Cansaço

O suspense cansa.

Imaginemos um carro à beira do precipício. Um verdadeiro abismo com todas as suas características, inclusive o convite gritante para a ação da força da gravidade. O vazio sobe no nosso peito, nos incomoda, o impacto do episódio nos impressiona. E se …? O motorista do carro, entretanto, está despreocupado. Os passageiros também. Mas a tragédia é para dentro de segundos.

Digamos que a cena seja a ilustração com a qual abrimos todos os dias nosso computador (que mau gosto, não?). Ao cabo de um ano, a ilustração só impressiona visitantes. Para nós, apenas causa bocejos. Ficou rotineira.

Hoje, como numa dança macabra, a tragédia se repete sem parar numa escala mundial. São desastres atrás de desastres. Filhos matam seus pais, mães assassinam seus filhos (nem estou falando do aborto). Professoras escandalizam seus alunos. A moralidade se precipita, como o carro do início deste artigo. Os homossexuais pretendem “casar-se”. O mais alto edifício de mundo é derrubado por terroristas (lembra-se?). Terroristas massacram 20 ou 50. Em alguma parte do globo, a cada 5 minutos acontece o martírio de um católico, segundo li neste mesmo site.

E as pessoas que deveriam dar brados de alerta, ter lágrimas de pranto, soltar clamores de indignação, bocejam.

Contribuem para o cansaço geral, limitando-se a dizer de vez em quanto: “É lamentável…” E ficam por aí. Eu também fico por aqui. A opinião pública assiste, cansada.

“Quais as causas dessa ingenuidade obstinadamente cega, que penetrou em tantos, grandes ou pequenos, cultos ou ignorantes, moços ou velhos?”, perguntava, nas páginas da Folha de S. Paulo, Dr. Plinio em 1968 (28 de agosto).

O fenômeno é o mesmo. Ele responde: “É o cansaço, o terrível cansaço de ser lógico, sério, coerente e arguto”. Sim, estaremos cansados, o excesso de informações na internet, imprensa, rádio, TV, continuando a produzir esta estafa.

Mas convém ter presente que o autor afirma, no mesmo artigo: “Pode-se dizer que em muitas guerras ou tensões internacionais, ganhou quem, até o fim, não se deixou penetrar por esse amolecimento fatal”.

Sejamos um destes. Sacudamos o torpor. O momento presente no-lo pede. Nossa Senhora nos ajudará.