Mais penetrante que a espada de dois gumes

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Nossa Senhora das Dores, obra de Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa) em madeira policromada (Séc. XVIII).
Nossa Senhora das Dores, obra de Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa) em madeira policromada (Séc. XVIII).

Enquanto a luz dos olhos demonstra sanidade física, a luz da inteligência — a nossa fé — significa saúde espiritual. Jesus Cristo, o mistério do Verbo encarnado, transmitiu o que muitos profetas e reis desejaram ouvir e não ouviram, fez maravilhas que eles cobiçaram ver e não viram, mas coube ao velho Simeão tê-Lo nos braços, e, adorando-O, exclamar cheio de gáudio: “Agora, Senhor, deixai ir em paz o Vosso servo”.

E quantos homens santos de Israel almejaram a dita sublime de ver concretizada aquela promessa de séculos antes de ser colhidos pela morte da carne. Poder contemplar o Messias entrando em Jerusalém e frequentar o Templo. O que os movia era a mesma graça que o velho Simeão — cheio do Espírito Santo — recebeu ao vê-Lo transpor os umbrais do Santuário.

Simeão olha enlevado para aquele Menino e O recebe de sua Mãe nos seus braços! Com aquele gesto assinalava que a justiça das obras — segundo a Lei antiga — figurada pelas mãos e pelos braços, deveria ser substituída pela graça da humildade e da sublimidade do Evangelho. Mostrava ainda a decrepitude do mundo de então que cederia lugar à infância e à inocência da vida cristã consubstanciada na pessoa daquele Menino.

Simeão disse a Maria: “Este Menino será um sinal de ruína e ressurreição para muitos de Israel. Será alvo de contradição, e uma espada transpassará tua alma para que se descubram os pensamentos de muitos corações”. E Maria, cuja missão era unida à do Redentor, quando aceitou a maternidade divina conheceu os indizíveis sofrimentos pelos quais o seu Filho passaria.

Com efeito, a Mãe de Deus não foi ferida em seu corpo, mas na alma. Ao dizer que uma espada penetraria o seu espírito, Simeão se utilizou de metáfora para indicar a dor que feriria o Filho de Deus, a ponto de Ele ter se transformado em verme detestado, abandonado e triturado. Se a carne de Cristo é a carne de Maria, tal espada penetraria igualmente o coração de Maria, e, assim Ela pudesse revelar o segredo do coração de muitos.

Jesus veio para a ruína e ressurreição de muitos. Assim como a luz que irrita os olhos não deixa de ser luz, o Salvador continuará sendo Ele, ainda que muitos se condenem. A salvação é para aqueles que creem. A ruína será para aqueles que não querem mudar de vida e acatar a luz que brilhou nas trevas.

Em nenhum lugar está escrito que a Santa Mãe de Deus foi ferida por uma espada verdadeira, porquanto a espada simboliza a dor moral que atingiria a alma da Virgem ao conhecer o mistério da Paixão e Morte de Seu filho. A palavra de Deus é tão viva e eficaz que se torna mais penetrante que a espada de dois gumes que trespassou aquele coração materno, causando uma ferida de tristeza, e, ali se estabeleceu como um trono de sofrimento.

A Quaresma é o período próprio para meditarmos a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. A dor no coração de Maria se tornou tão reluzente que A tomou por inteiro, revelando o segredo dos corações e dos pensamentos de muitos aos pés da Cruz. Para uns Jesus era o Filho de Deus; para outros Ele não merecia senão desprezo e ódio.

O autor é sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

 

5 COMENTÁRIOS

  1. Agora, mais do que nunca, devemos pedir à Virgem Santíssima que nos purgue de nossa indiferença à dor d´Ela e à de seu Divino Filho, devido à situação por que passa a Igreja. Esta sendo autodemolida, como todos podem verificar, por seus altos membros…

    Combatida e ridicularizada por seus inimigos externos, que se aproveitam muito bem de sua situação interna…

    Mais do que nunca, estamos num auge da Guerra, “guerra de entendimentos e de vontades”, como aquela que houve no céu, em que São Miguel expulsou Lúcifer e seus sequazes, argumentando com Amor, Ardor e Intrepidez, pois trata-se de Anjos, puros espíritos. Mas também conosco esta é a principal batalha.

    Por isso a frase acima, entre aspas, da Venerável Maria de Ágreda, diz muito do que é a batalha de Plínio Corrêa de Oliveira.

     
  2. O comentário a respeito da espada que transpassou o coração virginal de Maria, é muito oportuno para meditar no tempo quaresmal. Os Mandamentos da Lei de Deus são dez, Basta cumpri-los para se salvar. A Escritura descreve em várias passagens o número 40, como por exemplo, Moisés no alto do monte para receber as tábuas da lei, Elias caminhando pelo deserto sob a força do alimento que o Anjo lhe trouxe, passou 40 dias até chegar o Monte Horeb e Jesus 40 dias e 40 noites no deserto para nos inspirar a viver a quaresma em oração e penitência. Se conserva o número quadragésimo porque se conserva a virtude do decálogo que se encontram nos quatro livros do evangelho. 10 multiplicado por 4,é igual a 40. O que subsiste em nosso corpo mortal é composto de quatro elementos pela sua voluptuosidade violamos os preceitos do Senhor; pelos apetites da carne desprezamos os mandamentos do Senhor e é mui justo que mortifiquemos a carne quatro vezes dez. Também assim como na lei ordena dar a Deus a décima parte dos frutos. Assim devemos oferecer a décima parte dos dias de cada ano. Seis semanas transcorrem desde o 1° domingo da quaresma, até as alegrias do tempo pascal, cujo os dias são quarenta e dois. Isso é dito para significar a décima parte que damos ao Senhor dos dias do ano. Empregamos para reparar os nossos pecados, que como a espada pontiaguda feriu o Coração de Maria. Bom lembrar aqui o texto de Jeremias que diz “Ó vós todos que passais pelo caminho, olhai e vede se há uma dor semelhante a minha dor.” Realmente não há uma dor que atingiu o Coração de Maria vendo seu Divino Filho sofrer na cruz.

     
  3. É lógico que não houve espada transpassando o corpo de Maria Santíssima. Más a espada em espírito traspassou o coração desta amável mãe de Deus e nossa mãe. Imaginem vocês, uma mãe ver na cruz o seu filho único e redentor do mundo. Ela jamais imaginou aquela cena em sua vida, más era verdade o que se passou naquele momento. Um filho tão amado estava naquelas condições deprimentes para um ser humano. O sofrimento foi tão grande que Maria Santíssima continua pedindo para nos unirmos a seu filho amado. Nós te amamos muito Jesus Cristo, filho de Maria Santíssima. Nós te amamos muito Maria Santíssima que ainda sofre pelo desprezo de muitos que não tem verdadeiro amor a Jesus.

     
  4. “Mens sana in corpore sano” é a encíclica que o Filho de Deus em suas peregrinações ensinava com suas palavras para cultivar nosso espírito e dar um molde aprimorado para nossa alma eis aí porque tanta perseguição e destruição a todo o que signifique FE e respeito ao Sagrado que vem de DEUS porém ainda há tempo para lutar com sabedoria que Ele ensinou para nos proteger.!!

     

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