Representação artística da dimensão e força de uma erupção solar. A Terra (ponto azul embaixo) aparece muito mais perto do sol para ilustração.
Representação artística da dimensão e força de uma erupção solar. A Terra (ponto azul embaixo) aparece muito mais perto do sol para ilustração.

No mês de abril de 2013, cientistas renomados e provenientes dos mais altos cargos do governo americano se deslocaram até Boulder, no Colorado, a fim de participar do NOAA’s Space Weather Workshop, uma reunião anual para discutir os perigos e as probabilidades das tempestades solares, informou a NASA.

Essas tempestades têm sua origem em fabulosas explosões na superfície solar. Elas são rotineiras, existem desde sempre, e atingem regularmente a Terra com diversos efeitos eletromagnéticos de intensidades mutáveis.

O atual ciclo solar está sendo mais fraco do que de costume, e isso até contribui para o resfriamento global. Nesse ambiente tranquilo, em julho de 2012 o astro gigante expeliu uma formidável tempestade, que “se nos tivesse atingido estaríamos ainda recolhendo os pedacinhos” da civilização humana, segundo Daniel Baker da Universidade de Colorado.

Baker apresentou os dados coletados na ocasião, e foi citado pelo jornal Le Monde. A explosão solar de 23 de julho de 2012 ejetou uma nuvem de plasma à incrível velocidade de 3.000 quilômetros por segundo, quatro vezes mais rápida do que uma erupção típica.

Essa nuvem atravessou a órbita percorrida pela Terra, porém longe dela. Se a explosão na superfície solar tivesse acontecido uma semana antes, a Terra teria sido pega de cheio.

Se ela tivesse tocado nosso planeta, “teria enviado a civilização contemporânea de volta ao século XVIII”, explicou um comunicado da NASA.

A tempestade mais conhecida de tamanho semelhante foi o Carrington Event, em setembro de 1859. Nessa data uma série de nuvens de plasma atingiu o Hemisfério Norte, provocando auroras boreais em regiões tão meridionais como Taiti.

As tempestades geomagnéticas enlouqueceram as linhas telegráficas e provocaram incêndios em suas agências, anulando a eufemisticamente chamada “Internet da Era Vitoriana”.

O problema é que a tempestade recente teria uma violência semelhante sobre um mundo apoiado em redes de comunicação incomparavelmente mais densas, subtis e destrutíveis do que a dos fios metálicos do telégrafo.

A Academia Nacional das Ciências dos EUA calculou que o impacto econômico poderia ter sido superior aos US$ 2 trilhões ou 20 vezes maior do que os danos do furacão Katrina.

O problema é que a sociedade moderna não está preparada para um súbito desaparecimento das redes de comunicação global, elas próprias altamente sensíveis às irradiações solares.

Imagine o leitor acordar sem celular e sem Internet ou com supermercado, agências bancárias, aeroportos, metrô e ferrovias “fora do sistema”. Sem eletricidade, o seu cartão de crédito é inutilizável. Sem os microprocessadores do computador de bordo, seu carro é apenas um amontoado de peças. Os transtornos seriam incalculáveis. Poder-se-iam passar anos até se voltar à atual normalidade.

“Os efeitos dessa tempestade em nossas modernas tecnologias teriam sido tremendas”, comentou assustada Janet G. Luhmann, física espacial da Universidade de Califórnia-Berkeley.

O que teria podido fazer o homem para resistir a essa colossal tempestade solar?

Ainda que tivesse aplicado todos os seus recursos materiais, conhecimentos e tecnologia, em verdade, nada. Nada dos nadas!

 

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