Socialismo é uniformidade, é massificação, é ditadura na igualdade.

Erra também o Sínodo da Amazônia, levado por sonhos utopistas, considerando que o homem deve integrar-se com a Natureza. Dizem os eco-tribalistas que é preciso alcançar a Ecologia Integral, não muito diferente de um panteísmo dissimulado.

Ensina, pelo contrário, São Boaventura: “A Criação do mundo é como um livro no qual resplandece, manifesta-se e se lê a Trindade criadora em três graus de expressão, isto é, como vestígio, como imagem e como semelhança” (São Boaventura, Breviloquium, 2-12).

Para os contra revolucionários (*), a Unidade na Variedade (na Criação) é uma Lei da Estética do Universo a qual facilmente nos leva a Deus e ao mesmo tempo mostra a fraqueza da massificação, da padronização, da socialização. É nossa resposta adequada aos erros incubados no Sínodo da Amazônia.

Mostramos, no último artigo, que a diversidade das raças (branca, negra, amarela) na unidade do gênero humano constitui uma beleza única. Que a diversidade das cores nas pedras preciosas constitui o esplendor no reino mineral. https://ipco.org.br/o-charme-da-raca-negra-a-luta-de-racas-uma-revolta-contra-a-desigualdade-na-criacao/

***

Que relação tem tudo isso com Deus, Autor da Criação? Com Nosso Senhor, com Nossa Senhora?

Reproduzimos um trecho de conferência do Prof. Plinio num Congresso da Ordem do Carmo, 1958.

Deus, Causa Exemplar do Universo

      “Insisto na ideia de universo de beleza, porque habitualmente em nossos dias se considera de preferência o universo como uma grande máquina de funcionamento perfeito. (…)

“Mas há um outro aspecto do universo relacionado com Deus enquanto causa exemplar, enquanto Ser incriado e infinitamente belo que se reflete de mil maneiras em todos os outros seres que Ele criou. De maneira tal que não há nenhum ser que a um título ou outro não seja um reflexo da beleza incriada de Deus.

“Mas, sobretudo, a beleza de Deus se revela no conjunto hierárquico e harmônico de todos esses seres de tal maneira que não há, em certo sentido, um modo melhor de conhecermos a beleza infinita e incriada de Deus do que analisando a beleza finita e criada do universo considerado, não tanto em cada ser, mas no conjunto de todos eles.”

 

Corpo Místico de Cristo, obra mais perfeita do que o Cosmos

“Deus se reflete, ainda, em uma obra prima mais alta e mais perfeito do que o Cosmos. É o Corpo Místico de Cristo, a sociedade sobrenatural que veneramos com o nome da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana. Constitui Ela mesma todo um universo de aspectos harmônicos e variegados, que cantam e refletem, cada um a seu modo, a formosura santa e inefável de Deus e do Verbo Encarnado.

A contemplação da beleza do Universo um passo para contemplar a Santa Igreja

Sainte Chapelle, Paris

“Na contemplação, de um lado, do universo e de outro lado, da Santa Igreja Católica, podemos elevar-nos à consideração da beleza santa, infinita e incriada de Deus.

“Há um conjunto de regras de estética que nos podem facilitar o conhecimento da beleza que Deus pôs no universo, como ponto de partida para subirmos à consideração de sua beleza incriada.

Unidade na Variedade, regra fundamental da perfeição

“A mais fundamental dessas regras é a Coexistência harmônica da Unidade e da Variedade. Em vez de nos atermos, entretanto, a uma enumeração e uma definição fria desses princípios seria, talvez, mais interessante que os consideremos enquanto realizado em alguns dos seres que mais facilmente nos caem debaixo dos olhos.

Comecemos pelo mar: unidade e variedade

“Um dos primeiros elementos de sua grandeza é precisamente a unidade. Todos os mares da Terra comunicam-se entre si e constituem uma imensa massa de água que cinge o globo terrestre. Assim, postos em qualquer ponto do mundo, uma das considerações mais agradáveis que nos é dado fazer, é lembrar que a imensa massa líquida que se estende diante de nós, até as fímbrias do horizonte não se encerra ali, e tem atrás de si imensidades a que se sucedem outras imensidades para formar a grande e única imensidade do mar que se move, que se joga e que brinca por toda superfície da terra.

“Mas ao mesmo tempo que o mar nos apresenta essa unidade esplêndida, impressiona pela grande variedade que nele podemos observar.”

 

Diversidade do mar (variedade) no grande fundo de uma unidade

“Ora, todas essas diversidades do mar não teriam para nós concatenação nem encanto, se não se apresentassem sobre o grande fundo de uma unidade fixa, invariável e grandiosa. Esta é a beleza da unidade na variedade do mar.

” Devemos, entretanto reconhecer que a variedade do mar é um tão poderoso elemento de beleza por não ser uma variedade qualquer, mas oferecer em alto grau os caracteres específicos da verdadeira variedade harmônica.

— Convidamos nossos leitores a acompanhar o desenvolvimento dado pelo Prof. Plinio, descrevendo os múltiplos aspectos da Variedade nos movimentos, cores, contrastes, https://www.pliniocorreadeoliveira.info/DIS_1958-11-15_Congresso_Ordem_3a_do_Carmo.htm

A Variedade considerada no firmamento

Continua o Prof. Plinio:

“Há por outro lado uma forma de variedade que não é tão nítida no mar, mas é muito relevante no céu: A Variedade do Progresso.

