Noah e Connor Barthes, as vítimas com sua mãe
Noah e Connor Barthes, as vítimas com sua mãe

Há ‘pets’ e ‘pets’. Há bons e ruins. Até muito bons. Mas também muito ruins. A natureza não é de uma bondade imaculada como faz crer a mesma propaganda ambientalista que apresenta o homem como o maior predador do planeta.

Jean-Claude Savoie, dono de um ‘pet shop’ na cidade de Campbellton, no estado canadense de Nouveau-Brunswick, saiu de modo sinistro do sonho idílico verde.

Seu ‘pet shop’ fica no andar térreo de seu sobrado, residindo ele com a família no andar superior. Só que nesta havia um estranho membro, que era seu ‘pet’ preferido: uma serpente píton de Seba africana de 4 a 6 anos, pesando 45 quilos e com 4,30 metros, informou o jornal“La Presse”, de Montreal.

Segundo a perícia da Real Polícia Montada do Canadá, a serpente ficava numa caixa de vidro que ia até o teto do apartamento.

Jean-Claude tem um filho e hospedava nesses dias duas outras crianças – Noah e Connor Barthes, de 5 e 7 anos – filhos de seu melhor amigo.

Segundo o inquérito, na noite de segunda-feira, 5 de agosto, enquanto a família dormia, a serpente encontrou um buraquinho no sistema de ventilação da casa e fugiu.

O duto, contudo, não resistiu ao peso da cobra, e o forro afundou sobre a cama onde as crianças dormiam.

Ninguém saberá descrever o horror da cena que então aconteceu e cujo desfecho foram as duas crianças asfixiadas por um cobra constritora imprudentemente criada como “animal de estimação”.

A casa da tragédia em Campbellton, Canadá
A casa da tragédia em Campbellton, Canadá

Segundo a Real Polícia Montada do Canadá, o píton estrangulou os dois meninos, escreveu a BBC.  A autopsia apontou morte por asfixia das crianças. A píton de Seba é uma constritora que pode engolir até um veado de 60 quilos.

O sargento da polícia real, Alain Tremblay, disse que o caso está sendo investigado como crime comum.

O dono do ‘bicho de estimação’ não tinha licença para possuir em casa uma cobra desse tamanho. Steve Benteau, porta-voz do Ministério de Recursos Naturais de Nouveau-Brunswick, declarou à imprensa que jamais foi emitida uma licença para possuir um píton de Seba, ainda mais desse tamanho e num sobrado.

Só zoos muito equipados podem manter cobras tão grandes e perigosas.

No entanto, um coro verde de especialistas mundiais assumiu a defesa do píton, garantindo que é um animal “bom” que não mata gente em condições normais.

Jean-Claude declarou à TV nada ter ouvido, e que ao vir o animal solto, pegou-o e recolocou-o na caixa de vidro. Ele achou que as crianças ainda dormiam.

A policia o está protegendo, pois há na cidade um sentimento generalizado de ressentimento e cólera contra ele. Os habitantes instalaram diante da casa da tragédia ursinhos de pelúcia e outros objetos alusivos às crianças mortas.

O perigoso ‘pet’ foi preso e morto pela polícia. A autopsia confirmou ser um píton de Seba, que pode atingir entre 6 e 9 metros e pesar até 110 quilos, sendo uma das maiores do mundo.

“É uma espécie muito mais agressiva que o comum dos pítons”, disse Hervé Maranda, diretor da criação de répteis Exotarium, da localidade vizinha de Saint-Eustache.

“Não é uma espécie que possa servir para animal de companhia, pois é agressiva, muito difícil de se domesticar e ninguém a quer”, acrescentou Hervé.

“Nós estamos em estado de choque”, disse Stéphanie Bernatchez, cujas crianças brincavam regularmente com as duas pequenas vítimas. “Elas poderiam ser atropeladas por um carro ou algo assim, mas mortas por uma cobra? É algo absolutamente inesperado”.

“Eram crianças comportadas, gentis, bem educadas – acrescentou Stéphanie. Elas gostavam de estar juntas com outras crianças e brincar em grupo. Eram sociáveis e davam-se bem com os outros meninos”.

Um falso sentimentalismo verde ilude as pessoas com a crença de que todo animal é bom, e que o homem e sua civilização são os únicos ruins. Para os caem nesse conto, um regime neocomunista panteísta não seria tão ruim.