O cão e a serpente

100118124503_brandon226Aconteceu nesta semana em um sitio. Na propriedade havia um canil, onde viviam contentes vários cães de guarda. De tamanho médio, sem pedigree nem ascendentes ilustres, eles se pareciam um tanto aos beagles que foram notícia ha um mês atrás.

O canil tinha um espaço razoável para eles se distenderem, e de vez em quando eles eram levados para um passeio pelas redondezas.

O recinto estava cercado por uma grade de arame instalada sobre uma mureta de tijolos. Mas na mureta havia uma fresta, suficientemente grande para por ela passar um animal com pouco volume, mas pequena para um animal de maior tamanho como um gato ou um cachorro.
Entrou presumivelmente por ali uma linda cobra coral toda colorida, cujo tamanho cabia sob medida naquela fresta.

Não sei qual foram as preliminares da horrorosa luta que se seguiu, quem tomou a iniciativa, mas imagino que a cobra tenha armado seu bote – com o corpo enrolado e a cabeça no alto – num daqueles tijolos da mureta. Passou perto um cachorro, era o Tec (irmão do Tac e do Tic), e a serpente não perdeu tempo e desfechou seu bote mortal.

O cão imediatamente valeu-se de sua força, de uma agilidade que não era pequena e de dentes  que por alguma coisa chamamos de caninos, e destroçou a cobra em pedaços. Tarde era! O veneno começou a surtir efeito e algum tempo depois ele caiu ali perto. Morto.

Sem vencedor nem vencido, ambos terminaram assim sua existência. O cachorro foi enterrado, talvez com a serpente a seu lado ou a seus pés.
Qual a moral da história? Jamais deixe frestas. Nas nossas lutas, estejamos vigilantes para a malícia da serpente, pois de nada adianta só a força bruta: estejamos atentos aos botes, aos venenos, mesmo quando eles vêm sinuosos, coloridos e belos.

Mas devagar: as cobras também têm qualidades. Nosso Senhor não disse que os apóstolos deveriam ser “astutos como as serpentes, e simples como as pombas”?

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1 –  O Tec talvez não tivesse morrido, se fosse astuto como a coral…