Apóstolo e patrono da Armênia, que lhe deu o título de “Iluminador” por ter ele extraído das trevas do paganismo o povo armênio, levando-o à luz, que é Cristo, como diz São João (1, 4).

No entanto, São Gregório não foi o primeiro a introduzir o cristianismo no país pois, segundo a tradição local, os primeiros evangelizadores foram nada menos que dois Apóstolos, São Bartolomeu e São Judas Tadeu.

Seja como for, é certo que houve cristãos, mesmo bispos, na Armênia, antes de São Gregório. De acordo com Eusébio, em sua História Eclesiástica, um bispo de Alexandria, Dionísio (248-265), ter-lhes-ia escrito uma carta sobre a penitência. Esta igreja primitiva foi destruída pelos persas, e o país recaiu no paganismo.

Consta então que um parta, chamado Anak, assassinou o rei armênio Khosrov, e tentou exterminar toda a família real do país. Mas um filho de Khosrov, Trdat (Tiridates), escapou, foi treinado no exército romano e, finalmente voltou para expulsar os persas e restaurar o reino armênio.

Ora, segundo a tradição local, São Gregório era primo de Tiridates (+314). Pois era oriundo de uma ilustre família armênia, e tinha tornado-se cristão em Cesaréia, na Capadócia. Casado, tinha dois filhos.

Acontece que Tiridates praticava a antiga religião pagã armênia, e quando descobriu que Gregório tinha se tornado cristão, prendeu-o por 14 anos na prisão do palácio. Porém o rei foi depois atacado por doença repugnante, e lhe informaram que seu primo, que estava na prisão, o poderia curar com suas orações. Libertado, Gregório conseguiu ao rei a saúde, converteu-o, e o batizou, a ele e à toda sua corte. Foi assim que o cristianismo se tornou a religião oficial da Armênia.

Isso aconteceu enquanto Diocleciano era Imperador (284-305), de modo que se pode dizer que a Armênia tem o direito de reivindicar ser o primeiro Estado cristão. Os templos foram transformados em igrejas, e os armênios batizados aos milhares, sendo o resto do paganismo destruído.

Entrementes Gregório voltou para Cesaréia, para ser ordenado. Ele não só recebeu a ordenação sacerdotal, mas o bispo Leôncio de Cesaréia, o sagrou bispo dos armênios. A partir deste momento até o cisma monofisista, a Igreja da Armênia dependeu de Cesaréia, e os primazes armênios (chamados Catholicoi, e depois, muito mais tarde, patriarcas) iam lá para serem ordenados.

Gregório estabeleceu outros bispos em toda a Armênia, e fixou sua residência em Ashtishat, na província de Taron, onde o antigo templo pagão havia sido transformado na igreja de Cristo. Essa se transformou assim na “mãe de todas as igrejas armênias”.

O santo pregava na língua nacional, e a usava também na liturgia. Isso ajudou a dar à Igreja Armênia o caráter marcadamente nacional que ainda tem, talvez mais do que qualquer outra na cristandade.

No final de sua vida, Gregório se aposentou, e foi sucedido como Catholicos por seu filho Aristakes. Depois retirou-se para a solidão, para preparar-se para a morte. O santo morreu em 325, e foi enterrado em Thortan. Um mosteiro foi construído cerca de seu túmulo. Suas relíquias foram depois levadas para Constantinopla, mas aparentemente voltaram à Armênia. Parte delas teria sido levada para Nápoles durante os problemas dos Iconoclastas.

A Igreja Armênia, chamada “gregoriana”, não tardou a se afastar tanto de Bizâncio, quanto de Roma, tornando-se cismática. Ficou autocéfala, e hoje uma ínfima parte dos armênios expatriados estão unidos à Sé romana. Tanto esses quanto os cismáticos celebram São Gregório, o Iluminador, como seu grande santo.

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