Há no firmamento uma variedade de aspectos que vem desde a aurora até a noite posta, de maneira tal que oferece um quadro encantador, primaveril, matutino na aurora, depois vem ganhando em colorido, em força, e em majestade até chegar à gloriosa plenitude do meio dia.

“Em seguida ele se vai esvaindo lentamente até chegar às tristezas do crepúsculo e por fim ele toma o seu aspecto noturno. Este se conserva mais ou menos contínuo e imóvel até os primeiros clarões da aurora.

“Há, assim ao longo do dia uma harmoniosa sucessão de aparências que vão dos primórdios ao apogeu, e deste à decadência, num processo de progresso e retrocesso, ciclo de aspectos variados que o céu percorre.

Princípio monárquico aplicado ao firmamento: o Sol

“Outro princípio de variedade, que confere ao céu uma beleza peculiar é o Princípio dito Monárquico: a ordenação das múltiplas formas e variedades em torno de um elemento ou ponto central em função do qual elas se harmonizam e reciprocamente se explicam.

“É o papel do Sol no firmamento. Em função dele, no céu, todas as variedades não são senão fundos de quadro que cooperam para realçar de mil modos em toda a sua beleza.

 

A beleza do mar e do firmamento são reflexos da beleza incriada de Deus

“Assim temos os vários princípios da beleza realizados no mar e no céu, isto é, em duas criaturas que estão constantemente debaixo dos nossos olhos e que são esplêndidas semelhanças da beleza incriada e espiritual de Deus, Nosso Senhor.”

“Mas sabemos pela doutrina católica que se a formosura de todas essas coisas é imagem de Deus, Espírito puro e infinitamente perfeito, assim também, já que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, elas são também imagens do homem, e que o céu e o mar, em seus vários estados, fazem lembrar a alma humana, em suas várias disposições, o jogo complexo das paixões humanas, as virtudes da alma humana quando esta realmente reflete a santidade de Deus, Nosso Senhor.

Os 3 graus: beleza nos seres irracionais, no homem, em Nossa Senhora

“Desta maneira essas regras de estética são para nós meios para considerarmos a verdadeira beleza da santidade no homem. No homem, sim, e, pois, na mais alta de todas as meras criaturas, em Nossa Senhora, que, com tanta e tão esplêndida propriedade, tem sido e deve ser comparada quer ao céu quer ao mar.

“Alma de uma imensidade inefável, alma na qual todas as formas de virtude e de beleza existem com uma perfeição supereminente da qual nenhum de nós pode ter uma ideia exata, Nossa Senhora é bem aquele mar, aquele céu de virtudes diante do qual o homem deve ficar estarrecido e enlevado e que com todas as suas forças deve procurar amar e imitar.

Unidade na variedade em Nossa Senhora

“Em Nossa Senhora se encontra também, a mesma unidade na variedade dos dons de Deus. Isto se nota bem no fato de que sendo una Ela se apresenta a nos na variedade admirável das suas invocações.

“Ela é Nossa Senhora da Paz. Ela é a Nossa Senhora das Dores, Ela é Nossa Senhora da Boa Morte. Nela todos os contrastes se harmonizam. Ela é ao mesmo tempo “Auxílio dos Cristãos”, mas “Refúgio dos Pecadores”, Ela é glorificada pela sua humildade incomparável, mas todos os videntes que tiveram a felicidade de A contemplar nas suas aparições comentam a sua soberana majestade.

“Ela é Nossa Senhora que se nos apresenta a nós “Ut Castrorum Acies Ordinata” mas ao mesmo tempo Ela é “Mater Clementiae et Misericordiae”. Poderíamos fazer um estudo de Nossa Senhora com o auxílio dos mesmos princípios que nós aplicamos na análise do céu e do mar.

“Quem, por exemplo, pode olhar melhor numa perfeita harmonia contrastes aparentemente irreconciliáveis, de que a Virgem Mãe chamada a Virgem das Virgens, que poderia muito lícita e validamente também ser chamada a Mãe das Mães. Ninguém mais plenamente mãe, Mãe por excelência, do que Ela. Ninguém mais plenamente virgem, Virgem por excelência do que Ela também.” https://www.pliniocorreadeoliveira.info/DIS_1958-11-15_Congresso_Ordem_3a_do_Carmo.htm#.XwTclShKhPY

***

Vimos a Lei da Unidade na Variedade e sua aplicação à Nossa Senhora. Deus como Causa Exemplar do Universo.

Afirma São Boaventura: “A Criação do mundo é como um livro no qual resplandece, manifesta-se e se lê a Trindade criadora em três graus de expressão, isto é, como vestígio, como imagem e como semelhança” (São Boaventura, Breviloquium, 2-12).

“Imagem e semelhança” aplicam-se somente aos homens, porque têm alma; “vestígios”, aos seres irracionais.

Deus como causa exemplar do Universo nos fornece um excelente meio de meditação e ao mesmo tempo nos mostra a vulgaridade, pobreza, a massificação e o horizonte bitolado do socialismo, do petismo, do comunismo.

(*)  Baixe  o pdf do livro gratuitamente https://pliniocorreadeoliveira.info/RCR01.pdf

 

Deixe uma resposta