Nilo Fujimoto

Uma única tempestade derrubou meio bilhão de árvores na Amazônia, vocês sentiram alguma diferença?

Uma única tempestade derrubou meio bilhão de árvores na Amazônia, diz estudo”1. –– Como ONGs ambientalistas e movimentos ditos sociais, que apregoam que o agronegócio devasta florestas, classificariam essa notícia, transmitida em 13/07/2010 pela BBC Brasil?

Meio bilhão! Uma única tempestade. Entre 16 e 18 de janeiro de 2005, uma única linha de instabilidade, com 1000 km de comprimento e 200 km de largura, cruzou toda a bacia amazônica de sudoeste a nordeste, devastando 9.000 Km2, área equivalente a uma Jamaica e mais do que se desmatou na Amazônia em 2009.

Francamente, senhores ambientalistas, vocês sentiram isso? Pela sua cartilha, deveriam ter sentido.

A humanidade há cinco anos foi “ameaçada” de extinção e vocês não souberam? Na mesma transmissão, a BBC enfatiza que “uma única, violenta e avassaladora tempestade que varreu toda a floresta amazônica em 2005 pode ter destruído meio bilhão de árvores”, informa o estudo, realizado conjuntamente pelos especialistas da Tulane University, de Nova Orleans, e cientistas brasileiros do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Unesp, o qual será publicado na revista científica Geophysical Research Letters.

Milhões não deveriam ter morrido por falta de ar? Ou será que é só a partir de agora, uma vez que só agora se soube?

A pergunta não é sem sentido. Ambientalistas protestam quando uma única árvore é derrubada. Alegam que provoca desmatamento e a conseqüente desertificação, determinando maior quantidade de dióxido de carbono na atmosfera que deveria ser seqüestrada por árvores, tornando o ar cada vez mais tóxico. Se para os ambientalistas a derrubada de uma só árvore pode provocar danos irreparáveis ao meio ambiente, imaginem o que eles deveriam dizer da derrubada de 500.000.000? Acho que faltariam cabelos na cabeça para arrancar.

Prossegue a BBC: “Os cientistas advertem que, por causa das mudanças climáticas, tempestades violentas deverão se tornar mais freqüentes na região, matando mais árvores e, conseqüentemente, aumentando as concentrações de carbono na atmosfera”.

Mudanças climáticas, ninguém as nega. Não se pode, contudo, culpar exclusivamente o homem. Tanto mais quando se invoca sua ação como fator determinante da tempestade, posto que pela violação dos e-mails dos pesquisadores da Universidade de East Anglia ficou provado que incorreções nas estatísticas induzidas pela chefia dos pesquisadores provocaram erros no relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC em inglês)2.

Tais arquivos incluem quase uma década de e-mails pertencentes a Phil Jones diretor, da unidade de pesquisas de clima da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. As primeiras notícias sobre o vazamento ocorreram em 19/11/2009 e críticos do aquecimento global consideraram algumas mensagens como prova da parcialidade da comunidade de pesquisas climáticas.

Numa entrevista à revista “Época”3, perguntada se “as mensagens trocadas por Michael Mann e Phil Jones mostram algum sinal de comportamento impróprio”, a Dra. Judith Curry responde: “Existem várias investigações para avaliar isso. A partir do que eu sei, a resposta seria, sim.”

Na mesma entrevista, a Dra. Judith levanta dúvidas quanto aos métodos usados para construir a seqüência histórica de temperaturas na superfície da Terra nos últimos mil anos. Eles deram origem ao controvertido “taco de hóquei”, caracterizado por um longo período de temperaturas mais baixas e uma elevação brusca nos últimos anos.

A “ponta do taco” representaria a elevação da temperatura global provocada pelas emissões de gases do efeito estufa (CO2), cuja origem está nas atividades industriais humanas além de queimadas. Em outra parte dessa mesma entrevista, a Dra. Judith afirma: “Não se sabe ao certo quanto do aquecimento ocorrido na segunda metade do século XX pode ser atribuído à ação humana. E ainda não são exatas as projeções para o aquecimento previsto para este século.”

Apesar de relatórios do comitê científico britânico e da Universidade da Pensilvânia inocentar os referidos cientistas, fica a certeza de que houve manipulação política.

O Relatório do IPCC apontava grave aumento do aquecimento global provocado pela ação do homem, e um dos vilões – não podia deixar de ser – era o desmatamento na Amazônia. Quantas motosserras são necessárias para provocar a devastação de quinhentos milhões de árvores de uma só vez, em tão pouco tempo?

Quantos grileiros seriam necessários, também, para de uma só vez “matar” tantas árvores preciosíssimas que agora jazem apodrecendo sem nenhuma utilidade para o homem?
Quantas perguntas e nenhuma resposta! Ambientalistas, movimentos sociais, com vocês a palavra.

