Estado comunista chinês tenta comprar terras no Brasil

Atilio Faoro

O líder chinês Hu Jintao, que é também secretário-geral do comitê central do Partido Comunista da China, foi recebido no Brasil com sua comitiva pelo presidente Lula, em abril de 2010.

O“s chineses compraram a África e estão tentando comprar o Brasil”. Esta declaração, do ex-ministro Delfim Neto, repercutiu de Norte a Sul do Brasil.

A frase foi lançada dentro de uma entrevista concedida a um jornal paulistano (OESP, 1-8-2010). Delfim Neto denunciou a “miopia do governo brasileiro” em “permitir que um Estado soberano compre terras, minérios, recursos naturais em outro Estado soberano contra uma ameaça de nossa soberania territorial por parte do Estado comunista chinês. Essas empresas chinesas são o próprio Estado chinês”.

Como se sabe, a China tem um déficit clamoroso de recursos naturais e sobretudo de terras férteis. A solução? Comprar terras onde elas existam: na Africa e no Brasil.

Neocolonialismo chinês na África

Em ambientes ligados à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) fala-se de “corrida às terras férteis”. Seu diretor-geral, Jacques Diouf, a descreveu como “uma forma de neocolonialismo”. Comentando a corrida mundial às terras férteis, Chris Mayer, editor de “Capital & Crisis” declarou no “DailyWealth” (4-10-2009) que “a terra é um investimento tão seguro ou ainda mais seguro do que o ouro”.

Numerosos são os exemplos do neocolonialismo chinês na África. Em 1995, o comércio bilateral entre a China e a Africa estava estimado em 3 bilhões de dólares. Eles alcançaram 40 bilhões de dólares em 2005, valor que pode ser duplicado no fim de 2010.

A China teria obtido, na República Democrática do Congo (RDC), uma concessão de 2,8 milhões de hectares para implantar o maior palmeiral do mundo. No quadro de amplos acordos assinados em visita do presidente Hu Jintao aos Camarões em 2007, os chineses passaram a ser os únicos estrangeiros que podem se permanecer no país 18 meses sem contrato de trabalho. Ademais, observadores bem informados comentam que o governo deste país africano teria se comprometido a receber em seu território 700.000 chineses, o que significa 4% da população dos Camarões, a um ritmo de 50.000 por ano.

Alguns contratos, celebrados em alto nível, são assinados discretamente, por trás de portas fechadas, muitas vezes com a cumplicidade dos chefes costumeiros. O relator especial sobre o Direito à Alimentação da ONU, Olivier De Schutter, lamentou que os líderes africanos assinem acordos sobre a questão sem consultar os respectivos parlamentos.

No Brasil

Empresas chinesas – entenda-se o Estado chinês – têm procurado oportunidades de investimento no agronegócio brasileiro. Em abril de 2010, a China National Agricultural Development Group Corporation revelou a intenção de comprar terras para produzir soja e milho. Nos primeiros contatos, negociadores da empresa indicaram interesse em terras do Centro-Oeste, especialmente de Goiás.

Na mesma época, representantes do Chongqing Grain Group anunciaram a disposição de aplicar US$ 300 milhões na compra de 100 mil hectares no oeste da Bahia, para produzir soja para os mercados brasileiro e chinês. Funcionários da empresa participaram da comitiva do presidente Hu Jintao, que também é secretário-geral do comitê central do Partido Comunista, e que visitou o Brasil em abril de 2010.

Um mês depois, o Grupo Pallas International, formado por investidores privados, mas também com participação estatal, divulgou planos de comprar entre 200 mil e 250 mil hectares no oeste da Bahia e possivelmente no conjunto de áreas de cerrado do Maranhão, do Piauí e do Tocantins, conhecido por Mapito.

Os negócios mudam de sentido quando o investimento é subordinado a razões estratégicas de um Estado estrangeiro. No caso de recursos naturais, e de terras para a agropecuária, avaliar corretamente essa estratégia é uma questão de segurança.

Negócios desse tipo envolvem o controle de grandes áreas por grupos subordinados à estratégia de uma potência estrangeira comunista. Poderão agir segundo interesses comerciais, como outros investidores, mas poderão seguir uma lógica de Estado, com ambições territoriais sobre o Brasil.

