Esplendores do Vaticano

Muitos são aqueles que negam o papel civilizatório e impulsionador do verdadeiro progresso da Igreja Católica acusando-A, irracionalmente, de obscurantista, atrasada, retrógrada, inimiga da ciência etc., mas se se derem o trabalho de se locomover até o Oca (Parque do Ibirapuera), portão 3 e dispor de R$ 44,00 poderão ver a exposição “Esplendores do Vaticano” e terão a oportunidade de negar o óbvio diante dos objetos que provam o contrário.

Porém, os admiradores da verdade poderão fortalecer sua fé. É o que se pode depreender da leitura da reportagem que abaixo resumimos:

De olho no Vaticano

Silas Martí

São Paulo — Vindo direto das salas, depósitos e arquivos do Vaticano, um conjunto de cerca de 200 peças conta parte da história do cristianismo ao longo dos últimos 2.000 anos. Esse recorte de obras de arte, relíquias arqueológicas e objetos da Igreja Católica chega amanhã à Oca, em São Paulo, numa dessas exposições que têm tudo para causar grandes filas e arrebatar o público mais devoto.

“São objetos que não ficam expostos nem mesmo no Vaticano, muitos nunca saíram de lá”, diz o monsenhor Roberto Zagnoli, organizador da mostra. “Essas obras se pautam pela beleza, pela busca de uma espiritualidade comum entre os homens, que vai além da expressão da fé.”

Entre as peças, há obras de Michelangelo — um baixo-relevo da Pietà e uma réplica da escultura da basílica de São Pedro — que ajudam a entender o papel de mecenas exercido pela igreja e os laços entre arte e fé, já que o artista dedicou quase toda a vida a encomendas monumentais do alto clero. No caso do mestre renascentista, a escultura em baixo-relevo, uma obra do final de sua vida, contrasta com a perfeição das formas que ele buscou em sua juventude.

Rostos do cristianismo — Pirotecnias à parte, peças menores, como dois anjos em madeira dourada do ateliê de Gian Lorenzo Bernini, um dos maiores nomes do barroco e artífice da modernização urbana de Roma, também integram a exposição. Embora não haja grandes pinturas, quatro afrescos remanescentes da igreja de São Paulo, destruída num incêndio em 1823, e o rosto de Jesus Cristo pintado por Giovanni Francesco Barbieri, o Guercino, dão cara aos personagens do cristianismo. Guercino, aliás, retratou o rosto de Jesus como ele teria aparecido no sudário usado para enxugar seu sangue e suas lágrimas na Via Crucis.

“Essa é uma maneira tradicional de retratar a figura de Cristo, com as gotas de sangue sobre o rosto e a coroa de espinhos”, analisa Zagnoli. “Parece algo muito real, dá vontade de tocar.”

Esplendores do Vaticano; Quando abre amanhã; de seg. a dom., das 10h às 20h; até 23/12

Onde Oca (pq. Ibirapuera, portão 3, tel. 4003-5588); Quanto R$ 44,00.