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No dia 12 de abril, menos de um mês depois das multitudinárias manifestações de 15 de março deste ano, ruas e praças de mais de 200 cidades brasileiras encheram-se novamente para demonstrar sua insatisfação contra o governo do PT.

Tais manifestações trazem uma novidade para a qual deveriam estar atentos aqueles que manipulam as rédeas oficiais no Brasil: não se trata de um magote de agitadores, nem de pessoas filiadas a partidos da oposição. Tampouco são grupos isolados, representando uma ou outra tendência ideológica. São famílias que normalmente não saem às ruas para protestar, e que agora tomam a iniciativa de fazê-lo. São em sua maioria brasileiros pacatos, avessos à vida política oficial, que se manifestam, não de maneira ácida e antipática, mas de forma ordeira e pacífica, porém firmemente.

Descontentamento, desconfiança, descrédito

 

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É um descontentamento profundo que vem aos poucos à tona, explicitando-se gradualmente. Erraria quem afirmasse que o desagrado é apenas com a corrupção, a inflação, ou a recessão econômica. Protesta-se contra um conjunto de fatos: um Estado que procura imiscuir-se em quase tudo, inclusive na relação entre pais e filhos; um governo que despreza a vida humana inocente e abre as portas para o aborto; um partido que privilegia as uniões homossexuais e persegue quem, ainda que pacificamente, se opõe à agenda homossexual; uma ideologia que pretende colocar empregados contra patrões, pobres contra ricos, “nós contra eles”, ferindo a bonomia tão característica de nosso povo.

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Esse desagrado, eu o constatei ao vivo na manifestação da Avenida Paulista, coincidindo com o relato de amigos que estiveram presentes em outras cidades. Além dos cartazes costumeiros de “impeachment já” e “fora Dilma”, outros estampavam o Cristo Redentor e a imagem de Nossa Senhora Aparecida, rogando à Santíssima Virgem que livrasse o Brasil do comunismo. Muitas pessoas pediam “meu País de volta”.

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Às vésperas das manifestações de 12 de abril, a presidente Dilma decidiu passar a coordenação política de seu governo ao vice-presidente Michel Temer, esperando com isso amainar as reações. O público que foi às ruas, entretanto, tomou com desconfiança o que chamava de “manobra que não nos engana”. Apesar de certa displicência que havia diante dos carros de som, um discurso foi muito bem recebido: “Se percebermos que é uma mera manobra, o PMDB ponha as barbas de molho, pois os brasileiros não cairão nessa cilada”.

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Nota-se também outra desconfiança bastante presente, em relação à CNBB. Muitos católicos mostravam sua perplexidade diante do fato de a Conferência Episcopal brasileira estar “do lado do PT”, como me disse uma moça, que acrescentou: “É bom ver aqui as fotos da Virgem Padroeira, mostrando que somos católicos, apesar de um bispo que conheço estar apoiando o governo”. Outro jovem comentou: “A CNBB está omissa em relação aos problemas do Brasil”.

De modo geral, havia um verdadeiro descrédito em relação às instituições oficiais, uma espécie de cansaço generalizado com as mentiras do governo e da mídia, com a carga abusiva de impostos, com a fiscalização onipresente nos moldes venezuelanos, com a degradação do ensino e a desmoralização do ambiente público.

Paulista manifestação

Uma esperança difusa

Entretanto, ver tanta gente que sentia do mesmo modo os problemas do Brasil, gerava um ambiente ameno e um desejo ainda não bem definido, mas que vai muito além do pedido de impeachment. Parecia ser uma esperança de que o Brasil ainda deve cumprir um grande papel diante de si mesmo e das outras nações, contra aqueles políticos e religiosos que querem impedir isso de todos os modos, e encaminhar o País para o bolivarianismo sinistro e brutal, corrupto e mentiroso, socialista e policialesco.

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Comunicado oportuno

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira foi representado em diversas cidades por jovens voluntários que distribuíram aos manifestantes o comunicado: Um Brasil autêntico e cristão apresenta sua verdadeira face.

