Drogas

Não me proponho a comentar algo, mas sim a reproduzir para o leitor testemunhos da maior valia a respeito de dois vícios que assolam este nosso século XXI.

O primeiro testemunho, a respeito das drogas, é de um especialista no assunto, Dr. Osmar Terra, que põe em realce quão absurdo é querer liberar seu consumo.

O segundo é a confissão de uma conceituada jornalista, Marion Strecker, uma das pioneiras da Internet no Brasil, cofundadora do UOL. Ela reconhece, meritoriamente, ter caído no chamado cibervício, enquanto muitos usuários compulsivos da Internet se negam a reconhecer sua dependência. Mas vamos aos depoimentos. Dispenso as aspas, pois tudo é citação.

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Osmar Terra: “Enfrentar ou liberar as drogas?” (“O Globo”, 31-12-12)

O dilema entre enfrentar ou liberar as drogas no Brasil exige mais do que uma opinião ideológica ou sociológica sobre o tema. Um ponto central desse conhecimento científico sobre as drogas, e que é rigorosamente ignorado pelos defensores da liberação, é o de que a dependência química produz uma mudança estrutural, definitiva, no cérebro humano.

Essa estrutura modificada passa a comandar a motivação do dependente e irá direcionar seus interesses e ações na busca da droga, em detrimento de todas as demais atividades. Mesmo tratado, o dependente recairá de forma cíclica.

Como médico estudioso do assunto, como secretário estadual da Saúde que fui por oito anos no Rio Grande do Sul e ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, afirmo que estamos diante do mais grave problema de saúde pública e de segurança no Brasil. A progressiva liberação das drogas produzirá uma oferta ampliada e multiplicará rapidamente o número de dependentes.

Todos os países que liberaram as drogas, como a Suécia, até 1969, e a China, no século XIX, tiveram que voltar atrás, em função dos problemas sociais e de segurança, e têm hoje leis duríssimas sobre o assunto. As experiências pontuais de liberação parcial do uso como a de Portugal fracassaram, aumentando o número de dependentes em tratamento e multiplicando os homicídios.

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Marion Strecker: “Vício” (“Folha de S. Paulo”, 7-1-13)

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No meio dos feriados, por puro vício, acabo abrindo a caixa de entrada de e-mails no celular. Vejo dezenas de e-mails enviados desde a véspera. Sem pensar muito, começo a selecionar aqueles que vou apagar sem ler. E, como sempre, vou deixar na caixa postal outros e-mails, para ler talvez um dia, talvez nunca.

Meu e-mail entrou em colapso. Às vezes perco mensagem importante soterrada numa pilha imensa de bobagens. O que seria solução virou também um problema que me consome muito tempo.

Poderia dizer o mesmo do Facebook, que só não abandono de vez porque virou uma imensa agenda de contatos. Mas vejo em volta, com meus amigos, como pode ser uma compulsão.

Penso nos dias angustiantes que precederam o momento em que me dei conta de que estava totalmente viciada em Internet. A produtividade em queda, a ansiedade em alta, a mania de pular de aparelho em aparelho, de aplicativo em aplicativo, de rede social em rede social, sem necessidade nenhuma, sem objetivo definido, vagando pelo mundo on-line como zumbi. Tento ser honesta comigo mesma e me pergunto: superei o vício? Controlei a compulsão? A resposta é não. Não tinha nenhuma compulsão antes da Internet. Não estou substituindo um vício por outro. Juro.

Olho minha filha de 14 anos, e ela está muito mais viciada que eu no seu iPhone. Usa Facebook, Twitter, WhatsApp, Instagram, essas coisas. Minha preocupação é a angústia, a ansiedade que a Internet é capaz de produzir. Eu conheço esse estado bem demais. É como andar de bar em bar, procurando algo que não se vai encontrar. É intoxicante. Faz mal à saúde.

 

6 COMENTÁRIOS

  1. É DE SE ESPANTAR COM TANTA INFORMAÇÃO DO MALEFÍCIO DAS DROGAS QUE JOVENS CONSIDERAM QUANDO USAR DROGAS PASSA A SER O CENTRO DA VIDA DO USUÁRIO. ELE VIVE EM FUNÇÃO DE OBTER E USAR DROGAS. EM GERAL, NÃO VAI BEM NA ESCOLA DESTRÓI SUA RELAÇÃO COM SEUS FAMILIARES, COM SEUS VERDADEIROS AMIGOS E PASSA A NÃO TER OBJATIVO E DESRESPEITAR TODOS OS VALORES E NEM CUIDA DE SUA APARENCIA E AOS LUGARES HÁBITOS DE HIGIENE SÃO MAUS PARA A SAÚDE! PODEMOS AJUDAR UM DEPENDENTE OU VICIADO NO TRI PÉ :TRABALHO DISCIPLINA E ORAÇÃO.PRECISAM PROCURAR OS GRUPOS DE APOIO AMOR-EXIGENTE,TERAPIAS DE GROPO EXISTEM VÁRIOS É SÓ PROCURAR NA SUA LOCALIDADE E ATÉ PELA INTERNET

