De São Saturnino, diz o Martirológio Romano a 29 de novembro: “Em Toulouse, São Saturnino, bispo que, no tempo de Décio foi detido pelos pagãos, no Capitólio daquela cidade. Da atalaia do Capitólio, precipitaram-no todos os degraus abaixo, de sorte que o cérebro saltou para fora, e todo o corpo ficou numa chaga viva. Assim rendeu a Cristo sua bela alma”.

De origem grega, São Saturnino é uma das devoções mais populares na França e na Espanha. A confirmação de sua vida emergiu junto com a descoberta de importantes escritos do cristianismo produzidos entre os anos 430 e 450. Conhecidos como a “Paixão de Saturnino”, trouxeram dados enriquecedores sobre a primitiva Igreja de Cristo na Gália, futura França.

Esses documentos apontam Saturnino como primeiro bispo de Toulouse nos anos 250, sob o consulado de Décio. Essa era uma época em que a Igreja, naquela região, contava com poucas comunidades cristãs, e estava desorganizada desde 177, quando ocorreu o grande massacre dos mártires de Lyon. O número de fiéis diminuía sempre mais, enquanto nos dos templos pagãos as filas para prestar sacrifícios aos deuses parecia aumentar.

O relato continua dizendo que Saturnino, após uma peregrinação pela Terra Santa, iniciara a sua missão de evangelização no Egito, onde converteu um bom número de pagãos. Foi, então, para Roma e, fazendo uma longa viagem por vales e montanhas, atingiu a Gália.

Por onde andava, pregava com fervor, convertendo quase todos os habitantes que encontrava ao cristianismo. Consta que ele ordenou o futuro São Honesto, e juntos foram para a Espanha, onde teria também batizado o agora São Firmino. Depois regressou a Toulouse, mas antes consagrou o primeiro como bispo de Pamplona, e o segundo para assumir a diocese de Amiens.

Saturnino fixou-se em Toulouse e logo foi consagrado como seu primeiro bispo. Embora houvesse um decreto do imperador proibindo e punindo com a morte quem participasse de missas ou mesmo de simples reuniões cristãs, Saturnino liderou os que ignoravam esse lei ímpia. Continuou com o santo sacrifício da missa, a comunhão e a leitura do Evangelho.

Assim, ele e outros quarenta e oito cristãos acabaram sendo descobertos, reunidos durante a celebração da missa num domingo. Foram presos e julgados no Capitólio de Toulouse. O juiz ordenou que o bispo Saturnino, como uma autoridade da religião cristã, sacrificasse um touro em honra a Júpiter, deus pagão, para convencer os demais. Como se recusou, foi amarrado pelos pés ao pescoço do animal, que o arrastou pela escadaria do templo. Morreu com os membros esfacelados.

O seu corpo foi recolhido e sepultado por duas cristãs. No local, um século mais tarde, Santo Hilário construiu uma capela de madeira, que logo foi destruída. Mas as suas relíquias foram encontradas no século VI por um duque francês, que mandou, então, erguer a belíssima igreja dedicada a ele, chamada, em francês, de Saint Sernin du Taur, que existe até hoje com o nome de Nossa Senhora de Taur. O culto ao mártir são Saturnino, bispo de Toulouse, foi confirmado e mantido pela Igreja em 29 de novembro.

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