Manifesto: Consenso, sim, mas não com os demolidores da Colômbia

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Consenso, sim, mas não com os demolidores da Colômbia; paz, sim, mas não com prejuízo da honra nacional; diálogo, sim, mas sem negar a nossa tradição cristã!

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Às vésperas da eleição presidencial, a Sociedad Colombiana Tradición y Acción se dirige ao País, por considerar que está em risco a vigência dos princípios mais vitais da sociedade — aqueles que recebemos de nossa tradição cristã. Se os mesmos continuarem vigentes, assegurarão o futuro da Colômbia; se forem abandonados, a Nação cairá em crises muito piores do que todas as que sofreu até o presente. A seguir, a íntegra do manifesto da mencionada entidade publicado no jornal “El Tiempo”, o principal do país.

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Diálogo com a guerrilha marxista, o principal fator de desconcerto

O mais importante dos temas em torno da eleição é o diálogo com a guerrilha das FARC. Há mais de um ano e meio o governo se empenhou nele, sem exibir até agora o menor fruto, havendo claras contradições entre o que afirmam seus delegados e repete a imprensa, e o dito pelos porta-vozes do grupo guerrilheiro.

Por essa causa, propagam-se pelo País o ceticismo e o desconcerto, caindo o apoio ao Presidente, pois a opinião pública sente-se navegando à deriva ou rumo a uma quimera, colocado em grave perigo os valores mais dignos de apreço na vida política, jurídica e moral da Nação.

Pior ainda, apesar do diálogo em curso, continuam os crimes da guerrilha e se ouvem as jactâncias de seus líderes por supostas conquistas nas conversações de Havana, onde tudo se discute, pouco se conclui e, menos ainda, se conhecem as conclusões.

Ademais, as FARC exigem acrescentar mais temas ao debate, fazendo com que nada de concreto se conclua, causando um mal-estar nacional. Vê-se que tudo quanto é vital para o País está em risco de ser destruído, porque a ínfima minoria guerrilheira assim o deseja e muito poucas são as vozes que recusam a claudicação.

Por sua vez, o Chefe de Estado pede à Nação uma confiança quase cega nele, como se o êxito do diálogo fosse seguro, e sua linha política uma garantia para conseguir a paz. Há quatro anos, o atual Presidente recebeu um apoio maciço pela corajosa luta do Estado contra a guerrilha, mas ao mudar de postura seu prestígio se dissipou, pois a Nação quer que se combata a guerrilha marxista.

O candidato Enrique Peñalosa, por seu turno, apoia o diálogo com a guerrilha, defende o aborto e os postulados ecologistas mais radicais, mas fora disso pouco se sabe de suas propostas. O grupo que o apoia é heterogêneo, o que somado aos poucos parlamentares de sua mesma tendência transforma em outra incógnita o modo como exerceria o governo, dada a pouca coincidência deles com a maioria do País.

Outros dois candidatos – Óscar Iván Zuluaga e Marta Lucia Ramírez – objetam [dizendo] que o diálogo significa impunidade e recusam a claudicação do Estado nas negociações com a guerrilha, o que lhes valeu um significativo avanço na sua aceitação por parte do público.

Ante o desconcerto da opinião nacional, a guerrilha se mostra desafiante

As afirmações da guerrilha constituem um auge de hipocrisia. Primeiro disse que não entregaria as armas, ainda que se assine um acordo de paz. A seguir, segundo ela, não possui sequestrados, sem explicar o que sucedeu com os incontáveis colombianos que sim, o foram, sem nunca terem sido libertados. Assegura que jamais fez recrutamento armado e muito menos infantil, mas o número de meninos que fugiram da guerrilha ou que foram resgatados pelo Exército soma vários milhares, sem que a guerrilha diga quantos continuam cativos e escravizados, nem quantos morreram em confrontos e maltratos.

A guerrilha também nega ter produzido migrações camponesas em massa; afirma que jamais cometeu crimes de lesa-humanidade nem de terrorismo, apesar destes terem sido incontáveis; e nega praticar o narcotráfico, não obstante ter-se tornado o mais importante cartel de droga.

Como dar crédito às suas perorações pacifistas, quando se sabe que ela própria as ignorará, como já o fez tantas vezes? Como esperar que os representantes do governo no diálogo denunciem a falsidade e a mentira dos terroristas, se por sua condescendência eles mais se parecem marionetes das FARC do que outra coisa?

De algum modo se entende que a guerrilha guarde silêncio sobre esses pontos, pois tratá-los seriamente equivaleria a auto acusar-se, o que ela nunca fará. Mas o inaudito é que o governo também os omita com cuidado, para não dificultar o diálogo nem acabar com a pseudo-pacificação. Isto é diálogo? Ou antes um monólogo do bando guerrilheiro com simples interrupções da contraparte oficial?

Nada há de pior do que representantes do governo condescendentes com uma guerrilha prepotente

A pacificação da guerrilha é vital, mas deve cumprir uma condição especial: que não seja uma promessa de duração efêmera e cumprimento nulo. Deve ficar claro que há critérios morais que não serão negociados, que não haverá criminalidade impune, nem zonas sob domínio guerrilheiro, nem soberania relativizada pelo narcotráfico, sobretudo se estiver em mãos das FARC.

