Formação: Revolução Francesa (R-CR)

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Após descrever a Renascença e o Humanismo, na sequência do livro Revolução e Contra Revolução (R-CR), o Prof. Plinio trata da Revolução Francesa.

C. Revolução Francesa

“A ação profunda do Humanismo e da Renascença entre os católicos não cessou de se dilatar numa crescente cadeia de conseqüências, em toda a França. Favorecida pelo enfraquecimento da piedade dos fiéis – ocasionado pelo jansenismo e pelos outros fermentos que o protestantismo do século XVI desgraçadamente deixara no Reino Cristianíssimo – tal ação teve por efeito no século XVIII uma dissolução quase geral dos costumes, um modo frívolo e brilhante de considerar as coisas, um endeusamento da vida terrena, que preparou o campo para a vitória gradual da irreligião.
Dúvidas em relação à Igreja, negação da divindade de Cristo, deísmo, ateísmo incipiente foram as etapas dessa apostasia.
“Profundamente afim com o protestantismo, herdeira dele e do neopaganismo renascentista, a Revolução Francesa realizou uma obra de todo em todo simétrica à da Pseudo-Reforma.

“A Igreja Constitucional que ela, antes de naufragar no deísmo e no ateísmo, tentou fundar, era uma adaptação da Igreja da França ao espírito do protestantismo. E a obra política da Revolução Francesa não foi senão a transposição, para o âmbito do Estado, da “reforma” que as seitas protestantes mais radicais adotaram em matéria de organização eclesiástica:

“– Revolta contra o Rei, simétrica à revolta contra o Papa;

“– Revolta da plebe contra os nobres, simétrica à revolta da “plebe” eclesiástica, isto é, dos
fiéis, contra a “aristocracia” da Igreja, isto é, o Clero;

“– Afirmação da soberania popular, simétrica ao governo de certas seitas, em medida maior ou menor, pelos fiéis.”

Comenta o Prof. Plinio em seu livro Nobreza e Elites Tradicionais Análogas

Apêndice II – A trilogia revolucionária

Liberdade, Igualdade, Fraternidade:

falam diversos Papas

6. Os princípios revolucionários de 1789 continham a suma dos ensinamentos dos falsos profetas

Alocução de Bento XV por ocasião da promulgação do decreto sobre a heroicidade das virtudes do Bem-aventurado Marcelino Champagnat (*), em 11 de Julho de 1920, pronunciou a alocução da qual extraímos os seguintes trechos:

“Basta considerar os princípios do século XIX para reconhecer que muitos falsos profetas apareceram em França, e a partir daí se propunham difundir por toda a parte a maléfica influência das suas perversas doutrinas. Eram profetas que tomavam ares de vingadores dos direitos do povo, preconizando uma era de Liberdade, de Fraternidade, de Igualdade. Quem não via que estavam disfarçados de cordeiros `in vestimentis ovium’?

“Mas a Liberdade preconizada por aqueles profetas não abria as portas para o bem, e sim para o mal; a Fraternidade por eles pregada não saudava a Deus como Pai único de todos os irmãos; e a Igualdade por eles anunciada não se baseava na identidade de origem, nem na comum Redenção, nem no mesmo destino de todos os homens. Eram profetas que pregavam uma igualdade destrutiva da diferença de classes querida por Deus na sociedade; eram profetas que chamavam irmãos aos homens para lhes tirar a ideia de sujeição de uns em relação aos outros; eram profetas que proclamavam a liberdade de fazer o mal, de chamar luz às trevas, de confundir o falso com o verdadeiro, de preferir aquele a este, de sacrificar ao erro e ao vício os direitos e as razões da justiça e da verdade.

“Não é difícil compreender que esses profetas vestidos com pele de ovelha, intrinsecamente, quer dizer, na realidade, tinham de aparecer como lobos rapaces: `qui veniunt ad vos in vestimentis ovium, intrinsecus autem sunt lupi rapacis’ [aproximam-se de vós com peles de ovelha, mas na realidade são lobos rapaces].

