“Vestir o boné da Via Campesina foi um gesto importante”, declarou um coordenador do MST, passando o recibo do caráter simbólico do ato.

O jornal O Estado de São Paulo de 25 de agosto p.p. noticia a audiência concedida pelo novo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, a representantes do movimento Via Campesina. Nesse encontro, o ministro, após receber presentes, fez questão de se deixar fotografar com o boné que ganhara, mostrando disposições bastante preocupantes.

Cerca de mil trabalhadores rurais (ao menos autoproclamados como tais…) permaneceram acampados em Brasília na semana passada, após uma série de invasões realizadas no intuito de pressionar alguns ministros a atenderem a suas reivindicações. Recebidos pelo novo Ministro da Agricultura, fizeram questão de presenteá-lo com um boné do movimento. O Ministro, tido até aí por moderado, não teve dificuldade em usar o presente para uma foto. “Vestir o boné da Via Campesina foi um gesto importante”, declarou um coordenador do MST, passando o recibo do caráter simbólico do ato.

Em linguagem popular, “vestir a camisa” significa aderir a uma causa, querer sua vitória. “Vestir o boné” não é em nada diferente; talvez até mais comprometedor, visto ser a cabeça a parte do corpo mais própria a representar os desígnios de um homem. Ora, “vestir o boné” de um grupo como a Via Campesina, verdadeira multinacional das invasões, no momento mesmo em que o desprestígio dos movimentos “sem-terra” chega a um auge, mostra disposição de forçar sua ressurreição. Quase sepultados pelas cinzas do repúdio popular, quer-se reavivar tais movimentos, quais fênix forjadas pela própria oficialidade governamental! Para quem acreditou na boa vontade de certos personagens, é uma boa lição…

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