Diplomacia de Obama: analogia Saigon–Havana?

O governo dos EUA acaba de reabrir sua embaixada em Havana. À primeira vista, não haveria base para estabelecer uma analogia entre a saída humilhante da embaixada desse país de Saigon, em 1973 – deixando o Vietnã à mercê do comunismo –, e o recente restabelecimento da embaixada em Havana, celebrada por muitos como grande sucesso.

Na verdade, a trágica derrota diplomática Nixon-Kissinger no Vietnã contrastaria totalmente com a alegada vitória da diplomacia de Obama-Kerry em Cuba, que alguns parecem vislumbrar em Havana, 42 anos após os acontecimentos de Saigon.

Vamos por partes.

Em Saigon, nós sabemos quem ganhou.

A questão-chave é saber quem venceu em Havana: – o governo dos EUA, o povo cubano ou o tirano?

Um brilhante artigo ilustrado com fatos do embaixador James Cason, chefe da Seção de Interesses dos EUA em Havana no período 2002-2005 afirma que o grande favorecido com a reabertura da embaixada dos EUA em Cuba é o regime cubano (cf. “Mais turistas não vão mudar Cuba“, Miami Herald, 12 de agosto de 2015).

Os partidários da diplomacia com Cuba, talvez para aliviar suas consciências, talvez para anestesiar as saudáveis indignações, argumentam que o governo de Obama obteve importantes concessões do regime cubano e que o turismo e os negócios, incentivados pela luz verde da retomada das relações, ajudarão a promover a liberdade em Cuba.

No entanto, o embaixador Cason responde que na realidade, infelizmente o governo dos EUA fez várias concessões à Havana sem conseguir nada de substancial em troca; que ao longo dos seus 38 anos servindo a diplomacia americana nunca conheceu um caso em que os turistas oferecessem qualquer apoio aos povos que lutavam pela liberdade; que as empresas que agora têm negócios em Cuba não fizeram nenhum tipo de pressão para as reformas; e que, em geral, as empresas americanas que costumam ter negócios com governos totalitários acabam se tornando apologistas desses regimes.

Recente vídeo mostrando o ditador Raul Castro com olhar de ave de rapina e esfregando ostensivamente as mãos ilustra o que sente o regime castrista no fim desta reaproximação diplomática com o governo americano. Não é em vão que o ditador Raul Castro esfrega as mãos.

As aparências de vitória da dupla Obama-Kerry em relação a Cuba comunista – aproximação que conta inclusive com o enigmático incentivo do pontífice Francisco – encobre, na realidade, uma derrota enorme para a causa da liberdade. E é nessa derrota que poderosos interesses tentam se camuflar com aparências de vitória, que se encontra a analogia com Saigon (1973) – Havana (2015). Ontem foi uma tragédia para o povo vietnamita. Hoje, quem pagará o pato será o povo cubano.

Os amantes da liberdade nas Américas e na Europa terão a difícil tarefa de reverter esta situação de injustiça. Para esta  grande tarefa seria excelente se os cubanos desterrados em Miami escolhessem personalidades exiladas da envergadura do ex-preso político Armando Valladares e de outros expatriados para que pudessem viajar pelo mundo inteiro defendendo o povo cubano escravizado.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Da para entender porque em geral, as empresas americanas que costumam ter negócios com governos totalitários acabam se tornando apologistas desses regimes, embora, nesses
    regimes exista restrições as liberdades individuais, na parte mais importante, no ambiente institucional, existe condições favoráveis ao desenvolvimento econômico, ou seja, existe
    facilidades para a expansão dos negócios! É isto que as empresas buscam, é esta sua atividade
    fim, não cabe a elas mudar a estrutura política de um país, principalmente se houver um risco desta mudança causar um efeito “bumerangue”, se voltar contra ela, com aumento de custos e de impostos!

     

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