Este santo medieval é muito pouco conhecido no Brasil. Segundo filho de Gualberto e Villa, pertencia à distintíssima família dos Visdonini, da famosa e bela cidade de Florença, onde nasceu em 995. Educado em um dos castelos dos pais, sua mãe teve o cuidado de fazê-lo seguindo os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo. O pai procurou torná-lo um perfeito cavaleiro, hábil nas palavras e nas armas, para depois administrar e defender o patrimônio e a honra da família.

Ao crescer, como todo membro da nobreza e correspondendo aos anseios do pai, João cingiu a espada, com foro de cavaleiro.

Mas ainda não a desembainhara, pois queria que seu primeiro uso fosse contra o assassino do seu irmão mais velho, a quem jurara vingar.

Em uma de suas andanças pela região, acompanhado de criados e servos, numa das voltas do caminho João encontrou o homicida vagando sozinho. Empunhou então a espada e dirigiu-se a ele, que, indefeso, só pôde de joelhos e braços em cruz implorar clemência.

Ora, isso ocorreu numa Sexta-feira Santa. Aquela atitude suplicante do homicida com os braços em cruz fez o jovem cavaleiro lembrar-se de Cristo na Cruz. Comovido, com um gesto inesperado e generoso, ergueu da terra o assassino de seu irmão e o abraçou em sinal de perdão, dizendo-lhe: “Perdoo-te pelo sangue que Jesus Cristo hoje derramou na Cruz”. Uma grande paz invadiu sua alma, e a partir desse momento sua vida mudou completamente. Decidiu abandonar o mundo e foi bater na porta do mosteiro beneditino, vencendo as desculpáveis resistências do pai.

Na capela do mosteiro, dedicada a São Miniato, João ajoelhou-se diante do Santo Cristo e rezou fervorosamente com a alegria de quem tinha cumprido um difícil dever. Ao levantar-se, olhou para o rosto de Cristo e viu que por três vezes seguidas Ele se inclinava para si. Era a aprovação divina do perdão dado.

No mosteiro, João Gualberto tornou-se um humilde monge, exemplar na disciplina, no estudo, na oração, na penitência, na caridade e na observância às Regras. Só então aprendeu a ler e a escrever, pois para um nobre de sua época o mais importante era saber manusear bem a espada. Adquiriu o dom da profecia e dos milagres, sendo muito considerado por todos.

Em 1035, com a morte do abade, ele foi eleito por unanimidade seu sucessor, mas renunciou de imediato quando soube que o monge tesoureiro havia subornado o bispo de Florença para escolhê-lo como o novo abade.
Indignado, passou a denunciá-lo e combatê-lo, auxiliado por alguns monges. Mas as ameaças contra si eram tantas, que decidiu sair do mosteiro..

João Gualberto tentou então a vida na camáldula fundada não havia muito por São Romualdo. Mas não encontrou nela o que almejava, e resolveu fundar o seu próprio mosteiro, seguindo as regras de São Bento.

O santo retirou-se então para as selvas dos Apeninos, no monte Vallumbrosa, perto de Florença, onde construiu seu mosteiro.

Seguiu com rigor, disciplina e austeridade as regras da Ordem beneditina, mas colocou muito estudo, leitura e meditação no lugar do trabalho manual. João Gualberto implantou assim um centro tão avançado e respeitado de estudos, que a própria Igreja enviava para lá seus padres e bispos para aprofundarem seus conhecimentos.

De Vallumbrosa desciam os monges, temperados na Regra beneditina reformada, primeiro para a vizinha Florença, depois para as várias cidades da Itália, operando a benéfica transfusão de operosa santidade, seguindo o exemplo do santo abade: corrigir com os costumes, as próprias instituições civis.

Os florentinos chegaram a confiar aos monges valombrosianos até as chaves do tesouro e o sigilo da República. O Papa Leão XI realizou uma longa viagem para lhes fazer uma visita.

São João Gualberto morreu no ano de 1073. Antes de fechar os olhos, disse aos seus monges: “Quando quiserem eleger um abade escolham, entre os irmãos, o mais humilde, o mais doce, o mais mortificado.” Foi canonizado em 1193 e declarado Padroeiro dos Florestais pelo Papa Pio XII em 1951.

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