Notas:
1http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/uma+unica+tempestade+derrubou+meio+bilhao+de+arvores+na+amazonia+diz+estudo/n1237715040221.html

2“O IPCC é a autoridade científica das Nações Unidas responsável pelas informações oficiais sobre o aquecimento global. A entidade reúne centenas de cientistas atmosféricos, oceanógrafos, especialistas em gelo, economistas, sociólogos e outros especialistas que avaliam e resumem os principais dados sobre mudanças climáticas. Durante a sua história, o IPCC publicou quatro “relatórios de avaliação”. Do site da CMQV – Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida.http://www.cmqv.org/website/artigo.asp?id=9731&cod=1461&idi=1

3Judith Curry é diretora da Escola de Ciências da Terra e da Atmosfera, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos: “Não tenho medo do clima”, http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI143938-16270,00-JUDITH+CURRY+NAO+TENHO+MEDO+DO+CLIMA.html

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4 COMENTÁRIOS

  1. Matéria inconsequente para tapar o Sol com a peneira. Tal notícia só serve para justificar o desmatamento que vem sofrendo a Amazônia. Se houve catástrofe, em 2005, esta só serviu para jogar areia ao deserto já formado pelas madeireiras. Eu era vivo nessa época. Por que eu nao soube de uma providência imediata à catástrofe no sentido de se reflorestar o espaço danificado? Omissão ou conveniência? Mais perguntas sem respostas!

     
  2. Primeiro – 450 a 600 milhões árvores não cabem num bocadinho de terreno. Se considerarmos árovres e não arbustos, árvores que chegam ao topo da floresta, não há mais do que 100 a 150 árvores por ha, no máximo dos máximos. 600 milhões de árovres são 40 a 60 mil km². Um décimo da França! Se fossem 9000 km², teriamos cerca de 700 árvores por ha, ficando cada uma com 15 m². Um pomar de macieiras, árvores pequenas, tem uma densidade menor!
    Segundo – Um vento de alta velocidade pode arrancar árvores. Agora, muito dificilmente arrancará muitas árvores numa floresta como a amozónica; o vento não penetra no dossel, passará por cima e só penetra em clareiras. Estamos a falar de plantas que estejam vivas, fortes. O caso é diferente, se as árvores estiverm mortas ou muito decrépitas.
    Terceiro – Deverá ter sido o caso. A Amazónia é uma floresta que atingiu o seu máximo de volume, com as suas 550 t de matéria por ha. Há árvores novas que aparecem e árvores velhas que desaparecem; umas morrem e outras substituem-nas. E é evidente que numa área de milhões de km², haverá sempre muitos milhões de árvores que morrem a cada ano. Todo o ser vivo que nasce, morre. É a lei universal, imutável. Quantos anos vive uma árore? 50, 100, 200? Algumas até conseguem viver 3000, as Sequoias; não todas; algumas entre elas.Vamos pôr um número alto: 100 anos. Se a floresta amazónica tiver, no Brasil, 4,5 milhões de km², todos os anos morrem árvores correspondentes a 45 mil km². Se houver uma ajudinha do vento, podem cair bastante mais.
    Quarto – As árvores ficam no chão a apodrecer. Mas o apodrecimento é uma combustão latente em que se consome oxigénio para desgastar a matéria orgância que liberta dióxido de carbono e água. E as leis da fisiologia nos dizem que o dióxido de carbono captado para sintetizar a matéria orgânica é exatamente o mesmo dióxido de carbono libertado quando essa matéria orgânica é destruida e, inversamente, a quantidade de oxigénio que foi libertado a quando da fotossintese é a mesma que é necessário para a combustão da matéria orgância.
    Quinto – Por isso, e dado que o seu volume não aumenta, a floresta amazónica é hoje um bioma cujo saldo da captação de CO² ou de libertação de oxigénio é zero, ou muito próximo de zero. Hoje começa-se a aceitar esta verdade e, por isso, o discurso mudou. Por isso, defende-se a amozónia não por ela ser o “pulmão” da Terra, mas para defesa da biodiversidade.
    Sexto – O professor Phil Jones já admitiu em entrevista na BBC quando se demitiu do lugar que ocupava no IPCC que, na verdade, a temperatura da Terra não tem aumentado desde 1997/8. Que ele tinha isso nuns apontamentos particulares e que os perdeu!!!
    Sétimo – Alguns que vivem desse tesouro do aquecimento global que é preciso presersar, andam muitos preocupados com os 6,5 Gt de CO² libertados pela queima de combustíveis fosseis e de que aparecem apenas metade, poruqe 3 Gt desaparecem sem deixar rastro. Embora o IPCC não contabilize (e eu sei porquê), os insetos, em todo o mundo e a cada ano, exalam 350 Gt de CO²! Basta matar um por cento dos insetos para compensar as emissões de CO² pela queima de combust[íveis fósseis! Bem, o problema não tem esta simplicidade, mas para caricatura para brincar com o IPCC como eles brincam conosco não está mal.

     
  3. A natureza derrubou parte da floresta – não tenham dúvidas de que para as pessoas conscientes da necessidade de se preservar foi ruim. Entretanto, cumpre lembrar que a natureza destrói, mas ao mesmo tempo constrói, ou seja, providencia a reposição. Diferentemente de nós humanos (inconscientes), pois pensamos apenas na destruição/exploração e jamais na construção.

     

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