Reproduzimos abaixo as considerações do Prof. Plinio sobre a Luz Primordial, sua aplicação a nível individual e à luta Revolução e Contra Revolução. (*)

Na era do Relativismo moral e religioso é fundamental termos presente que a Luz Primordial é sempre o nosso farol, nossa espinha dorsal no mecanismo das certezas. A Revolução quebrou o mecanismo das certezas. A Contra Revolução, pelo contrário deve reavivar a noção de Bem e Mal.

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Luz primordial em oposição ao vício capital

A luz intelectual do homem – e de todo homem – no plano natural e sobrenatural, é mais forte a respeito de uns tantos pontos, que correspondem à luz primordial. Como através da luz primordial o homem tem uma visão muito clara do que o cerca, ela lhe dá umas tantas certezas que são critério para outras certezas. Desta maneira, se alguém está certo de que os pontos A, B e C estão de acordo com sua luz primordial, todas as conseqüências de A, B e C serão certas também, e tudo que contrarie estes pontos é errado.

“Propriamente, somente quem corresponde à sua luz primordial tem certeza de que está no bom caminho. O homem que a ela não corresponde é um espírito incapaz de certeza.

A Luz Primordial é uma espécie de espinha dorsal do mecanismo da certeza

“Analisando as coisas sob o prisma da luz primordial tudo se torna muito simples porque ali vemos a verdade com muita clareza. A luz primordial é uma espécie de espinha dorsal do mecanismo da certeza. Quando o homem não é fiel à sua luz primordial acaba por querer conquistar as verdades, não a partir desta luz, mas por um jogo de raciocínio. E a vida se torna a selva escura de que nos fala Dante, pois se não tratarmos de iluminá-la, a partir das certezas de nossa luz primordial, não teremos verdadeira certeza, nem do bem e nem do mal, nem da verdade e nem do erro.

” A imensa maioria dos homens, no entanto, não procura sua luz primordial, mas, por outro lado, também não se entrega de tal maneira ao vício capital que, ao menos nesta linha, construa uma série de teses que queira adotar como verdade; entrega-se a este vício de maneira nebulosa e vaga, e sente-se, então, incapaz de formar qualquer certeza.

Formar certezas a partir da Luz Primordial: o contrário de se levar por impressões

“A vida, aos olhos do homem que perdeu esse rumo, se transforma no reino das impressões. Se, em pequeno, conheceu no Grupo Escolar uma freira muito boa, amável, conserva uma grande ideia da religião. Mas se, por outro lado, teve depois contato com um professor de espírito voltairiano, muito jocoso, mestre em anedotas anticlericais, que ele considerou muito espirituosas, passou a simpatizar com o anticlericalismo. Se viu, nos museus da Europa, belos objetos aristocráticos, admirou a sua classe. Mas se também assistiu a uma fita de cinema em que a aristocracia era representada de modo desfavorável, terá ficado com certa antipatia.

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 “Vejamos como as teses se encadeiam. Um homem que não correspondeu à sua luz primordial, não tendo portanto o mecanismo que dá a seu espírito a plena certeza, ou que não atendeu ao seu vício primordial, e não tem o mecanismo de ódios funcionando à maneira de certeza, tem uma série de varais estendidos entre esses dois extremos, com todas as gamas do pensamento humano. Essas gamas móveis poderão ser modeladas de acordo com esse grande teatro social de insinuações, que se vai lançando. Eis aí uma alma que é um ótimo campo de cultura para a ação da Revolução.

Idade Média: era de certeza

“Na Idade Média a certeza, que é fornecida pela fidelidade à luz primordial, era muito evidente. O ambiente muito homogêneo, as ideias ordenadas, a arte e a arquitetura muito coerentes com a doutrina, tudo levava a se achar muito natural que assim fossem as coisas. Tomava-se por pressuposto natural que aquele modo de ser era o legítimo.

A Renascença rompe com o mecanismo da certeza. Inicialmente veio a crise moral, que afastou os homens da sua luz primordial. Longe desta luz foi possível desviá-los da certeza. E a demolição começou pelo ponto central, tocando na divindade e na infalibilidade da Igreja (Revolução Protestante). As tendências se fragmentam em diversas direções. Cada bloco tem certeza de sua certeza. E seguiu-se a divisão das seitas, cada qual com sua certeza.”

Uma certeza cheia de incertezas

“No cerne dessas certezas contraditórias já havia uma incerteza, porque os homens são feitos de tal maneira que não confiam muito em si. Mesmo entre os católicos, com exceção dos extremamente fiéis, com fé capaz de mover montanhas, essa pluralidade de opiniões lhes comunicava uma espécie de incerteza fundamental vaga, imponderável, e daí a inquietação, a polêmica, o diálogo, para ver se do lado oposto não havia uma parcela de verdade.

