Devoção a Nossa Senhora, fonte de calma, confiança. Áudio e texto

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Ante a perspectiva de epidemias, terremotos, como um jovem [um “enjolras”, segundo neologismo utilizado nas TFPs] pode manter a calma? Em poucos minutos, eis como responde o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a essa pergunta que lhe foi feita durante uma rápida conversa. Obviamente que tais conselhos não se aplicam apenas a jovens, mas são válidos para todas as idades.
Para aprofundar os temas aqui abordados, veja a coleção de comentários de Dr. Plinio sobre Nossa Senhora.
e consulte o livro “A Calma e sua gentil superioridade – Excertos do pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira“.


Nossa Senhora de las lajas, Colômbia

Calma e devoção a Nossa Senhora: qual a relação? (*)

https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Mult_901012_Nossa_Senhora_calma.htm

(Sr. -: Como manter a paciência, a calma ?)

Está bom. Então vamos tratar primeiro da devoção a Nossa Senhora, e depois a gente vê as outras coisas como são.

A devoção a Nossa Senhora é o seguinte. Nossa Senhora é a melhor das mães que houve e que haverá até o fim do mundo. São Luís Grignion de Montfort diz a coisa perfeitamente bem. É assim. Vocês imaginem que daqui até o fim do mundo, do começo do mundo até o fim, desde de Eva até a ultima mãe que houver no mundo haja, vamos dizer, 50 milhões de mães – estou levantando a hipótese no ar –, imagine que todas essas mães fossem perfeitís­si­mas. Muitas vezes pode acontecer que não são. Mas imagine que todas fossem perfeitíssimas, e quisessem bem, portanto, a seus filhos com uma clareza, com uma bondade, com uma paciência, ao mesmo tempo com uma energia, com um força extraordinária, mães perfeitas.

Imagine que fosse possível pegar as qualidades de todas elas, somar e colocar numa só mãe. Dava uma mãe como a inteli­gência humana não dá para imaginar. Essa mãe não seria nada em comparação com Nossa Senhora. Mas não é dizer que Nossa Senhora seria melhor, duas vezes melhor do que ela, ou três vez. Não, não seria nada em comparação do que é Nossa Senhora como Mãe. A gente compreende bem, porque Ela é Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ela é Esposa do Divino Espírito Santo, Ela É Filha espe­cia­líssima do Padre Eterno. Evidentemente Ela está sem nenhuma comparação com nenhuma criatura, nem com todas as criaturas juntas. Ela só não é Deus. Deus está infinitamente acima d’Ela. Mas Ela está incalculavelmente acima de todas as outras criaturas.

* Misericórdia incalculável para cada um individualmente considerado

Outra coisa que tem é o seguinte. Que Nossa Senhora, pelo dom de profecia, Ela conheceu todos os homens que haveriam. E, portanto, conheceu individualmente cada um de vocês. Não é dizer que Nossa Senhora olha para vocês como um político olha para os de uma praça pública, para o povo que está reunido lá. Ele vê aquelas cabeças mas não conhece individualmente. Assim, Nossa Senhora durante uma cerimônia religiosa a gente A imagina no altar, Ela olha para aquele povo que está lá, é um povo fiel, mas Ela não conhecesse pessoalmente. Não é, não. Nossa Senhora conhece pessoalmente cada um, sabe as qualidades de cada um, sabe os defeitos de cada um, e tem muita misericórdia para cada um individualmente considerado. Mas não é muita misericórdia: é a misericórdia da tal Mãe incalculável. Ela tem uma misericórdia incalculável em relação a cada um.

* Nossa Senhora sempre atende nossos pedidos, e nos dá mais do que pedimos, dando o que mais nos convém

Então, a gente deve ter a certeza de que pedindo a Ela qualquer coisa, obterá. Pode ser que alguma pessoa peça para Ela alguma coisa que não é para o bem da pessoa, a pessoa pensa que é para o bem dela, mas não é, então Nossa Senhora não dá. Mas dá uma outra coisa que vale mais do que a pessoa mereceria, do que a pessoa está pedindo. Mas nós fazermos uma oração para Ela, uma simples Ave Maria diante daquela imagenzinha que está lá no fundo, atendida é. Pode não ser atendida como nós imaginamos. Mas até nisso entra a misericórdia d’Ela, porque Ela conhece melhor nossas conveniências do que nós conhecemos, Ela dá aquilo que convém para nós. Mesmo que nós estejamos em estado de pecado Ela é assim. Ela tem pena de nós, Ela nos dá graças preciosas para nós nos emendarmos de nossos pecados e brilharmos diante d’Ela por toda eternidade. Essa é Nossa Senhora.

* O desvelo da Providência para com cada um, razão para jamais estamos nervosos

Se isso é assim não há razão para não ser calmo, não tem justificação a pessoa ser nervosa e agitada. Por quê? O que é que aconteceu? Se Nossa Senhora é assim e obtém para nós aquilo que é bom para nós, ainda que nós não compreendamos porque é que está acontecendo aquilo, nós devemos querer, devemos estar tran­qüi­los, a nossa Mãe vela por nós.

Nosso Senhor Jesus Cristo disse isso de um modo lindíssimo, quando disse que não cai um passarinho de uma árvore – por morto – ou que não cai um fio de cabelo da cabeça de um homem sem que o Padre Eterno tenha conhecimento e tenha consentido. Vocês podem compreender como Deus vela individualmente por cada um. E aquilo que pode acontecer com uma pessoa pode ser muito triste para a pessoa, mas Deus está querendo, é para o bem da pessoa.