Dizia o parágrafo final: “Sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira espera que essas manifestações não sejam apenas um grande evento, mas sim, a reafirmação de nossa identidade, de nossa índole marcadamente católica, que resplandece intensamente sob o Cruzeiro do Sul”.

IPCO Paulista

A atuação dos jovens voluntários do Instituto foi muito bem acolhida pelos manifestantes, muitos dos quais os parabenizaram pelas diversas atividades desenvolvidas ultimamente. Alguns se aproximavam para dizer que sempre viam esses jovens presentes nas horas mais importantes para o País, e agradeciam a atuação. Pudemos encontrar também representantes de outros movimentos beneméritos que lutam continuamente em defesa da civilização cristã no Brasil.

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O Brasil sereno e profundo se soerguerá

Cabe aqui uma importante reminiscência. Em conferência pública proferida em 12 de setembro de 1968, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira analisou diversas tentativas dos comunistas para introduzir a agitação e a subversão na Igreja e no Brasil. Tentativas estas muito semelhantes, aliás, às dos chamados “movimentos sociais” de hoje, apoiados pelo governo e até mesmo por prelados católicos. Com admirável espírito de previsão, as afirmações do ilustre líder católico ressoam agora com um timbre profético:

“A isso eu tenho, como brasileiro e não apenas como presidente da TFP, uma resposta a dar, e a resposta é esta: há no Evangelho uma promessa de bem-aventurança que diz o seguinte:

“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra; bem-aventurados aqueles que não amam a rixa nem a briga; bem-aventurados aqueles que não amam a violência, porque deles será a Terra. Deles será a Terra porque eles atrairão a si o amor dos homens que realmente amam o bem; deles será a Terra porque saberão opor-se, com uma força invencível, àqueles que os queiram jugular por uma violência ilegítima. Oh! A força cristã do verdadeiro católico que tem a mansidão de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, ou do verdadeiro católico, que tem a força indomável de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Leão de Judá! No momento em que Nosso Senhor Jesus Cristo foi preso, alguém Lhe perguntou: ‘És tu Jesus de Nazaré?’ E Ele respondeu: ‘Ego sum’. E todos, tomados de terror, caíram com a face na terra! Esta é a majestade, esta é a força, esta é a dignidade daqueles que têm a mansidão cristã.

“Nosso País é um País cordato, um País que ama a mansidão, um País cuja história tem fugido às lutas. Mas se algum dia alguém de nós se aproximar e disser: ‘És ainda o Brasil cristão? Não aceitas a pressão que se quer fazer contra ti?’ Eu tenho a certeza que essa nação responderá com uma força que ainda ninguém lhe conhece, mas que está nascendo nas tormentas do momento atual, responderá: ‘Ego sum’. E os povos todos da Terra [ouvirão] e todos os agitadores serão obrigados a se prostrar. E os agitadores cairão por terra porque conhecerão isso que existe entre outras coisas de autenticamente novo no Brasil novo: é a decisão de progredir fiel a si mesmo e fiel à tradição cristã; fiel à família, fiel à propriedade, e de lutar, com uma força que impressionará o mundo, contra quem quer que imagine que sua mansidão é moleza e que contra ele pressões possam trazer resultado.” (destaques nossos).

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Não afirmamos aqui que esse Brasil cordato e profundo saiu todo ele às ruas nos dias 15 de março e 12 de abril últimos. Nem julgamos que é apenas através de marchas e protestos que ele se faz ouvir, ou que o fará de uma só vez. Cremos, pela experiência de anos de contato direto com a população em todas as regiões do Brasil, que o público que se manifestou nestes últimos dois meses é apenas uma amostra, a ponta de um iceberg. Quando se mostrará a parte mais profunda do iceberg? Como agirá? Não sabemos. De qualquer maneira, senhores do Brasil oficial, abri os olhos porque o Brasil autêntico está acordando!

