Lutemos; Deus nos dará a vitória!

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Batalha de Lepanto, pintura de Andries van Eertvelt

Imaginemos dois contendores disputando uma partida de xadrez cujo resultado signifique a vitória de um grande exército sobre outro não menos qualificado. Um representa as hostes angélicas e os homens bons, fiéis a Jesus Cristo. O outro dispõe de riquezas, honras, posição social, influência política, bem visto até em certos meios religiosos.

Neste quadro, o bom contendor encontra-se em franca desvantagem na partida, pois já perdeu peças importantes, e as que lhe restam quase não têm espaço para se moverem. Seu adversário, que conta com informações privilegiadas, apresenta-se seguro, além de possuir numerosa claque que ora o aplaude, ora vaia o seu adversário…

A realidade num campo de batalha entre dois comandantes não seria diferente. O exército que pugna pela civilização cristã encontra-se sitiado e o inimigo move contra ele intensa guerra psicológica. Sua situação é dramática. Qual deveria ser a estratégia do enxadrista ou do general que quisesse reverter a situação e vencer o inimigo tão poderoso como desleal?

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Jesus Cristo, nas páginas do Evangelho, diz: “Qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se senta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?” (Lc 14,31). Nosso Senhor alerta os homens, dando-lhes os meios necessários não apenas no tocante à prudência, mas também à coragem para bem armar o seu o exército.

O general tem assim desfraldada a bandeira de Jesus Cristo, símbolo de todo o bem, de toda a verdade e de todo o belo; tem seus dogmas, sua doutrina, suas leis, seus costumes e seus sacramentos; tem o corajoso exemplo dos santos e das santas que pelejaram neste Vale de Lágrimas contra o demônio, o mundo e a carne.

Nosso Senhor nos alerta para a importância da clarividência e da perspicácia na luta: “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.” (Lc 14, 28 a 30).

A missão do general é de salvar um grande reino, e para isso ele luta pela ortodoxia e pela moralidade rechaçando o adversário desse reino. É no exemplo desse hipotético general que o povo fiel desenvolve sua infatigável luta contra o aborto, o casamento homossexual, a eutanásia, a degradação dos costumes e a prostituição oficializada.

Em Fátima, Nossa Senhora apontou a arma indispensável e decisiva para essa guerra: a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Rezando a Nossa Senhora e vigiando, não cairemos em tentação, pois, como afirma São Pedro em sua epístola, o demônio é como um leão que ruge em torno de nós, procurando a quem devorar.

O confronto imaginado acima entre dois enxadristas e dois generais representa a luta religiosa de nossos dias, cujo fundamento é a Fé. São Boaventura afirma que um capitão que sitiado em uma praça não pede socorro a seu Rei, deveria ser tratado como traidor. Assim também Deus considera aquele que, assaltado pelas tentações, não recorre a Ele em demanda de auxílio.

Nesta batalha que ora se trava, o exército de Cristo deve ter presente que a sua arma mais eficaz é a oração, a qual leva o fiel a alcançar de Deus graças extraordinárias no momento trágico em que se encontra a Santa Igreja. O oficial que não recorrer ao seu Rei – que lhe pode enviar em auxílio sua milícia celeste capitaneada por São Miguel – e for vencido, terá seu nome registrado no Livro da Vida como um traidor.

Como Nosso Senhor quer reinar neste mundo depois desta grande batalha, e diante da impossibilidade de nossas forças vencerem o inimigo, não nos resta alternativa: “Deus, in adjutorium meum intende” – Senhor, vinde em meu socorro! Esta foi a atitude do Papa São Pio V diante da ameaça maometana à Europa no século XVI. Ele rezou e convocou os fieis a rezarem o Rosário pelo êxito dos exércitos católicos que se defrontavam com a armada turca no golfo de Lepanto em 1571.

E Nossa Senhora atendeu a sua súplica e lhe concedeu estrondosa vitória, que repercutiu em toda a Cristandade. A partir de então, a Santíssima Virgem recebeu mais um título: Auxiliadora dos Cristãos.

Pe. David Francisquini é sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria — Cardoso Moreira (RJ).

 

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