Jogos de vídeo iniciam na “arte do morticínio”

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Bloodborne ensina que matar sadicamente é uma diversão.
Bloodborne ensina que matar sadicamente é uma diversão.

Quatro letras de sangue pingam do monitor e dizem “mort” [morte em francês], no jogo macabroBloodborne, descreveu Le Monde de Paris.

Os personagens virtuais têm forma de espectros e seu ambiente próprio são os cemitérios. Para o jornal parisiense, Bloodborne consagra a nova tendência nos videojogos voltados para a morte.

Bloodborne foi precedido porAlmas da Escuridão (Dark Souls) e Almas de Demônio(Demon’s Souls), embebidos de fantasias macabras ou satanistas que incitam o jogador a morrer centenas de vezes.

Bloodborne encaminha para o satanismo.
Bloodborne encaminha para o satanismo.

A morte já não é causa de luto ou tristeza, mas de diversão, diz Mathieu Triclot, autor do livro Filosofia do videojogo.

As montagens visuais devem ser as mais semelhantes com a realidade e as mais sanguinárias possíveis.

O jogador perde o medo dos piores crimes e as empresas criadoras desses entretenimentos estimulam a matar para tirar lucro.

A lição para o jovem jogador é clara: assassinar sadicamente é uma opção de jogo, o homicídio nada tem de injusto ou arbitrário: é uma estratégia para se divertir e fazer novas experiências, por mais cruéis que elas sejam.

Em 1996, o jogo Diablo II introduziu o conceito de “permadeath”, ou morte permanente. Essa perversa ideia está hoje generalizada.

Por vezes, a morte é inevitável para o próprio personagem que encarna o jogador de carne e osso.

Quem poderá então se espantar com os assassinatos mais fantasiosos, porém especialmente hediondos, praticados por jovens que perderam o horror ao crime de Caim?

 

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