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O robô Atlas da Boston Dynamics impressiona pela técnica mas é menos autônomo que uma mísera barata.

O cinema, certos cientistas e especuladores do futuro gostam de imaginá-lo povoado de robôs “inteligentes”, capazes até de se emanciparem do homem e levar uma vida autônoma com autoconsciência ou sentimentos.

Alguns os imaginam maléficos, outros benéficos, outros imprevisíveis, fazendo guerra ao homem ou entre eles, ao gosto da fantasia do escritor, do cientista, do jornalista ou do usuário de Playstation.

Os modelos mais avançados de robôs em desenvolvimento podem reforçar temores e fantasias. O robô Atlas da Boston Dynamics é um exemplo acabado disso.

Mas o que há de verdade nessas projeções, anúncios ou novelas?

O físico investigador da Universidade Politécnica de Madri, José Antonio Villacorta Atienza, fez cair uma “chuva de realidades”, segundo noticiou o jornal “El Mundo”,sobre as possibilidades acenadas pelas mídias convencionais ou virtuais.

Falando no reputado Curso de Verão da Universidade Complutense, ele explicou que“o robô mais avançado é menos autônomo que uma simples barata”. E ele pensava não apenas no presente, mas também no futuro.

Para Villacorta, “não parece plausível que no futuro apareçam robôs de forma autônoma, natural e produtiva”. “Nunca haverá robôs como os que aguardamos. O mais realista é pensar que teremos máquinas mais ou menos autônomas com uma margem de aplicabilidade muito limitada” – garantiu.

O investigador desenvolve há anos um robô capaz de esquivar obstáculos, detectar as emoções ou intenções dos humanos e agir em consequência. “O único robô que vocês vão ver em casa vai ser o aspirador”, brincou, antes de enumerar os motivos.

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Outro robô da Boston Dynamics, empresa da Google: a complexidade denuncia a limitação

“Nas neurociências se trabalha com base num cérebro existente, na robótica não. A maior parte do trabalho na robótica está superfragmentado”, referindo-se à incerteza de se poder criar uma mente artificial.

É preciso ir esquecendo a ideia de termos na vida real o Terminator ou androides similares, disse Villacorta. “Não há perigo de um robô se tornar pensante e atacar. O perigo consiste em que os humanos possam exterminar outros humanos usando robôs”, explicou, apontando para as novas armas com tecnologia robótica.

“Criar uma máquina que mata está ao alcance da mão. Qualquer um pode matar uma pessoa com um drone como [se estivesse] brincando num videojogo. Até já existe um software que permite identificar determinada pessoa em concreto e executá-la”.

Os problemas éticos e morais vão além do uso bélico. Por exemplo, os carros autodirigidos: de quem seria a culpa se o carro atropelar alguém? E se o carro for programado para provocar a morte do passageiro com o intuito de salvar a vida de outros? A casuística é enorme.

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O uso dos robôs pode trazer monstros mecânicos, mas menos dotados que um inseto.

Os legisladores já estão cogitando normas para esses casos. “Os carros seriam programados para salvar aqueles com maior probabilidade de sobreviver”.

Para maior complicação, a programação desses robôs será definida também “com base na opinião das companhias de seguro”.

Villacorta resumiu dizendo que os homens hoje querem que a tecnologia faça coisas muito complexas, “porém o que pedimos não é feito muito bem”.

Para ele, supor que um robô terá uma mente parecida à humana “não faz sentido, pelo menos nos próximos séculos. Os robôs não têm cognição, não são capazes de entender o que acontece”.

O especialista observou que “o cérebro humano é o sistema mais sofisticado conhecido, mas 30% falham ou falharam alguma vez”, e isso só mostra a enorme dificuldade de reproduzir algo similar que funcione e não se degrade.

O robô nunca poderá ter sentimentos.

O que lhe seria necessário é detectar os sentimentos dos humanos.

Villacorta afirmou também que “o problema fundamental é a inexistência de uma definição operacional de consciência”, não se sabendo, portanto, como simulá-la numa máquina.

Mas, poderia objetar alguém, o que aconteceria se por um passe de mágica, por uma interferência extraterrestre ou infraterrestre, os robôs passassem a ter consciência?

Se isso acontecesse, os robôs passariam por cima da programação.

Poderiam então pular as leis da robótica, como numa novela de Isaac Asimov, e fazer dano aos humanos?

Isso parece pouco provável segundo as leis da matéria e da tecnologia, cortou o especialista. “Nem bêbados conseguiríamos”, concluiu.

Então, acrescentamos nós, se isso acontecer será por um fator externo às leis da matéria, e seria um assunto de teologia moral e/ou exorcismo e não de ciência ou de tecnologia.

 

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