A Revolução Francesa generalizou este modo de se comportar para o terreno político. Temos os monarquistas do Ancien Régime, os monarquistas constitucionais, os republicanos moderados, os avançados e os comunistas. Uma série de certezas em dúvida.

“A Revolução queria que todos se tornassem comunistas. Não conseguindo isto provocou o entrechoque das opiniões contraditórias. Os que já não tinham mais um perfeito mecanismo de certeza ficaram meio monarquistas meio republicanos. Surgiu uma imprensa funcionando como verdadeira feira de opiniões. E não tendo ainda conseguido que todos ficassem comunistas, consegue, no entanto, que todos fiquem ao menos indiferentes. São as tramas da Revolução.

Interpretação contra-revolucionária dos acontecimentos históricos 

“Poderíamos reter, após todo o exame feito neste trabalho, uma série de princípios que serviriam para a explanação de um sem número de outros pontos históricos. Constituiríamos assim toda uma doutrina que não é mais, em última análise, do que a História interpretada segundo a psicologia e a moral.

“Os aspectos estudados no presente trabalho (Considerações em torno de Revolução e Contra Revolução) não são senão uma pequena amostra do que poderíamos examinar. Analisamos uma série de afirmações, já comprovadas pela pesquisa. Mas, com base nos princípios de “Revolução e Contra-Revolução” poderíamos examinar ainda uma imensidade de hipóteses históricas e, com base mesmo nos dados da própria historiografia corrente, provar, com fatos, os princípios que enunciamos.

“Seria para isto um guia utilíssimo a elaboração de um conjunto de normas de vida espiritual para ser aplicado à vida dos povos, e não apenas à dos indivíduos, e para com os dados da psicologia e da moral explicar a História.

“É o que fazem os comunistas: tomam uma filosofia – a materialista – estabelecem certos princípios, e interpretam a História segundo esses princípios.

A posição dos contra-revolucionários deve ser a interpretação da História por meio de princípios puramente espiritualistas, isto é, como a Igreja nos ensina, levando em consideração a vida sobrenatural, a correspondência à graça etc.”  https://pliniocorreadeoliveira.info/DIS_640615_RCR_03.htm#.XwKCIShKhPY

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A esquerda prega o relativismo moral, religioso, ideológico no Ocidente. Entretanto, os países comunistas são dogmáticos, intransigentes, fanáticos na aplicação do ateísmo, do materialismo, do comunismo.

O relativismo é a afirmação do vício capital, oposto da Luz Primordial.

Exemplo atual? China de Xi Jinping.

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Continua o Prof. Plinio: “No Reinado do Imaculado Coração de Maria será necessário que todas essas hipóteses e teorias sejam inteiramente explicitadas, para prevenir decadências futuras.

  • O que de nós deseja Nossa Senhora

“Por esta visão espiritualista vemos que a partir do momento em que o afrouxamento da virtude se deu, Nosso Senhor Jesus Cristo vai se tornando cada vez mais ausente do mundo e a esfera de ação dos santos, humanamente falando, vai se tornando também menor. É uma das formas da ausência de Deus.

“Deus suscita heróis para a batalha, mas permite que os grandes muros sejam cada vez mais arrasados. Assim como suscitou Leão XIII para restaurar o estudo da escolástica através da encíclica “Aeterni Patris”, poderá suscitar outros para pôr em foco o estudo dos princípios acima delineados.

Desde já, no entanto, para podermos fazer progredir a Contra-Revolução e derrotar a Revolução, é necessário que nos habituemos a descrever estas mentalidades para sabermos, pelas artimanhas da dialética, pôr a nu o veneno da Revolução. É preciso, pois, e para isto estão convidados nossos Amigos, que em nossas conversas e reuniões, leituras e estudos, procuremos insistentemente aplicar os princípios aqui enunciados para que eles se nos tornem familiares, único meio de nos armarmos para o combate à Revolução, e único meio de a derrotar.

“Que Nossa Senhora de Fátima abençoe-nos profusamente nesta Santa Cruzada pelo advento do Seu Reino.

(*) O conceito de Revolução e Contra Revolução está explanado no livro https://pliniocorreadeoliveira.info/RCR01.pdf. Baixe o pdf gratuitamente.

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O Prof. Plinio retoma a metáfora das “Duas Bandeiras”, de Santo Inácio e aplica, atualiza para o embate no século XX e XXI. Àqueles que se colocam sob a Bandeira de Nosso Senhor Jesus Cristo recomendamos vivamos a leitura dessa obra, qualificada como “um catecismo” contra revolucionário”.

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