Brasil: melhor produção e pior transporte

A infraestrutura de transporte brasileira é a pior entre dez das maiores economias globais (como Alemanha e Rússia), sendo superada até mesmo pela da Índia, que é considerada parâmetro negativo para o setor.

Segundo levantamento da consultoria Economist Intelligence Unit, faltam investimentos nas malhas rodoviária e ferroviária, são raras as estradas asfaltadas que atendem os padrões de excelência, e problemas de congestionamento são ‘célebres’. Para Robert Wood, analista da Economist Intelligence Unit, a malha brasileira corre o risco de ‘apagão’ nos próximos anos, especialmente com a realização da Copa, em 2014, e da Olimpíada, dois anos depois. Na visão do analista, falta estratégia de longo prazo para os investimentos. Wood critica ainda os planos do governo de construção do trem-bala ligando o Rio a São Paulo – Fonte: FSP, 22/12/2010.

Engarrafamento à frente

‘O Brasil se contenta com a colcha de retalhos do PAC, que privilegia obras sem prioridade, como o trem-bala e o asfaltamento da rodovia amazônica Manaus-Porto Velho (BR-319). Mesmo após oito anos de retórica sobre a reconstrução da capacidade de planejamento do Estado, o país permanece sem um programa integrado e ambicioso para logística. A malha ferroviária tinha meros 28.607 km em 2007, 172 km a menos que no primeiro ano do governo Lula.

Já a rede rodoviária alcançava mais de 211 mil km, a indicar por onde transita a prioridade. Mesmo assim, o país investe 0,1% do PIB em estradas, contra a média de 3,3% dos dez países, e 0,4% em ferrovias (contra 2,2%). A produção cresce, mas não os canais para escoá-la – eis a herança de Lula para Dilma na infraestrutura, e não é bem-vinda’.

Fonte: FSP, 23/12/2010, Editoriais.