“Não é de se maravilhar que contra tais falsos profetas devesse ressoar uma palavra terrível: `guardai-vos deles!’, `attendite a falsis prophetis’.

“Marcelino Champagnat ouviu essa palavra; entendeu também que não tinha sido dita só para ele, e pensou em tornar-se o eco dela junto aos filhos do povo, que via serem os mais expostos a cair vítimas dos princípios de 1789, devido à própria inexperiência e à ignorância dos seus pais em matéria de religião ….

“`Attendite a falsis prophetis’: eis as palavras que repetia aquele que almejava deter a torrente de erros e vícios que, por obra e graça da Revolução Francesa, ameaçava inundar a Terra. `Attendite a falsis prophetis’: eis as palavras que explicam a missão que Marcelino Champagnat abraçou; palavras que não devem ser sepultadas no esquecimento por quem quiser estudar a sua vida.

“Não deixa de ter interesse a comprovação do facto de que Marcelino Champagnat, nascido em 1789, foi destinado a combater, na sua aplicação prática, precisamente os princípios que tomaram o nome do ano do seu nascimento, e depois obtiveram triste e dolorosa celebridade.

“Para justificar a sua obra, ter-lhe-ia bastado continuar a leitura do Evangelho de hoje, porque um simples olhar sobre as chagas que os princípios de 89 abriram no seio da sociedade civil e religiosa, patenteariam como aqueles princípios continham a suma do ensino dos falsos profetas: `a fructibus eorum cognoscetis eos’….

“Ao incremento das casas dos Pequenos Irmãos de Maria [Irmãos Maristas], e à boa orientação dos jovens nelas acolhidos, coadjuvou sem dúvida Nossa Senhora, por meio de uma imagem que apareceu, depois desapareceu, e finalmente foi de novo encontrada. Verdadeiramente maravilhoso foi aquele primeiro incremento, só explicável pelo sucessivo aumento, também tão extraordinário, que antes do décimo lustro da sua fundação, cinco mil religiosos do novo Instituto davam sadia instrução a cem mil meninos espalhados por todas as regiões do orbe.

“Se o Venerável Champagnat tivesse adivinhado, com profética luz, tão admirável efeito, lamentar-se-ia certamente do excessivo número de meninos que ainda permaneciam sumidos nas sombras da morte e nas trevas da ignorância, e teria deplorado, mais ainda, não ter podido impedir melhor o nefasto desenvolvimento da perniciosa semente espalhada pela Revolução Francesa. No entanto, um sentimento de profunda gratidão a Deus, pelo bem realizado pela sua Congregação, tê-lo-ia obrigado a dizer que, assim como dos péssimos frutos do ensino de alguns profetas contemporâneos seus, se deduzia a sua falsidade, assim o amadurecimento dos bons frutos da sua obra mostravam a bondade dela: `Igitur ex frutibus eorum cognoscetis eos'” (*).

http://”Nobreza e elites tradicionais análogas nas Alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana” (págs. 207 a 209):

“A Liberdade, Igualdade e Fraternidade são uma fórmula que mais ou menos todo o mundo já ouviu, e que todo o mundo tem a idéia surrada e admitida como verdadeira sempre de que é uma formula muito boa, muito simpática, e que enuncia verdades muito benfazejas. Os senhores estão vendo, na realidade, o que é que enuncia.

“Bento XV faz uma distinção. Ele toma as palavras no seu sentido próprio e mostra como elas enunciam erros doutrinários gravíssimos. Depois mostra como de fato a aplicação desses erros na vida produzem efeitos ruinosos, efeitos que levam à destruição da sociedade civil.” https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Mult_940624_Revolucao_Francesa.htm#.YdyQuWjMKMo

(*) “L’Osservatore Romano”, 12-13/7/1920, 2ª ed.


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