     
  2. Maria Ivete Becker :

    Penso que nos dois casos, os malefícios são devastadores. Nas dorgas a devastação é total da pessoa, e inclusive, das que convivem com ela. Na cibernética, o que desmorona é o relacionamento interpessoal e com isso, a pessoa entra num abismo de solidão e desconhecimento de seus iguais.

    Mas, no 1º caso a devastação não deixa margem para recosntrução da pessoa e no 2º caso, há sempre a possibilidade de educação e mudança.

     
  3. Penso que nos dois casos, os malefícios são devastadores. Nas dorgas a devastação é total da pessoa, e inclusive, das que convivem com ela. Na cibernética, o que desmorona é o relacionamento interpessoal e com isso, a pessoa entra num abismo de solidão e desconhecimento de seus iguais.

     
  4. O vício deriva da repetição do pecado, e o pecado está na atitude de cada um ao usar tal coisa, não na própria coisa. Por exemplo o sujeito que toma bebida alcoólica pra comemorar ao meu ver não se trata de pecado, não existe má fé se houver moderação, mas se o sujeito bebe pra afogar as mágoas, para se entorpecer e esquecer dos problemas, neste caso existe o pecado.
    No caso da internet o mesmo sistema, a internet tem muita utilidade se usada de maneira correta.
    Considero a droga uma exceção pois o entorpecimento é quase imediato, então não é possível ter um bom propósito ao se escolher fazer uso do produto assim como é possível com a bebida alcoólica, não existe moderação no caso da droga, só de fumar um cigarro de maconha o sujeito já fica um pouco mais burro.
    Também entendo que pecado no uso do cigarro de nicotina está por acidente, assim como no álcool, pois existe a moderação e o cigarro não entorpece como a droga. A comparação fica nítida se nos lembrarmos do livro “Admirável mundo novo” de Huxley, onde o governo usava a tal da “soma” que era uma droga que servia para eliminar qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos, é lógico que o cigarro de nicotina não poderia ser aplicado para tal propósito pois não produz tal efeito mesmo em exagero, porém as drogas ilícitas como a maconha podem.

     
  5. Em ambos os casos trata-se de vício, ora, isso nos deve levar a uma questão: o que leva as pessoas ao vício? Vício, como disse a ré confessa, é uma compulsão. Por que se chega a isso? Eu acho que se trata principalmente de um problema moral e até ideológico, ao contrário do que afirma o Dr. Osmar Terra, logo a solução está na cura pela prática do contrário, um fortalecimento moral e ideológico.

     
  6. ‘D A S D R O G A S”: o mais importante não foi dito. É o MALDITO USUÁRIO o agente financeiro do CRIME-ORGANIZADO. É justamente ele, (o maldito viciado), que financia
    o plantio a colheita e o tráfico das drogas; como também financia o contrabando de
    armas, agencia a prostituição e sem sombra de dúvida, facilita o jogo ilegal, e não é
    tudo, pois os tentáculos do CRIME-ORGANIZADO estão além dessas em outras várias
    atividades.

    “D A I N T E R N E T”: há que se refletir e muito sobre a “rede” seus benefícios e
    malefícios. Eu entendo que cabe aos pais e/ou responsáveis educar suas proles, e
    aí cabe o uso do computador, videos-game e outras parafernálias cibernéticas. É na
    casa, no seio familiar que se aprende a conviver e a lidar com as ferramentas de que
    dispomos nos dias de hoje, ora, se uma criança fica o dia todo a frente de um
    computador, na adolescência estará viciada no mesmo. Se uma criança passa horas
    a fio no vídeo-game, não espere que ela seja um(a) pacifista na maturidade, pois os
    tais vídeo-games em sua maioria tratam de lutas, batalhas, guerras, ataques, etc.
    PARA PENSAR: uma criança, pré-adolescente, adolescente que “mata” o dia todo, na
    maturidade terá tudo para ser um assassino, pois, para o cérebro matar na máquina
    ou matar na realidade É EXATAMENTE A MESMA COISA.

     

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