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6 COMENTÁRIOS

  1. Amigos do nosso querido Brasil, o que todos nós queremos: Fim da corrupção no Brasil; educação de qualidade; sistema nacional de saúde, de qualidade; respeito às Leis; respeito às famílias; respeito às tradições; respeito à propriedade; que o dinheiro público seja usado para o bem de todos os brasileiros; que os três poderes não sejam usados para o bem de poucos; que o tráfico de drogas seja punido, assim como é na Indonésia; que o código penal seja modificado em favor das pessoas de bem; que a Lei eleitoral seja modificada para que atenda aos anseios da população e não dos políticos, enfim, o que todos nós queremos é um País que possamos nos orgulhar.

     
  2. Com a permissio venia, faço minhas as palavras do texto, porquanto, como brasileiro nato q sou e, mais, de origem humilde e q, a despeito de tudo, vim e venci, sem precisar de “favores” governamentais, acredito no Brasil como Nação pujante como tal e no povo cordato, mas sem ser medroso, bonzinho, destituído de sentimento de nacionalidade e q, certamente, demonstrará a sua força e o seu vigor quando necessário se fizer. “Brasil, um filho teu n~ foge à luta”. Comentei.

     
  3. Causou-me imensa alegria ver estampada nas páginas do denodado “Instituto Plinio Corrêa de Oliveira” a meticulosa reportagem do Sr. Edson Carlos de Oliveira, lavrada com a perspicácia e o método de ver e analisar segundo a melhor análise da opinião pública da “escola pliniana”. Com tal lucidez, estou certo que aqueles que souberem empalmar esta sabedoria farão parte da liderança que deverá conduzir o Brasil à realização de sua histórica e providencial missão. Viva Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil”

     
  4. Meus Deus: esta atitude do povo decente brasileiro não pode ser em vão.
    Salvemos nossa PÁTRIA, que está nas mãos de comunistas – corruptos-guerrilheiros-assaltantes- terroristas, destruidores de todos os valores da família , incentivam o ódio falando em diferenças de cor, raça e sexo, semeando a discórdia, por que o objetivo é esse, povo divido é povo manipulado, obediente, covarde.
    Juntemos nossas orações para que tenhamos força e sejamos vitoriosos nesta campanha de limpar o BRASIL dessa corja mallligna.

     
  5. Por motivos alheios à minha vontade, não pude estar nas duas manifestações de 15/03 e 12/04.
    Mas, rezei muito a Nossa Senhora Aparecida para que abençoasse e dirigisse todo o conjunto destas manifestações.
    Concordo inteiramente com o pensamento do texto acima, sobretudo pela lembrança do discurso de Plínio Corrêa de Oliveira. Se há alguém que conhece a alma do povo brasileiro é ele. Digo, “conhece” no tempo presente, pois o Instituto Plínio Corrêa de Oliveira bem o representa.
    Cumprimento também o fotógrafo que tão bem soube captar as cenas mais expressivas. Precisa ter muita presença de espírito para isso, e ele – ou eles – teve – ou tiveram .

     
  6. Desta vez, a passeata do dia 12/04, teve menos participantes que no evento do dia 15/03, o fato foi amplamente divulgado pela impressa “chapa branca” e de outras cores também. Se houver um terceiro movimento vai ter menos gente ainda, logo é preciso mudar de tática, se houver a intenção de repetir a experiência, é preciso mudar a dosagem e até mesmo o remédio, usar mais tempo para organizar, programar e colher adesões para o novo evento,
    eliminar todas as reivindicações que dependam de ação do governo,(quase todas) é muita ingenuidade acreditar que uma bactéria, venha promover a cura da doença provocada por ela mesma, assim sendo, deve-se concentrar esforços numa só direção: “empeachment já”
    Finalmente, mudar o enfoque, mudar a diretriz, acabar com este rótulo
    de “movimento apolítico”, é um paradoxo, um movimento com propósitos essencialmente políticos, rejeitar apoio dos partidos.
    Muito pelo contrário, agora deve-se mudar a postura, criando um movimento aceitando todo tipo de apoio, venha de onde vier, “os fins justificam os meios” não é assim que opera o PT? Não foi assim no
    passado, nas “diretas já”? É só copiar o modelo.
    Um movimento 100% político, aberto a todas as tendências, teria seguinte vantagem: o povo iria identificar quem está contra, quem está
    a favor e quem está em cima do muro! Podendo providenciar seu “impeachment”
    em 2018!

     

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