Então, na Bagarre, havendo na Bagarre tiro de todo lado, epidemia, terremoto, etc., mas pior do que isso é o pecado. E quem sabe se Nossa Senhora vai nos tirar a vida para evitar de nós cairmos em mais pecados e podermos ir para o céu? Então do que é que adianta ficar com tanto medo. Não é melhor deixar acontecer o terremoto, não é melhor deixar acontecer a epidemia?

Então, negócio de enjolras nervoso não serve. Enjolras calmo, tranqüilo, entende que tudo se faz pela vontade de Nossa Senhora, isso é o perfeito. Mas mais do que isso não. Então aí está o segredo da calma.

* A intercessão de outras almas que morreram em estado de graça

Mas, não contente com isso, Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu ainda outras pessoas para rezarem por nós. São pessoas que morreram, cujas almas nós temos toda razão para achar que foram para o céu, e que velam por nós de um modo especial, e pedem a Nossa Senhora por nós, e Nossa Senhora pede por nós por atenção da oração daquela. Quando nós somos tão atoas que nossa oração não vale nada, ainda tem uma pessoa assim que reza por nós para conseguir.

Então, nós devemos estar calmos, tranqüilos, dizendo: “Eu me arrependo dos meus pecados, peço perdão, Nossa Senhora vai me ajudar. Se me acontecer uma coisa qualquer agora, aqui, vai ser para o meu bem. O que eu não vou ser é um enjolras nervoso.

* Fortaleza: mar maravilhoso e povo todo inteligente

(Sr. -: União de alma)

Eu estive em Fortaleza há muitos anos atrás, e fiz uma tour de conferências na Universidade de Fortaleza. Me impressionou muito a cidade de Fortaleza por duas razões. Primeira o mar de Fortaleza, que eu achei uma coisa maravilhosa. Hoje deve estar completamente… as praias devem estar degradadas pela presença de toda espécie de gente semi-nua ou nua, não sei. Mas naquele tempo não era assim, e era uma verdadeira maravilha a gente, por exemplo, almoçar ou jantar à beira mar, com aquele mar verde, como é que chama aquelas palmeiras que tem lá?

(Sr. -: Canaubeira.)

Canaubeiras, etc.

Mas outra coisa que me impressionou mais favoravelmente é o seguinte. Eu começava a andar pela rua, olhava para um, para outro, para outro, e pensava assim: “Como aquele é inteligente! Como aquele é inteligente! Mas parece que o pessoal todo aqui é inteligente! Eu vou andar um pouquinho pela rua para procurar um burro, para ver se encontro”. Não encontrei um burro, todos inteligentes.

* “Uma coisa que eu não gostei: a mania do brinca-brinca o dia inteiro”

Mas há uma coisa que eu não gostei. A mania do brinca-brinca o dia inteiro. Não param de brincar. Assim como lá não pára de ventar, assim também não param de brincar. Isso não é verdade?

(Sr. -: É verdade, sim senhor.)

Ou vou contar a você um caso. Eu fui comungar. Na sacris­tia estava um padre velho, respeitável, cabelos brancos, anotando umas coisas numa escrivaninha. Eu entrei e disse: “O Sr. podia fazer o favor de me dar a comunhão?”

Ele me olhou e me disse: “Eu sou paralítico, não posso andar. Só se eu for pendurado no Sr. até o altar. O Sr. me leva até lá?”

É uma coisa muito singular, não é? Eu disse: “Levo!”, porque se é para comungar, levo até três padres carregados atrás de mim para me darem a comunhão. Não dei essa resposta; disse: “Levo”.

Ele disse: “O Sr. pensa que eu não sei que o Sr. é Dr. Plinio Corrêa de Oliveira?” Aí saiu umas brincadeiras, e ele disse: “Eu me chamo Mons. Mimi”, e umas coisas dessas.

Afinal, foi andando com os pés dele e me deu a comunhão. Mas para tratar uma coisa séria como a comunhão esse homem enchia de brincadeira, uma coisa que não tem nenhum propósito. Mas assim o dia inteiro.

Se a gente quer amar Nossa Senhora a gente não deve ser brincalhão, a gente deve ser sério. Uma brincadeira ou outra, ligeira, rápida, na vida, ainda passa. Mas brincar o dia inteiro não vai. Eu não vou perguntar para você se você brinca o dia inteiro, mas é bem possível, porque o hábito da terra é esse. E você vê que os povos que vão para a frente na vida não brincam o dia inteiro. Você vê gente brincando aqui o dia inteiro? Você acha que, por exemplo, em Paris se brinca o dia inteiro, ou em Nova York? Não. Por que é que lá vai se brincar o dia inteiro? Não tem propósito, não é?

Então, meu filho, minha recomendação é: procure ser sério que você amará Nossa Senhora. Por outro lado, procure amará Nossa Senhora que você conseguirá ser sério. Então você peça a Ela que tire de você o mau hábito da brincadeira e dê a você o amor à seriedade, e dê a você sobretudo o amor a Ela. Aqui está a fórmula.

(Sr. -: Queria pedir uma jaculatória ao Sr. para os cearenses?)

Sedes Sapientiae, ora pro nobis. Sede da Sabedoria, rogai por nós. Está bom?

Bem, agora…

Áudio e texto:

* * *https://www.pliniocorreadeoliveira.info/Mult_901012_Nossa_Senhora_calma.htm#.YorsUKjMKMo

(*) A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

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