Tragédia, indiferença, hipocrisia

    Choque e indignação foram as reações despertadas pelo caso da menina chinesa de dois anos de idade, atropelada várias vezes, em meio à indiferença dos passantes, na cidade de Foshan, sul da China comunista.

    Numa ruela com pouco movimento de veículos, um furgão atropela a menina que, ensangüentada, fica caída sob o carro, entre as rodas dianteiras e traseiras. O furgão para por alguns instantes e em seguida retoma seu caminho, passando novamente sobre a menina, desta vez com a roda traseira.

    Durante um certo lapso de tempo, diversos pedestres e motos passam junto à pequena vítima estirada no solo, sem se incomodarem. Até que um outro furgão a atropela novamente, passando também com as rodas dianteira e traseira sobre ela.

    Ao todo foram 18 pessoas que transitaram indiferentes ao lado da menina, até que uma mulher a socorreu e providenciou sua remoção para um hospital, onde veio a falecer alguns dias depois (21 de outubro 2011).

    O nome da menina era Yueyue, cuja tradução significa “Pequena Alegria”.

    Passados os momentos mais candentes desse crime hediondo, cabe uma reflexão.

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    Menina chinesa no hospital. Não resistiu

    A brutalidade inaudita do evento levantou em todo o mundo uma interrogação sobre a deformação moral a que o regime chinês está submetendo sua população. O materialismo crasso do comunismo é de molde a embrutecer as almas e torná-las insensíveis às tragédias humanas, mesmo as mais capazes de sensibilizar.

    A perseguição aos cristãos na China é outro capítulo terrível dessa realidade.

    Donde a pergunta lancinante: como pode o Ocidente, que tanto fala em direitos humanos, promover de tal modo o comunismo chinês, por meio de indústrias gigantescas, comércio avassalador e dólares sem conta? Que julgamento os atuais dirigentes das nações, responsáveis por tanta hipocrisia, merecerão de Deus e da História?

    Se a morte trágica da pequena Yueyue servisse ao menos para acordar os ocidentais imersos em seu letargo e os levasse a repudiar os imensos males do comunismo — seja ele chinês, russo, cubano, vietnamita, coreano ou de qualquer outro país —, o sacrifício da “Pequena Alegria” não teria sido em vão.

    Acordarão? Ou esperarão o desencadeamento dos terríveis acontecimentos previstos em Fátima por Nossa Senhora? Eis a questão.