Esse santo nascido por volta de 840,  está mais vivo na memória popular da Inglaterra do que em tantas páginas de documentos históricos. Os dados sobre ele são mais abundantes sobre sua morte que sobre sua vida.

Rei de East Anglia, segundo fontes muito confiadas, era descendente dos anteriores reinos desse país.

Segundo a tradição, o rei Offa, que governava a East Anglia, desejando terminar seus dias na piedade e penitência, passou sua coroa a seu herdeiro, que viveu só cinco meses. Então Edmundo, que tinha apenas 15 anos e era também descendente dos antigos reis anglo-saxões, foi coroado na noite de Natal do ano de 885.

Sabemos que ele foi o último rei desse território no leste da Inglaterra, formado principalmente pelos condados de Norfolk e Suffolk, em tempos muito difíceis para toda a Inglaterra, continuamente atacada pelos dinamarqueses.

De acordo com vários historiadores, as qualidades morais de Edmundo tornaram-no modelo dos bons reis. Tinha grande aversão aos lisonjeiros, e toda sua ambição era a de conservar a paz e assegurar a felicidade de seus súditos, principalmente dos pobres, viúvas e órfãos. Ou seja, dos mais fracos e necessitados de sua proteção.

Isso tudo tinha como fundamento sua profunda piedade e fervor no serviço de Deus. A exemplo dos monges e de outras pessoas religiosas da época, aprendeu o Saltério de cor, para o poder rezar todos os dias.

No décimo quinto ano de seu reinado, desembarcaram na Inglaterra os príncipes dinamarqueses Hinguar e Hubla, verdadeiros piratas, e invadiram a East Anglia.

No início eles se dedicaram ao saque e à destruição usuais. Depois pretenderam entabular negociações. Edmundo, que estava convicto que o que eles queriam era estabelecer seu domínio sobre seu reino, os repeliu, e eles retornaram para seu país.

 Não muito tempo depois, os dois chefes dinamarqueses retornam à Inglaterra com um exército muito maior. Edmundo, vendo-se impotente para enfrentá-los e desejando evitar um massacre de suas tropas, resolveu fugir para o castelo de Framlingham. Mas, na viagem foi surpreendido por eles, carregado de pesadas cadeias, e levado à tenda do seu general.

Os dinamarqueses fizeram-lhe novas propostas de que renunciasse sua religião e se aliasse a eles, mas Edmundo respondeu com firmeza que a religião lhe era mais cara que a vida, e que nunca consentiria em ofender a Deus. Ataram-no então a uma árvore, onde o açoitaram cruelmente, sofrendo ele todos os maus tratos com paciência invencível, invocando o sagrado nome de Jesus.

Sua constância exasperou aqueles cruéis pagãos, que começaram a lhe lançar flechas. O general danês mandou então que lhe cortassem a cabeça.

Edmundo recebeu assim a palma do martírio a 20 de novembro de 870.

Enterrado em Hoxne, suas relíquias foram removidas no século décimo para Beodricxworth, cerca de 50 k de Cambridge, que desde então ficou chamada Edmunsbury, onde está a famosa abadia com o mesmo nome. Foi fundada na Inglaterra uma congregação de padres em sua homenagem, os Padres de Santo Edmundo. O santo é representado com uma espada e uma flecha nas mãos, instrumentos do seu martírio.

Já canonizado por seus compatriotas, mais tarde a Igreja o proclamou patrono da Inglaterra.

Os ingleses o consideram mártir, e dedicaram-lhe numerosas igrejas. Também o Martirológio Romano lhe dá o título de mártir.

Sua morte marca o fim do reino de Est Anglia, mas a Inglaterra fica repleta de seu nome. O jovem rei derrotado se torna uma bandeira. Antes do final do século, uma moeda cunhada durante seu reinado já era chamada de “centavo de São Edmundo”. Dele diz o Martirológio Romano Monástico neste dia: “No ano da graça de 870, a morte sangrenta de Santo Edmundo, rei da Est Ânglia. Capturado pelos dinamarqueses, que não conseguiram fazê-lo apostatar, foi decapitado. Um mosteiro recebeu seu nome, e contribuiu para a difusão de seu culto no século XI”.

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