Cardeal Inácio Kung Pin-Mei, arcebispo de Shangai resistiu heroicamente ao comunismo
Cardeal Inácio Kung Pin-Mei, arcebispo de Xangai resistiu heroicamente ao comunismo

O Pe. Raymond J. de Souza publicou no jornal canadense “The National Post” uma visão de conjunto sobre o vazio criado pela perseguição comunista na diocese de Xangai.

A situação se põe assim: Dom José Fan Zhong-Liang SJ, último bispo legítimo de Xangai, morreu há pouco em prisão domiciliar, aos 97 anos de idade, após passar mais de 50 anos num campo de concentração (laogai em chinês). O governo proibiu que ele fosse enterrado segundo o ritual próprio a um bispo.

Dom José viveu como morreu: na paz de Deus, numa recusa absoluta de qualquer forma de submissão à chefatura comunista de Pequim, e em estrita fidelidade ao Papa.

Com esta heroica passagem à eternidade, a diocese de Xangai – talvez a mais importante da China – completa 60 anos sem bispo em funções.

Essa tragédia teve início em 1955, quando o regime maoísta, temendo a livre prática do catolicismo – temida em geral por todos os tiranos de ontem e de hoje – prendeu o então bispo da cidade, D. Inácio Kung Pin-Mei, e por volta de 200 sacerdotes e líderes católicos.

Alguns meses depois, D. Inácio Kung foi levado ao estádio da cidade para um julgamento-show. Com as mãos amarradas às costas, ele foi empurrado até um microfone e constrangido a “confessar seus crimes ao povo”.

“Viva Cristo rei! Viva o Papa!” bradou ele, para espanto de seus carrascos.

Imediatamente foi levado embora e mantido preso durante mais de cinco anos, até chegar um novo julgamento.

Em 1960, o regime comunista já tinha montado uma “Associação Católica Patriótica”, a qual mantém boas relações com associações do exterior, entre elas a CNBB brasileira.

Os asseclas desse grupo usufruem de algumas liberdades para praticar o culto, após adotarem o socialismo, romperem com o Papa e reconhecerem o governo comunista e anticristão como único chefe da Igreja na China. Obviamente, isso equivale a um cisma.

Foi essa espúria associação que julgou D. Inácio Kung. “Eu sou um bispo católico romano” – respondeu D. Kung a seus carrascos, usando desta vez com vestimentas eclesiásticas.

“Se eu repudio o Santo Padre, não somente deixaria de ser bispo, mas sequer seria católico. Os senhores podem cortar minha cabeça, mas eu nunca porei de lado meus deveres”, respondeu o heroico prelado diante dos vendilhões.

D. Tomás Ma Daqin agora em prisão domiciliar
D. Tomás Ma Daqin agora em prisão domiciliar

O preço humano foi alto: D. Kung “desapareceu” por mais 25 anos.

Acabou sendo sentenciado à prisão perpétua e nem mesmo seus familiares podiam visitá-lo ou escrever-lhe cartas.

Em 1979, foi feito Cardeal in pectore – que significa “no coração”. Desta maneira seu nome ficava secreto, sendo-lhe poupadas cruéis represálias, que incluíam a morte, como no caso de São João Fisher da China.

Porém, em 1988 D. Kung foi liberado, exilando-se nos EUA sob o pretexto de doença. Ele viveu e morreu em Connecticut no ano 2000, com 97 anos de idade.

A “Associação Patriótica” tinha outros planos. Ela fez sagrar sacrilegamente Aloísio Jin Luxian como bispo do regime em Xangai.

A Santa Sé nunca reconheceu a legitimidade da eleição e designou como bispo legítimo D. Fan, sucedendo a D. Kung.

D. Fan foi sagrado clandestinamente em 1985. Ele já tinha passado 30 anos nos campos de concentração.

Todo seu ministério episcopal em Xangai transcorreu em prisão domiciliar, inclusive quando D. Kung havia sido posto fora do país.

Em 2013 faleceu Jin, o bispo progressista e filocomunista. Mas em 7 de julho de 2012 havia sido sagrado um sucessor para esse mau bispo.

Tratava-se de D. Tomás Ma Daqin. Fruto de um “compromisso” da Santa Sé com a “Associação Patriótica”, D. Tomás seria o sucessor dos dois, já muito idosos.

Porém, durante a própria cerimônia de sua sagração, D. Ma anunciou que ele não mais faria parte da associação criada pelo governo comunista.

Não dia seguinte ele foi preso e até hoje permanece em “prisão domiciliar”.

O compromisso da política vaticana com o comunismo não tinha adiantado de nada.

Com a morte do bispo-fantoche Jin e do digno e legítimo bispo D. Fan, a grande diocese ficou sem pastor, cumprindo-se em 2015 o 60º aniversário da decapitação da vida católica em Xangai.

Comunistas e eclesiásticos vaticanos modernizados podem tentar tudo.

Mas o Espírito Santo é infinitamente mais forte do que todos eles, e fala mais fundo nas almas. E o povo de Xangai percebe entusiasmado de que lado está Deus.

 

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