No dia 11 vimos a vida de Santo Eulógio, pertencente ao clero de Córdoba, ao qual pertencia também outro sacerdote, Rodrigo, que foi do mesmo modo preso pelos islamitas e martirizado mais ou menos pela mesma época. Santo Eulógio escreveu o relato de seu martírio.

Córdoba era uma cidade em muitos pontos importante, mas também o era pelos nascimentos de Sêneca, Lucano, Averróis, Gôngora. Foi tomada dos visigodos pelos árabes em 771, e atingiu no século X seu apogeu cultural. Foi reconquistada pelo glorioso São Fernando III de Castela, o Santo, em 1236.

Rodrigo era um piedoso sacerdote, cumpridor dos deveres, e exemplo para os cristãos que viviam oprimidos sob o jugo muçulmano.

Desejando acrisolar sua virtude, o Senhor permitiu que um dia, numa briga entre seus dois irmãos, um católico e outro muçulmano, ele interviesse para acalmar os ânimos. Mas o irmão muçulmano enfureceu-se e o atacou tão violentamente, que infligiu-lhe várias feridas, levando-o a perder os sentidos. O agressor divulgou então malevolamente por toda a cidade que Rodrigo se apartara da religião de Jesus Cristo.

São Rodrigo. Faz parte dos mártires de Córdoba. Pintura executada por Bartolomé Esteban Murillo.

Como ele era muito conhecido nos meios católicos, isso provocou muito falatório. Esperando os ânimos se acalmarem para se justificar, Rodrigo retirou-se para uma serra, onde passou a levar vida de contemplativo. Entretanto, um dia em que ele foi à cidade para se prover de alimentos, seu irmão muçulmano o viu e, vomitando ódio, o denunciou ao juiz de sua seita. Rodrigo foi preso e julgado. Confessou então abertamente que “nasci cristão, e cristão hei de morrer”. O seguidor de Mafoma não quis ouvir mais nada, e o mandou para a enxovia.

Nela esse confessor da fé encontrou outro cristão, Salomão, preso também pelo mesmo motivo. Dele não temos outra notícia que o martírio. Uma estreita amizade se estabeleceu entre eles, que fizeram a promessa de morrer juntos pelo sacrossanto Nome de Jesus Cristo. E converteram o cárcere em oratório, onde bendiziam a Deus.

Sabendo disso, o juiz mandou separá-los. Dias depois, baldados todos os esforços para os fazer renegar a fé, condenou-os à morte. Foram conduzidos ao lugar do suplício à beira de um rio, onde confessaram de novo serem cristãos, e que morriam pela Fé. Puseram-se então de joelhos, abraçaram-se a um Crucifixo, e entregaram o pescoço aos verdugos, que lhes decepou a cabeça. Era o ano de 837.

Esses dados chegou até nós pelo Memorial de Santo Eulógio, obra que este santo escreveu em Córdoba em 852, mesma cidade em que Rodrigo e Salomão tinham sido mortos 15 anos antes.

Gostaria de receber as atualizações em seu email?

Basta digitar o seu endereço de email abaixo e clicar em “Assinar”.