Entretanto, produzem-se nesses pontos misteriosos silêncios, garantidos pelo muro de segredos que se levanta em torno de Havana e da Casa de Nariño [Palácio do Governo da Colômbia], e que quase todos os atores políticos coincidem em nunca questionar. Resguarda-se assim o futuro do País? Não, ainda que as vozes mais autorizadas se unam para assegurá-lo! Por quê? Porque é contra todas as evidências!

Se a guerrilha não reconhecer por inteiro os crimes que cometeu, muito dificilmente se emendará

O Cardeal-Arcebispo de Bogotá afirmou há pouco: “se a guerrilha nasceu como uma rebelião contra o regime político e econômico, a solução deve passar por uma abertura à participação política das pessoas no país”. Em princípio isto se compreende, mas em seguida o Purpurado acrescentou: “Que guerrilheiros e ex-guerrilheiros possam participar na política é desejável e necessário. Se não o fizerem, manter-se-ão como uma ameaça.”

Que isso se diga dos ex-guerrilheiros não é novo, pois os diálogos havidos ao longo de vinte anos partiam da base de que à violência guerrilheira só se respondia com indulgência. E sucedeu que o fanatismo guerrilheiro – que era evidente, mas negado por personagens-chaves – conduziu a novas explosões de violência que todo o País real temia, mas que o País oficial negava com pertinácia. O que frustrou a pacificação.

Agora, vai-se apesar disso mais longe, pois se insinua que guerrilheiros não pacificados, mas ativos e ameaçadores, devem participar do governo, que entregaria o País à força que mais fez para o demolir.

A violência e a guerra continuarão, se o País sofrer uma extorsão da parte da guerrilha e a ela se submeter. Esta é uma concessão que a dignidade cristã da Colômbia não permite, pois é contra a legítima defesa nacional, um desprezo pelo sangue de centenas de milhares de camponeses, soldados e policias que caíram vítimas do ataque guerrilheiro ou terrorista ao longo de mais de seis décadas.

Se o País se submeter à exigência guerrilheira, feita com armas na mão, muitos outros setores propensos à violência crerão ter-se aberto um precedente de capitulação das autoridades diante do crime, o que os incitaria a fazer análogas exigências e idênticas ameaças. Assim, longe de estar iniciando uma era de paz, a Colômbia estaria afundando mais do que nunca sob o domínio criminoso.

O bloco bolivariano impulsiona a Iberoamérica para cair sob o domínio da Cuba castrista

Esses males não afetam somente a Colômbia, mas também toda a Iberoamérica, em especial nossa nação irmã, a desditosa Venezuela. Seu regime iníquo a lança nas garras do comunismo, tornando-se um regime prepotente e agressivo, o carcereiro de seu próprio povo, o escárnio de suas leis e a frustração de suas esperanças.

Outros países do Continente, cujos governos se solidarizam em graus diversos com o regime “bolivariano” e o domínio cubano, tomam o mesmo caminho de caos e de desolação dos dois modelos que os guiam pelo caminho do desvario comum. E isto, apesar das mortes que causaram, da miséria que produziram e da violência que instauraram.

Não é alheio a este lamentável panorama que o governo colombiano tenha querido que os diálogos com a guerrilha se realizassem em solo cubano, sob a tutela da ditadura castrista. Não se compreende que Cuba seja autoridade ou testemunha do processo de pacificação, depois de ser, por mais de meio século, a promotora da ofensiva demolidora para expandir o comunismo.

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A quanto ficou dito, cabe acrescentar que a Colômbia espera que ao menos um dos candidatos presidenciais assuma a posição que o País desejaria ver em todos eles: que prometa não claudicar diante das exigências dos terroristas; que se identifique com a civilização cristã; que lute pela grandeza da Pátria; e que notifique aos fautores da violência que eles serão tratados não com indulgência, mas com a aplicação severa, mas justa, da Lei.

Bastará isto para que a opinião pública se anime, o desconcerto se desvaneça, e a confiança em nosso futuro se torne uma disposição geral da maior parcela da Nação.

Pedimos a Nossa Senhora de Chiquinquirá, Padroeira da Colômbia, que fortifique as fibras da alma nacional, nos prepare, a todos os seus filhos, para os sacrifícios que sejam necessários, e mantenha em nós a decisão de combater sem descanso pela preservação cristã, não somente da Colômbia, mas também de toda a América, confiados na proteção da Mãe de Deus.

É o que nesta encruzilhada em que se encontra a Colômbia lhe pedimos, seguindo o exemplo e continuando a luta doutrinária de nosso Mestre e Inspirador, o insigne pensador católico Plinio Corrêa de Oliveira, que tantas batalhas em defesa da Cristandade contra a seita comunista travou, sempre “in Signum Crucis”.

Bogotá, 13 de maio de 2014

Sociedad Colombiana Tradición y Acción

Eugenio Trujillo Villegas
Diretor

 

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