Aguinaldo de Souza Ramos

As telenovelas tem um grande papel destruidor das famílias e da religiosidade popular. Qual a mentalidade que produz os argumentos nas telenovelas? Por que certa faixa do público aceita argumentos que rompem com sua formação moral e religiosa?

O Estado brasileiro assegura especial proteção à família, base da sociedade, nos termos do Art. 226 da Constituição. Recentemente, entretanto, este mesmo Estado facilitou a dissolução do casamento civil através de Emenda Constitucional Nº 66, retirando certas condições que dificultavam o divórcio imediato.

Desde a promulgação da Constituição em 1988 havia a limitação para a concessão do divórcio, devendo haver a separação judicial por mais de um ano, ou de fato por mais de dois anos. Retirando estas condições o divórcio passou a ser imediato. Onde está a proteção do Estado à família se ele facilita a sua dissolução?

Divórcios têm aumento de 149% no Estado de São Paulo após as novas regras,[1] noticia o Portal UOL. Esta nova realidade impõe que sejam feitas algumas observações. Por que a unidade familiar se desfaz tão facilmente, sobretudo em certos segmentos da sociedade onde o prazer é valor supremo? Existe um processo que atua nas tendências.

A influência das telenovelas onde a sensualidade impõe que a união do casal vise apenas o prazer, é muito grande. Nestas telenovelas, a separação é prestigiada e as famílias que se mantém estáveis são constituídas de pessoas maçantes, grosseiras e sem beleza. Implicitamente, fica afirmado que quem se separa é mais jovial, mais belo, mais dinâmico e dotado de qualidades de grandes empresários. Eventualmente inserem um sacerdote católico na trama, sendo uma pessoa boazinha, bobinha e sem visão.

As telenovelas tem um grande papel destruidor das famílias e da religiosidade popular. Qual a mentalidade que produz os argumentos nas telenovelas? Por que certa faixa do público aceita argumentos que rompem com sua formação moral e religiosa? (As estatísticas indicam que a faixa de pessoas que se declara católica está bem acima de 70%.)

Entretanto, seria superficial considerar esta crise identificando apenas este processo. Interessante seria considerarmos como chegamos a esta etapa. Recorro à obra “Revolução e Contra Revolução” do Prof. Plínio Correa de Oliveira que elucida esta dificuldade. As muitas crises que acometem o homem contemporâneo tem como causas os problemas de alma mais profundos, de onde se estendem para todos os aspectos de sua personalidade e de sua atividade.[2]

Estas várias crises devem ser vistas como uma única crise que se desenvolve por etapas de certas tendências desregradas. Em cada etapa, essas tendências têm um aspecto próprio. Elas não se conformam com toda uma ordem de coisas que lhes são contrárias, começam por modificar as mentalidades, os modos de ser, as expressões artísticas e os costumes, sem desde logo tocar de modo direto nas idéias. Avança, entretanto para o campo ideológico. Essa transformação das idéias estende-se, por sua vez, ao terreno dos fatos, onde passa a operar a transformação das instituições, das leis e dos costumes, tanto na esfera religiosa quanto na sociedade temporal. É uma terceira crise, já toda ela na ordem dos fatos.[3] Em linhas gerais e rápidas, assim se descreveria o processo.

[1] http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/814939-divorcios-tem-aumento-de-149-no-estado-de-sao-paulo-apos-novas-regras.shtml
[2] PLINIO CORREA DE OLIVEIRA. Revolucao e Contra Revolução, 1998. Pg 19.
[3] PLINIO CORREA DE OLIVEIRA. Revolucao e Contra Revolução, 1998. Pg 37

 

4 COMENTÁRIOS

  1. Gustavo Corção, em texto lapidar, mencionou a sua repugnância pelo divórcio “à luz da razão natural antes mesmo da iluminação da fé”.

    (Chesterton dizia que, de todos os dogmas cristãos, o mais passível de demonstração era o do pecado original. Grande colocação.)

    O saudoso médico e professor universitário gaúcho Carlos de Britto Velho, uma das mais brilhantes e honradas figuras que já passaram pelo Congresso Nacional, sustentava energicamente que “a indissolubilidade do matrimônio era o mais poderoso instrumento de educação moral e espiritual de que dispunham os homens”, sem o quê a durabilidade das sociedades tornar-se-ia uma ilusão.

    Os mais altos espíritos da humanidade, mesmo antes de Cristo, não cansaram de praguejar contra o divórcio como fator de decadência social, por atentar contra a integridade do primeiro grupo natural do homem: a família, cujos delineamentos devem permanecer como que inalcançáveis, e não sob o arbítrio das paixões humanas.

