falso juramento, quanto a mim meus filhos são lindos e educados e se Deus quiser mandar mais vou adorar, eu casei para ser mãe e fazer filhos para Deus, a ideia que eu tenho de casamento é a mesma que Deus desejou que o casamento fosse e na minha miséria tento agradá-lo mesmo que seja criticada eu não ligo,
    todos esses metódos inventados eu não aceito nenhum.

     
  6. Quem vive da previdência do estado vive da confiança dos políticos. O resultado? Não respondo porque seria querer fazer enxergar um cego ou ouvir a um surdo. Mas, quem vive da Providência Divina esse terá o que necessita para ganhar que mais importa em toda nossa vida: a visão de Deus face a face.

     

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