Os inimigos internos e externos da Igreja e a campanha da midia liberal

    D. Januário Torgal Mendes Ferreira, Bispo Castrense de Portugal, com frequentes declarações contrárias à moral católica.

    Luiz Sérgio Solimeo

    Nos dias de hoje, a Santa Igreja de Deus assemelha-se a uma fortaleza que sofre um duplo e sincronizado ataque, de seus inimigos externos que investem contra suas muralhas e dos inimigos internos que enfraquecem a sua defesa, produzem o desânimo e auxiliam o inimigo.

    De certa forma, apesar das diferenças e divergências, tanto os inimigos externos como os internos formam um único exército combatente, pois ambos se deixaram seduzir pelo “príncipe deste mundo,”1 “o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro.”2

    “‘Aquele que peca é do demônio.”

    Com efeito, como ressalta o Cardeal Charles Journet, os pecadores, naquilo que ainda existe de santo neles,3 “eles ainda estão unidos à Igreja, permanecem em seu seio. Mas, em virtude do pecado mortal que penetrou em seus corações eles pertencem principalmente ao mundo e ao demônio.Aquele que peca é do demônio.” (1 João 3:8).”4

    Esta realidade foi ressaltada pelo Papa Bento XVI na homilia da Missa da solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, na Basílica do Vaticano:

    “De fato, se pensarmos nos dois milênios de história da Igreja, podemos observar que – como tinha prenunciado o Senhor Jesus (cf. Mt 10, 16-33) – nunca faltaram para os cristãos as provas, que nalguns períodos e lugares assumiram caráter de verdadeiras perseguições. Mas elas, apesar dos sofrimentos que provocam, não constituem o perigo mais grave para a Igreja. O dano maior, de fato, é-lhe causado por aquilo que polui a fé e a vida cristã dos seus membros e das suas comunidades, corrompendo a integridade do Corpo místico, enfraquecendo a sua capacidade de profecia e de testemunho, ofuscando a beleza do seu rosto.”5

    Ajudando aos inimigos da Igreja

    Sem entrarmos no julgamento da consciência de D. Januário Torgal Mendes Ferreira − Bispo Castrense de Portugal −, mas atendo-nos apenas aos seus atos externos, às suas frequentes declarações contrárias à moral católica, não podemos deixar de ver nessas atitudes um poderoso auxílio aos inimigos externos da Igreja.

    Ainda agora, o Prelado português concedeu entrevista na qual leva o favorecimento da agenda homosexual mais longe ainda do que fez o Cardeal Schonborn, Arcebispo de Viena em recentes declarações (as quais, infelizmente, ele nem as desmentiu nem se desculpou publicamente por elas).6

    A entrevista do bispo Torgal Ferreira foi publicada no jornal on line I-online, de 26 de junho último. 7

    “Aceito homem que viva com um homem”

    Perguntado a respeito da recente aprovação da lei que permite o “casamento” entre homossexuais em Portugal, o bispo Torgal respondeu dizendo que não concordava com o casamento homosexual embora aceitasse a união legal) e foi ainda mais longe:

    “Concordo e aceito um homem que viva com um homem e uma mulher que viva com uma mulher.”

    “Isso não o choca?” perguntou a jornalista ao que o bispo repondeu enfático: “É evidente que não. A atitude que tenho de ter é a respeitabilidade.”

    O eclesiástico deixou claro que não se referia a uma hipotética e quase impossível convivência casta de dois homens ou duas mulheres que sentem intensa atração sexual recíprocas. Diante da ponderação da entrevistadora de que “a Igreja acolhe os homossexuais … desde que não pratiquem a sua homossexualidade…” o bispo Torgal Ferreira usou de ironia:

    “Com certeza que um casal homossexual não é um teórico, não é? E os afectos traduzem-se por essa prática [homossexual], por essa fusão psíquico-afectiva da unidade misteriosa que é o ser humano.”
    Insistiu ainda a jornalista: “A Igreja tem de entender isso?” e a resposta foi peremptória:

    “Entender, sim. Sacralizar é que não – porque o amor, para a Igreja, é um sacramento, o matrimónio.” Negando o princípio da universalidade das leis morais, acrescentou: “Esta é uma matéria muito complexa, que tem de ser muito bem compreendida. E nenhuma instituição pode dizer se aceita ou não aceita. Cada caso é um caso.”8

    Nudismo na praia? “Que mal teria?”

    Consequente com esse amoralismo, o bispo Torgal Ferreira aceita outras formas de aberração. Com efeito, se a Igreja − intérprete da Lei natural e da Revelação − não pode condenar de modo objetivo e universal todos os atos homossexuais, também não pode se pronunciar sobre o exibicionismo nudista, uma vez que tudo dependeria da intenção subjetiva de cada pessoa.

    Dessa forma, o bispo chega a justificar o nudismo nas praias. Diz ele: “as pessoas encontram−me na praia. Vamos imaginar a seguinte situação: [Alguém que me vê diz] ‘Então você estava ali deitado, ao lado de uma rapariga [moça] a fazer topless?’ E então? Que mal teria?”

    Mais grave ainda do que tal afirmação absurda é a doutrina com que o bispo a justifica. Disse ele que “a maldade está na forma como se pensa o mundo,” continuando: “Quem conhece o mundo e o adora, olha-o de forma límpida e feliz.”

