Sendo Catolicismo uma publicação da Editora Padre Belchior de Pontes, não poderíamos omitir uma homenagem a esse heróico sacerdote jesuíta, nascido em 6 de dezembro de 1644 e falecido no dia 22 de setembro de 1719.

Consideramos um dever difundir a história de nosso patrono, tão injustamente esquecida neste Brasil ao qual ele fez tanto bem.

Catolicismo publicou em seu número de março de 1968 um extenso artigo sobre a vida desse admirável missionário, taumaturgo e profeta, que exerceu seu sacerdócio em São Paulo, então Vila de São Paulo do Campo de Piratininga. O leitor interessado pode encontrá-lo no link abaixo indicado.*

Nesta página dedicada a recordar os 300 anos de seu falecimento, publicaremos tão-só algumas linhas a seu respeito, baseadas no livro Vida do Venerável Padre Belchior de Pontes, de autoria do Pe. Manoel da Fonseca, publicado em Lisboa em 1752.

Ainda muito menino, Belchior já possuía grande devoção a Nossa Senhora. Quando tinha apenas seis anos, sua mãe, Ignez Domingues Ribeyra, estando enferma, pediu ao esposo que a levasse ao médico da Vila, mas que passassem antes pela Capela de Pinheiros (fundada pelo Pe. José de Anchieta), onde se venerava uma imagem de Nossa Senhora do Monte Serrat. Depois de ali rezarem, seguiram em busca do médico. Mas quando este examinou Da. Ignez, duvidou que ela tivesse estado doente algum dia…

Ouvindo contar os feitos de São Francisco Xavier no Oriente, e os trabalhos dos Veneráveis José de Anchieta e João de Almeida em sua própria terra, Belchior resolveu imitá-los, entrando em sua milícia, a Companhia de Jesus. Seguiu para a Bahia, onde fez o noviciado e completou os estudos. Já professo, foi elevado ao sacerdócio e enviado pelos superiores às missões de São Paulo, que muito o atraíam.

Vitral do Pe. Belchior de Pontes na paróquia São Luiz Gonzaga, dos Padres Jesuítas, na Avenida Paulista, em São Paulo.
Vitral do Pe. Belchior de Pontes na paróquia São Luiz Gonzaga, dos Padres Jesuítas, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Durante 40 anos labutou nas aldeias de “Taquacocetyba, Mboy, São Joseph (dos Campos), Jacarey, Nazareth, Araçariguama, Marueri, Itapycyryca”. Seu zelo não o reteve no distrito de São Paulo, mas levou-o mais longe: “Ytu, Guaratinguetá, Taubaté, os sertões de Minas Gerais; percorreu ainda a costa até Pernaguá, subindo dali às Serras de Corityba”.

Para todos os contemporâneos do Padre Belchior, ele foi um modelo de pureza, sendo essa virtude nele tão conhecida, que à sua chegada os impuros mudavam de conversa, temendo suas vigorosas repreensões. Nada lhe parecia excessivo quando se tratava de conservar a virtude angélica. Além da frequente meditação da Paixão de Cristo e das dores de Nossa Senhora, usava de rigorosíssima guarda do olhar, para que através dele não lhe entrasse no coração o veneno da impureza. Era de uma vigilância meticulosa na matéria.

Dentre as inúmeras predições desse glorioso varão, encontra-se sua profecia sobre a Guerra dos Emboabas e o segundo levantamento das Minas Gerais, ocorrido em 1720, ao tempo do Conde de Assumar.

Contava o venerável sacerdote 73 anos quando seus superiores o mandaram assistir na Fazenda de Araçariguama, onde permaneceu por dois anos, apesar das fadigas e dos achaques. Acometido por doença grave, os membros da comunidade procuraram aliviá-lo com todos os remédios conhecidos, mas ele os dissuadia, dizendo que aquele mal era de morte.

Tendo piorado muito, o Padre Simão Álvares, que o assistia, administrou-lhe a Santa Unção e o Viático, tendo sido instruído por ele sobre como proceder. O Padre Belchior pediu-lhe que no dia seguinte rezasse a Missa dos agonizantes, e na hora derradeira a oração de Santo Anselmo, bem como lesse a Paixão de Cristo.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Embu (SP)
Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Embu (SP)

Conforme era costume nas comunidades religiosas, quiseram assisti-lo durante a noite, mas o servo de Deus lhes recomendou que fossem descansar, pois não morreria antes das 3 horas da tarde seguinte. E a morte de fato ocorreu como previsto. Às 15 horas daquela sexta-feira, cerrou os olhos pronunciando os dulcíssimos nomes de Jesus e Maria. Era o dia 22 de setembro de 1719.

O Padre Mestre Joseph Troyano, da Congregação do Oratório, foi o Qualificador do Santo Ofício, e ao fazer em 1751 a censura do livro do Padre Manoel da Fonseca, emitiu este parecer: “As obras do Padre Belchior de Pontes, que, escapando ao seu recato, chegaram à nossa notícia, parecendo ordinárias não deixam de ser heroicas; e bem podemos dizer delas o que das de Moisés disseram os magos ao Faraó: Digitus Dei est hic (O dedo de Deus está aqui – Exodus 8, 19)”.

Vários prodígios ocorreram após sua morte, entre os quais a cura de uma sua afilhada, que fora atacada por estranha moléstia.

Uma valiosa recordação do Padre Belchior se conserva na graciosa cidade de Mboy, hoje Embu, não distante da capital paulista, onde uma igrejinha construída por ele é precioso monumento da piedade antiga.

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* http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0207/P02-03.html#.XXCVVyhKiUk

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