 

8 COMENTÁRIOS

  1. A dúvida que surge é a seguinte: Qualquer pessoa pode adquirir imóveis indiscriminadamente no Brasil e pedir seu registro?
    quais fundamentos legais para esse pergunta, qualquer pode me alciliar??
    Obrigado

     
  2. Vindo de Lula, qualquer coisa se pode esperar. E mesmo um sacripanta, adora aparecer, mas da forma errada, talvez como tenha sido criado, e continuamente acalentado no seu super ego!
    E lamentavel q este seja o presidente do nosso pais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ate quando ????????????? Eata e uma pergunta q nao deve calar jamais.

     
  3. Delfim Neto tem razão. Que um estrangeiro compre terras, possivelmente limitadas a uma determinada dimensão parece-me não ter qualquer problema. O Governo pode sempre, a qualquer momento, resolver os problemas que se levantem.
    Agora ser um Estado soberano a comprar? Muda totalmente de aspecto. Poderá o governo brasileiro, por motivo de necessidade, emendar a mão e expropriar as propriedades? poder legalmente, pode. Mas terá força para o fazer? Se chineses tiverem no Brasil um milhão de hectares, qual é o problema? Eles não cumprem com a legislação brasileira e poderá ser compelidos a isso ou a ficar sem as propriedades. Mas se o milhão de hectares for do Estado chinês? Terá o Governo brasileiro força para atuar da mesma maneira. Poderá ou não e sendo assim para que vamos comprar problemas?

     
  4. Percebo que por detras das cortinas, já se pensou em rifar o Brasil, depois ficamos reclamando de privatizações, é como nos roubarem um anel arrancando nos um dedo, e nós ficamos reclamando da perda do anel e nem damos atenção para o dedo perdido…..como se diz é o rato engolindo o gato…..

     
  5. Que tal séria Denuncia do ex ministro e professor Delfin Neto, sirva de alerta aos proselitos e intelectuoides de ultrapassada mentalidade comunistoide e ditos donos do poder temporal atual em nossa nação;indubitavelmente abençoada pelo Eterno em sua pujança de terras e recursos naturais.

    Um tema de alta importancia estrategica geopolitica a nação brasileira, tanto quanto a cobiça de naçoes do norte pelos recursos naturasi e extensões territoriais e aquiferos da Amazonia brasileira.

    E que devara ser analisada e votada no ambito do Congresso Nacional legislação especifica em adenco a CF atual dando poderes ao estado brasileiro em rechaçar legalmente e militarmente em caso extremo tentaivas sutis e ou por força militar de intervenão como adotada por nação lider mundial na atualidade e durante toda sua historia.

    Prevenindo assim em breve tais ameças alias ja denunciadas ha deacads pro chefes militares, porem em contrasenso enquanto isto as forças armadas ,que são as guardiães do territorio nacional constitucionalmente estão sendo sucateadas sem verbas nem sequer para as refeiçoes de recrutas como ja denunciado por fontes militares serias etc..

    O que ve se é um panorama estranho e de dificil compreensão, em contrasenso, com a Embraer fabricando “jatos militares” em parceria estranjeira, com com compras pelo governo central e maquiada de velho porta avião convencional de nação europeia recentemente na contramão da História. (sic??)

    Afinal onde esta a visão a longo prazo de tal realidade em termos globais e pela qual seremso responsaveis diante de egrações futuras de nossa mação.

    Afinal questiono como cidadão brasileiro pagador de impostos e seriamente em bom senso:

    Esta sera a herança maldita que daremos a nossos netos e vindouros descendentes como povo e nação??

    Com a palavra os doutos na matéria!!!!! E estrategistas de gabinetes de questionavel competencia etc…

    Figuras álias ja bem conhecidos e sempre presentes vaidosamente na midia nacional!!!

    Esta é a pergunta que não quer calar!!!Ate quando iremos suportar tal situação!!!!

     
  6. Onde estão os que nos anos da “Guerra Fria” empunhavam a bandeira do “Yankee go home”? Não é sinal de “imperialismo” a conquista de posições econômicas, como afirmam os esquerdistas? Começo a duvidar da sinceridade dos esquerdistas e por que não do patriotismo?

     

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