    Dessa forma, segundo o Prelado, o critério para a moral não são os ditames da Lei Eterna e da Lei Natural, mas sim a conformação com o mundo. Ora, isso é exatamente o contrário do que nos ensina São Paulo: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.”9

    O bispo Torgal Ferreira defendeu também a contracepção e a mudança das estruturas da Igreja num sentido igualitário. Já anteriormente ele havia criticado o Papa Bento XVI quando este condenou o uso do condom como “terapia” para evitar a epidemia do AIDS.10

    “Coragem! Eu venci o mundo”

    A Fortaleza de Cristo, isto é, a sua Igreja − Una, Santa, Católica e Apostólica − encontra-se em plena luta contra aqueles que, dentro ou fora dela, deixaram-se seduzir pelos “príncipes deste mundo tenebroso … as forças espirituais do mal.”11

    Aqueles que pecam na Igreja, sobretudo nos atuais escândalos sexuais, dão pretexto para os mundanos atacarem não o pecado, com o qual são coniventes, mas a Igreja que é contra o pecado. Desse modo, intencionalmente ou não, eles se tornam aliados dos inimigos da Esposa Mística de Cristo.

    Parece oportuno lembrar que, desde os inícios da Igreja, os dissidents em seu seio procuraram o apoio dos poderosos do mundo para forçar as mudanças doutrinárias e institucionais na Igreja. E hoje assistimos a uma aliança − ao menos de fato, embora não necessariamente intencional − entre progressistas e dissidentes, tanto clérigos como leigos, e a mídia liberal, que lhes dá voz, ao mesmo tempo que promove por imagens e escritos a imoralidade mais desenfreada.

    Não devemos desanimar por causa dos escândalos. Jesus nos advertiu de que eles são inevitáveis.12

    Da mesma forma, não devemos nos deixar iludir pelo modo como a mídia noticia os fatos. Manifestemos toda nossa indignação contra os escândalos, mas continuemos a denunciar aqueles que, no interior da Fortaleza, estão fazendo o jogo dos adversários. No entanto, levemos cuidado para não fazer o jogo do adversário e apopiar a mídia em sua campanha anticristã. Não é a mídia amoral que nos salvará.

    Voltemo-nos para aquele do qual nos vem a salvação Nosso Senhor Jesus Cristo: “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.”13

    Que Maria Santíssima, Auxiliadora dos Cristãos, interceda por nós.

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    1 João, 12:31.

    2 Apocalipse, 12:9. O “mundo” do qual Satã é o príncipe não é o mundo físico, criado por Deus e por isso mesmo bom. O “mundo” aqui referido é a atração desregrada pelas coisas terrenas com desprezo pelas celestes; é fazer desta vida o fim último da existência do homem. Por isso nos adverte São João: “Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.” (1 João, 2:16-17).

    3 As marcas sacramentais do batismo e confirmação e as vitudes teologais da fé e da esperança.

    4 Charles Journet, The Church of the Word Incarnate, Sheed and Ward, London-New York, 1955, Vol. I, p. xxvii.

    5 Solenidade Dos Santos Pedro E Paulo, Homilia Do Papa Bento XVI, Basílica Vaticana
    Terça-feira, 29 de Junho de 2010, http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2010/documents/hf_ben-xvi_hom_20100629_pallio_po.html.

    .

    6 Cfr. Luiz S. Solimeo, Deve a Igreja mudar sua posição sobre homossexualismo e divórcio?, http://www.ipco.org.br/home/noticias/deve-a-igreja-mudar-sua-posicao-sobre-homossexualismo-e-divorcio; Communique Concerning Audience With Cardinal Schonborn, Vatican Information Service, press.catholica.va/news_services/press/vis/dinamiche/b7_en.htm.

    7Entrevista: ‘Concordo e aceito um homem que viva com um homem’” por Rosa Ramos, Publicado em 26 de Junho de 2010,

    http://www.ionline.pt/conteudo/66412–concordo-e-aceito-um-homem-que-viva-com-um-homem.

    8 Estes são os princípios da chamada “Ética” ou “Moral de situação”, condenados pelo Papa Pio XII: “Assim expressa, a nova ética [ou moral] é tão distante da fé e dos princípios católicos, que até uma criança que conheça seu catecismo se dá conta disso. Não é difícil reconher que essa moral deriva [da filosofia] do existencialismo, o qual abstari de Deus.” O Pontífice explica então que cada caso individual está contido na universalidade das leis morais. “Precisamente por causa de sua universalidade, a lei moral necessariamente e intencionalmente abarca todos os casos particulares aos quais ela se aplica.” (Pio XII, “Nel Congresso della Federazione Mondiale delle Giuventu Femminili Cattoliche,” in Discorsi e Radiomessaggi di Sua Santità Pio XII (Vatican: Tipografia Poliglota Vaticana, 1961), vol. XIV, pp. 74-75.)

    9 Romanos, 12:2.

    10 Cf. Luiz Sérgio Solimeo, Adding Fuel to the Fire: Church Authorities on Condom Use Feed Media Uproar Against the Holy See, Friday, 03 April 2009 14:55, http://www.tfp.org/tfp-home/catholic-perspective/adding-fuel-to-the-fire-church-authorities-on-condom-use-feed-media-uproar-against-the-holy-see.html#footnote_anchor_7.

    11 Efésios, 6:12.

    12 “Ai do mundo por causa dos escândalos!” − Disse Nosso Senhor. “Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!” (Mt 18,7). “Jesus disse também a seus discípulos: É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm!” (Lc 17,1).

    13 João 16:33.