    A famosa “busca da felicidade”, tão propalada pela modernidade, nada mais é que o direito ao egoísmo.

     
  2. Concordo totalmente com os comentários anteriores (Aline Gomes e Teodoro Alves).
    Sem Cruz não há Ressurreição. Felicidade, aqui neste mundo, não é ausência de sofrimento e sim presença de superação com a graça divina. Graça + ausência de sofrimento = Céu, e não Terra.
    O relativismo, o individualismo, a inversão de valores e o imediatismo estão entre as maiores pragas desde o infeliz Lutero, passando pela ateísta revolução francesa e, enfim, chegando aos nossos dias.
    As novelas, que há muito não perco tempo em ver, só propagam o que não presta: divórcio, adultério, homossexualismo etc. etc.
    Na publicidade & propaganda, com raras exceções, há até departamentos especializados em mensagens subliminares – ou às vezes nem tão subliminares assim – para fomentar o divórcio, já que comprovadamente as pessoas são muito mais consumistas quando não têm uma família reunida em torno de si.
    O divórcio é contra a vontade e o plano divinos (Mt 19, 1-6).
    Para certos casos extremos (ex.: violência) o Código de Direito Canônico prevê a medida cautelar de separação de corpos (repito: medida CAUTELAR de separação de corpos e NÃO separação pura ou divórcio).
    Há ainda casos de nulidade eclesiástica (houve aparente matrimônio, mas não de verdade, não válido), como por exemplo se um dos nubentes se casou sob grave ameaça, sem livre consentimento. Na nulidade eclesiástica também não há divórcio, pois na verdade nunca existiu matrimônio (a união, em si, foi ilícita, assunto tratado também em Mt 19).
    Divórcio para validamente casados no religioso é sempre proibido pela Igreja, pois é assim que JESUS mandou, conforme a dita citação.
    Sobre as estatísticas, ao contrário dos esperados cerca de 50% para cada lado, 70% (70%!!!!!) das iniciativas são femininas. Ora, é inaceitável o maniqueísmo de pôr a culpa sempre só no homem, pois se algo vai mal, geralmente o responsável é o casal, que não dialoga, não reza e não demonstra afeto o suficiente. Essa estatística sugere ser fruto do famigerado feminismo, esta chaga já denunciada pelo saudoso e querido Papa João Paulo II, a mesma chaga intensamente propagandista do aborto. Além disso, as mulheres são as mais influenciáveis pelas novelas. Ser influenciável pode ser bom ou ruim, mas só é bom quando, obviamente, é para aceitar uma mudança positiva. Na mudança, seja a ruim ou também a boa, as mulheres são normalmente mais abertas que os homens.
    Se for para algo mau – como tantas coisas atualmente – o melhor e correto evidentemente é não ser um(a) “vai-com-as-outras”.
    Orgulho-me da minha esposa, minha mulher 100% Católica Apostólica Romana, que me conquistou já antes que namorássemos, quando declarou aceitar, nos seus princípios, somente o Sagrado Matrimônio uno e indissolúvel, pois se JESUS CRISTO ordenou assim, quem seria ela para pensar diferente??
    Quem somos nós?? Quem como DEUS???
    São Rafael, São Miguel e São Gabriel, defendei o Amor e a unidade das nossas famílias!

     
  3. O conteudo apresentdo nesses programas – se que é que se pode chamar de conteudo – passa a mensagem de que se é livre para ser feliz, se o seu casamento nao está bem é só separar ou arrumar outra pessoa e tudo fica bem, simples assim. Ensina as pessoas a terem medo de sofrer é logico que o convivio em familia não é um mar de rosas, é dos conflitos que as familias se fortalecem.

    Esses programas desecorajam as pessoas de lutarem, preferem buscar uma saida mais “facil”. Enfrento esse problema em casa e posso dizer que quem absorve essas ideias fecha os olhos para o correto, e ainda tem a ousadia de procurar argumentos na Biblia, dizendo que Deus quer todos felizes e coisas do tipo.

    Deus nos quer felizes, disso eu tenho certeza, mas para isso é preciso que cada membro da familia assuma sua cruz, seja qual peso for.

     
  4. De tanto verem novelas e aceitarem implicitamente seu conteúdo eu acho que as pessoas começam realmente a achar que aquilo que elas vêem de errado nas personagens na verdade não é tão errado assim.

     

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