São Francisco Xavier (1506 – 1552) tem sua festividade litúrgica celebrada neste dia 3 de dezembro. Em memória desta grande data, segue um comentário de Plinio Corrêa de Oliveira, proferido numa conferência no dia 2 de dezembro de 1966.

Na biografia de São Francisco Xavier de Daurignac, encontra-se o seguinte trecho de uma carta a D. João III, rei de Portugal, escrita pelo santo:

“Senhor, deveis temer que quando Deus citar Vossa Alteza a comparecer perante Si, o que acontecerá infalivelmente e talvez em um momento em que menos espereis, e quando não haja razões ou esperança de declinar aquele tribunal, deveis temer, grande príncipe, que aquele Juiz, irritado, vos dirija essas terríveis palavras de acusação: Por que não tendes procedido com rigor contra vossos ministros, contra os vossos vassalos que nas Índias conspiravam contra Mim, e não receavam declarar-se em estado de rebelião? Por que razão a vossa severidade não pode feri-los senão quando eles eram negligentes na arrecadação dos impostos e na administração das vossas finanças?

“Senhor, ignoro que valor poderão ter as vossas escusas quando responderdes: Senhor, eu escrevia todos os anos para aqueles países e todos os anos recomendava o maior zelo, os maiores trabalhos pela Vossa glória e pelo literal cumprimento de Vossos preceitos. Não vos responderá então Deus: Pois bem, mas vós deixáveis impunes todos aqueles que se mostravam indiferentes a essas ordens”.

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Observem com que liberdade um grande santo se dirige a um grande rei — um dos potentados da Terra naquele tempo — e como o desempenho do mandato apostólico leva a pessoa a ter uma franqueza e um denodo, que antigamente tinha um lindo nome: “franqueza apostólica”.

É a franqueza do apóstolo, a franqueza de quem representa a Deus e tem o direito de falar desse modo. E, portanto, tem o direito de dizer as coisas mais desagradáveis e tem o direito de ser ouvido. E fazendo uso desse direito, São Francisco Xavier falava ao rei e obtinha provavelmente ao menos alguma inflexão na linha de conduta real. Mas ainda que não obtivesse, não vem ao caso. As brasas estavam acesas sobre a cabeça do rei e quando ele morresse, teria que prestar contas a Deus.

Notem como tudo isso é lógico e belo… e como tudo isso está envelhecido! Envelhecido não por uma senectude, por uma velhice intrínseca, não porque em si mesmas essas coisas tenham envelhecido. Mas porque os homens decaíram de tal maneira que não aceitam esses princípios e não querem mais ouvir essa linguagem. E afirmam caluniosamente que é uma linguagem de um desalmado, sem caridade, sem espírito católico.

Ora, aqui está a linguagem de um dos maiores santos da Igreja Católica: São Francisco Xavier. Esta era a linguagem dos santos e não a atual linguagem adocicada de ecumenismo falso, de irenismo, de quantas outras coisas que assim haja.

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