Em algum lugar, situado ao que parece nas zonas geladas da Ásia central, uma mulher com seu bebê enfrenta destemidamente o frio intenso, com temperaturas que caem bem abaixo de zero. Seus olhos um tanto amendoados indicam origem mongol. No mesmo sentido fala a fisionomia da criança, nesta foto impactante.

A desolação terrível do inverno se manifesta na perspectiva sem fim do campo nevado, de uma brancura estéril e gelada, ainda acentuada pela vegetação rasteira e raquítica que teima em medrar.

Os trajes da mãe e do filho são próprios a resguardá-los do frio intenso, mas os dela, ademais, são coloridos e belos, assim como o lenço que lhe cobre a cabeça.

O pitoresco fica por conta dos animais, mansos e dóceis, usados para o transporte da carga e eventualmente das pessoas.

A expressão do rosto da matriarca é firme e sofredora, habituada a tudo afrontar com determinação. Ela não tem pena de si, nem está pensando em queixar-se pela sua vida dura. Foi formada para a luta pela sobrevivência, contra as dificuldades da vida, as intempéries, e julga natural que seja assim.

Seu bebê, ela já o cria nessa perspectiva, pois ao mesmo tempo que o agasalha fortemente como defesa contra o frio intenso, coloca-o sobre a superfície gelada para que se habitue a sofrer e a lutar.

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O que faz com que tamanha adversidade seja tomada com tanta naturalidade e determinação? Em uma conferência pronunciada em Buenos Aires (6-11-1964), Plinio Corrêa de Oliveira enuncia os princípios pelos quais se responde a tal questão.

Há um princípio que está em toda a natureza, e que se relaciona com todos os seres vivos. É o princípio da correlação entre as necessidades de um ser vivo e os meios que tem para satisfazê-las”.

Tome-se, por exemplo, um pássaro. Ele é leve, por isto pode voar; e quando voa, foge dos seus inimigos; se tem fome, dispõe do bico com que pega os alimentos e se nutre; está sujeito ao frio, mas é dotado de penas para proteger seu organismo contra o frio. Há uma correlação natural, em todo ser vivo, entre sua anatomia e fisiologia e as suas necessidades.

“Esta correlação existe também no homem, que é um ser dotado de inteligência e vontade. Portanto, de algum modo é incomparavelmente superior aos animais. Não só possui os instintos que caracterizam os animais, porém sabe o que lhe convém; e tem ainda uma vontade, que o impulsiona a fazer isso que lhe convém. Então é natural que o homem aplique sua própria inteligência e sua vontade para — pelo o emprego desses recursos e de seu corpo, que está a serviço de sua inteligência e de sua vontade — satisfazer as suas necessidades pessoais”. (http://www.pliniocorreadeoliveira.info/DIS%20-%2019641106_AliberdadedaIgrejaBAires.htm)

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Como se vê, é na própria natureza que se baseia essa busca de plenitude humana. Não obstante isso, é certo que a Religião católica, autenticamente entendida e fielmente praticada, tende a conduzir os homens mais facilmente ao desenvolvimento superabundante de suas aptidões intelectivas e morais já nesta Terra, além de gerar cidadãos para o Céu.

1 COMENTÁRIO

  1. Muito bem exposto, a começar pela análise de um fato de heroísmo cotidiano, a motivo de caráter natural pelo qual se justifica a propriedade privada.

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