Mateus, “filho de Alfeu”, como diz São Marcos (2, 14), chamava-se também Levi, pelo costume que tinham os hebreus de muitas vezes ter um segundo nome, como Saulo e Paulo. Depois do encontro com Nosso Senhor, o santo passará a ser conhecido somente pelo primeiro nome, que significa “dom de Deus”.

Embora Eusébio, o “Pai da História da Igreja” (entre 260-341), diga que Mateus era sírio, de acordo com a tradição ele era galileu, e mesmo, segundo alguns, de Caná da Galiléia, onde Cristo Jesus operou seu primeiro milagre, transformando a água em vinho. Como nenhum dos três evangelistas que narram a vocação de São Mateus mencionam que, ao abandonar tudo, ele tenha também deixado a família, pode-se supor que era solteiro quando encontrou Nosso Senhor.

Coletor de impostos para os romanos, rico, deixou sua banca para seguir a Nosso Senhor, tornando-se o primeiro Apóstolo a escrever Sua vida.

Essa profissão, que consistia em ter comércio público e banco aberto para passar letras de câmbio, expedir mercadorias, arrecadar tributos e passá-los a Roma, era mal vista pelos judeus, pelo que os chamavam pejorativamente de “publicanos”. Ainda mais por que, sendo uma profissão muito lucrativa, proporcionava a eles muitas ocasiões de procurar ganhos ilícitos.

Segundo o hagiógrafo grego do século X, Simeão Metafrastes – principal compilador das legendas dos Santos no calendário da Igreja Bizantina – , o Santo era o chefe e o principal dos publicanos que residiam na cidade.

O futuro Apóstolo vivia em Cafarnaum, importante centro de tráfico às margens do lago de Genesaré.

Ele próprio nos narra seu encontro com Jesus: O Divino Mestre acabara de operar, em Cafarnaum, mais um dos seus estupendos milagres, curando o paralítico que, de modo dramático, os companheiros haviam feito descer do teto em meio à sala em que estava o Messias. Pouco depois, “passando Jesus dali, viu, sentado ao telônio, um homem por nome Mateus, e lhe disse: Segue-me. E ele, levantando-se, seguiu-O” (10, 9). São Marcos e São Lucas dão praticamente a mesma versão.

O Santo então, para comemorar o seu chamado para o Colégio Apostólico, “ofereceu-lhe um grande banquete”. Note-se a palavra “grande”! Dele participaram, além do Divino Mestre e seus primeiros discípulos, “muitos publicanos e pecadores” (Mt 9, 10).

Entretanto, isso provocou a indignação dos fariseus, que interpelaram os discípulos de Jesus: “Por que vosso mestre come com os publicanos e pecadores?”. Cristo Jesus, ouvindo-os, deu-lhes a irretorquível resposta: “Os sãos não têm necessidade de médico, senão os enfermos. Ide e aprendei o que significa: ‘Eu quero a Misericórdia, e não o sacrifício’” (Mt 9, 13).

Entretanto, é preciso notar que, apesar dos publicanos serem tido como pecadores pelos fariseus, sua profissão era lícita, e muitos deles eram judeus praticantes e agiam de boa fé. O que se vê no Evangelho de São Lucas, que narra que, entre os que iam batizar-se com o Precursor, estavam publicanos, que lhe perguntaram: “Mestre, que havemos de fazer [para nos salvar]?”. João Batista não lhes disse que deixassem sua profissão, mas para “não exigir nada fora do que fora taxado” (Lc 3, 12-13). Quer dizer, que fossem honestos em seu trabalho. Pelo que se vê que havia muitos entre eles que tinham boa fé.

Pelo que afirma D. Guéranger: “Mateus tinha uma alma reta; e, iluminada por Deus, deixou tudo, cedeu a outro seu ofício, e seguiu Jesus. Desde então mereceu com razão ser chamado Mateus: o dom de Deus. Mas, quão maior era o dom que Deus lhe fazia que o que Mateus fazia a Deus! O Mestre veio escolher o que no mundo havia de mais baixo, o mais desprezado na ordem social, para convertê-lo em príncipe de seu povo, e elevá-lo à dignidade mais alta que existe na terra depois da dignidade da Maternidade divina: a dignidade de Apóstolo”.

D. Guéranger segue a tradição de que São Mateus “morreu na Etiópia (não da África), de onde seu corpo foi levado para Salerno; a igreja catedral dessa cidade lhe está dedicada. Clemente de Alexandria diz que São Mateus era de grandíssima austeridade de vida, e a tradição conta que morreu mártir por haver defendido os direitos da virgindade que se oferece a Deus” (Ano Litúrgico).

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